Geraldo de Majella

Ciência e Tecnologia não interessam à Segurança Pública

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Direito de resposta:

Laboratório de Universidade desiste de convênio e Perícia Oficial fecha nova parceria

Exame é de extrema importância para a conclusão de laudos e indispensável para os peritos.

Aarão José - Poal  

A direção da Perícia Oficial esclareceu, nesta segunda-feira, 19, que foi Laboratório de DNA Forense da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) quem rompeu o convênio que mantinha com a Perícia, e não o contrário. Segundo o comando da Perícia, o convênio vigorou de 2010 a 2012 e visava a identificação de pessoas desaparecidas, alimentando o banco de dados existente no laboratório da Universidade.  

A partir de 2012 até 2014, passou a valer um contrato, assinado em 3 de novembro de 2012, com validade de um ano, renovado em 2013 mas, com a aproximação do término da vigência, teve o pedido de renovação feito pela Perícia negado pelo coordenador do laboratório.  

Por meio de ofício pelo enviado à Perícia Oficial em novembro de 2014, o coordenador do Programa de Identificação Humana e Diagnóstico Molecular da Ufal, professor Luiz Antônio, diz: “Informo que o Laboratório de DNA Forense da Universidade Federal de Alagoas, devido à grande demanda de estudos de paternidade, não tem interesse em renovar o convênio firmado com a Secretária de Defesa Social para a realização de estudos do DNA em casos criminais e identificação humana”. 

A decisão obrigou a Perícia Oficial a procurar novas alternativas para garantir a realização dos exames de DNA forense.  

O referido contrato tinha como propósito a realização de exames laboratoriais para identificação humana, por meio de análise e estudos comparativos de DNA de corpos não identificados, de vestígios coletados em locais de crime e de vestígios de crimes sexuais, perfazendo o valor total R$ 438.100,00.  

“O mesmo convênio ainda previu e concretizou o treinamento específico de 33 peritos médicos-legistas, cinco peritos odontolegistas, 37 peritos criminais e 12 técnicos forenses para a padronização de procedimento de coleta, acondicionamento e encaminhamento de amostras biológicas para os referidos exames, os quais foram realizados pelo próprio professor Luiz Antônio. Nesse sentido, nunca houve resistência da Secretaria da Segurança Pública, nem da Perícia Oficial para firmar convênio com o Laboratório de DNA Forense da Ufal, o que houve foi uma negativa de demanda do coordenador do programa”, afirma o perito geral da Poal, Manoel Melo.  

Tendo em vista a necessidade desses exames para a Perícia Oficial, dentro do contexto da segurança pública, várias tentativas de renovação do contrato foram realizadas, porém, as condições impostas pelo professor Luiz Antônio, como a aquisição pela Perícia Oficial de um sequenciador de DNA no valor de R$ 600.000,00 tornou o pleito inviável.  

Diante dos entraves e tendo ciência de que este laboratório não é o único deste tipo na Ufal, a Perícia Oficial entrou em contato com outro laboratório da mesma instituição, o Laboratório de Genética Molecular, Genômica e Proteônica (Gempro) que vem realizando exames de confronto genético forense em parceria com Instituto de Criminalística, uma vez que este ainda não possui laboratório de Genética Forense.  

A perita criminal Rosana Coutinho, chefe de perícias de laboratórios do IC, especialista em DNA Forense e doutoranda em biotecnologia em saúde, cujo projeto de tese é na área de genética forense, vem ao longo destes últimos meses realizando exames de DNA no Gempro. Os frutos desta experiência, credenciaram o laboratório, coordenado pelo geneticista molecular professor  Eduardo Ramalho, Ph.D/PD, para firmar convênio com a Perícia, processo este que já foi aberto e referendado pelo reitor da Ufal e pelo secretário da Segurança Pública Alfredo Gaspar de Mendonça Neto que desde o início da gestão tem como meta solucionar esta demanda.  

Além disso, existe uma determinação do Governo Federal, por meio da Lei nº 12.654, de 28 de maio de 2012, que todas as unidades de Perícia do País tenham seus próprios laboratórios de genética forense para a coleta de perfil genético como forma de identificação criminal, cujos resultados farão parte do Banco de Dados Nacional, gerenciado pela Polícia Federal e vinculado ao Codis - Combined DNA Index System (Sistema de Índices Combinados de DNA) vinculado ao FBI – Federal Bureau of Investigation (Agência Federal de Investigação), motivo este que levou a direção da Perícia Oficial a pleitear junto ao Ministério da Justiça a aquisição de equipamentos para montagem de um laboratório próprio de DNA no Instituto de Criminalística, negociação esta que também já está bem avançada.

Esclarecimentos:

1- A Secretaria de Segurança Pública ou Defesa Social demorou quase 11 anos para assinar o convênio com o Laboratório de DNA Forense da UFAL. E quando o fez, a duração foi por um curto período.

  
2- Acompanhei por mais de uma década as relações desinteressadas e por vezes desrespeitosas por parte de alguns dos ex-secretários e responsáveis pela criminalística. Em 16 anos, nada mais nada menos que 12 secretários passaram pela pasta da Segurança Pública.


3- Não vejo nenhum problema em o professor Dr. Luiz Antônio Ferreira, Coordenador do Programa de Identificação Humana e Diagnóstico Molecular da UFAL, desistir de continuar com o convênio, como informou a Perícia Oficial e expôs os motivos: “Informo que o Laboratório de DNA Forense da Universidade Federal de Alagoas, devido à grande demanda de estudos de paternidade, não tem interesse em renovar o convênio firmado com a Secretária de Defesa Social para a realização de estudos do DNA em casos criminais e identificação humana”.


4- O Laboratório cumpriu integralmente o acordado em convênio. O que me deixa estarrecido é a alegação da Perícia Oficial de que o que inviabilizou a renovação do convênio foi o pleito do professor Luiz Antônio Ferreira, que seria a aquisição pela Perícia Oficial de um sequenciador de DNA no valor de R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais). Esse foi o pretexto encontrado intramuros.


5- É obvio que o Laboratório de DNA Forense da UFAL não é uma extensão da Perícia Oficial do Estado de Alagoas. Há pesquisas científicas desenvolvidas no laboratório e outros trabalhos firmados.

  
6- Esse “impasse” de ocasião é parte integrante da rejeição histórica e do corporativismo institucional.


7- O custo incalculável tem sido “pago” pela sociedade alagoana e principalmente pelas famílias vítimas da crescente violência. Nesse caso específico, a família do adolescente Davi da Silva.


8- A Perícia Oficial deve prestar contas das suas ações à sociedade alagoana. Quero deixar claro aos senhores e senhoras que o meu blog continua aberto à manifestação contrária ou a favor das minhas posições aqui postadas.

Geraldo de Majella     

 

Ciência e Tecnologia não interessam à Segurança Pública

Em maio de 2003, foi realizado um ato conjunto da Fundação de Amparo à Pesquisa de Alagoas (Fapeal), da Secretaria de Ciência e Tecnologia e da Secretaria de Defesa Social (SDS), na sala do Conselho Superior da Fapeal, o então presidente da fundação José Márcio Malta Lessa assinou o termo de outorga que concedia R$ 257 mil para a compra de equipamentos e insumos para o Projeto de cunho estratégico “Tipagem de DNA para fins Forenses”.

“O projeto será desenvolvido em cooperação com a Secretaria de Defesa Social e visa à implantação de técnicas de coleta, transporte e armazenamento de amostras biológicas coletadas em locais de crimes, como também ao treinamento de peritos das diversas polícias na extração e transporte dessas amostras para fins forenses.”

A Segurança Pública nunca se interessou efetivamente em firmar convênios com o Laboratório de Genética Forense da Ufal. O combate à criminalidade tem acontecido com os métodos arcaicos e com o uso ainda maior da violência.

A Perícia Oficial não está ainda qualificada tecnicamente para realizar exames de DNA Forense; isso é motivo para procurar o apoio cientifico de quem dispõe de experiência e tem reconhecimento internacional nessa área.

O Secretario de Segurança Pública deve com urgência resolver esse problema, vindo a público asseverar que a Pericia Oficial, nesse quesito, não dispõe de expertise suficiente para garantir um exame seguro de DNA Forense.

Esse gesto seria um gesto nobre e de respeito às famílias de tantas vitimas da violência em Alagoas. A minha parte, como gestor público, eu cumpri em 2003, quando exerci o cargo de Secretario Executivo de Ciência e Tecnologia do Estado de Alagoas.

Nesse ato solene a Fapeal através do seu presidente, afirmou: “Na oportunidade, Gerado de Majella, que foi um dos pioneiros na busca de apoio ao projeto, expressou a sua satisfação em Alagoas dar esse passo inicial na busca por uma polícia que, equipada com ferramentas cientificas, esteja à altura de enfrentar o crime organizado e reduzir a criminalidade”.

Secretário Alfredo Gaspar de Mendonça, a ciência e a tecnologia são fundamentais no cotidiano da Secretaria de Segurança Pública. O improviso tem sido o caminho mais rápido e impõe derrotas aos gestores e agentes públicos da Segurança quando é levado a sério, como tem sido a marca histórica da Segurança Pública em Alagoas.

 

Cadê o Davi?

O Estado de Alagoas deve explicações à sociedade e à família do adolescente Davi Silva, de 17 anos, desaparecido desde o dia 25 de agosto de 2014, após ser abordado por uma viatura da Polícia Militar no bairro Benedito Bentes.

O caso tornou-se emblemático depois que a mãe do adolescente foi atingida por disparos de arma de fogo, classificados pela polícia alagoana como “balas perdidas”. Felizmente dona Maria José da Silva não morreu.

     O corpo encontrado no bairro da Serraria em Maceió pode ou não ser o de Davi Silva. Mas para tanto a Perícia Oficial terá de apresentar um laudo conclusivo.

            Esse tem sido um problema recorrente em Alagoas. Desde 1997, quando foi implantado o Laboratório de DNA Forense da Universidade Federal de Alagoas pelo professor doutor em Genética Molecular da Ufal, Luiz Antônio Ferreira da Silva, apresenta-se intramuros a resistência da Segurança Pública em firmar um convênio entre a SSP/Perícia Oficial/IML e o Laboratório de DNA Forense.

            O Laboratório tem prestado relevantes serviços à Polícia Federal e às polícias de vários estados, mas a segurança pública alagoana o desconhece, e a sociedade passa por esse tipo de constrangimento.

      A página da Perícia Oficial, ontem, dia 13/10, diz o seguinte: “Responsável pelo exame de DNA de comparação entre amostras recolhidas de um corpo encontrado no bairro da Serraria, em Maceió, com o material genético fornecido por Maria José da Silva, mãe de Davi da Silva, Rosana Coutinho explicou que a necessidade de um novo prazo foi decorrente das complicações na extração do DNA do corpo, que foi encontrado exposto a fatores ambientais adversos e em avançado estado de decomposição”. http://www.periciaoficial.al.gov.br/sala

Banco de Dados ajuda na busca de desaparecidos

      Desenvolvido e mantido pelo Laboratório de DNA Forense da Ufal, o Banco de Dados de Pessoas Desaparecidas é o único deste tipo no Brasil. Quando estiver sendo utilizado para o fim para o qual foi criado, o Banco vai ajudar pessoas não apenas de Alagoas e sim do Brasil inteiro – é o que garante o chefe do Laboratório, professor Luiz Antônio.

A utilização do Banco deveria ser feita por instituições como IML, ONGs, Delegacias e Conselhos Tutelares. Ao acessar a plataforma, o usuário efetua o cadastro da pessoa desaparecida e fica responsável por alimentá-lo com informações sobre o caso, “pois não temos como saber se a pessoa retornou ou não para casa, e isso acontece com muita frequência”, ressalta o coordenador do Laboratório. http://www.ufal.edu.br/noticias/2011/07/laboratorio-de-dna-forense-um-centro-de-referencia-no-brasil

 

            Diante do vexame público da Segurança e da recorrência desse tipo de fatos, seria razoável firmar um convênio com o Laboratório de DNA da Ufal e sair da areia movediça do corporativismo institucional, pois assim quem sabe não ocorreriam essas respostas típicas do improviso na Perícia Oficial e do resto no trabalho da Segurança Pública em Alagoas. É tão fácil e simples. Acontece que o simples em Alagoas torna-se quase impossível.

 

            A pergunta que continua a ser feita é: “Cadê o Davi?”.

Beto Leão, um artista múltiplo

Alberto Leão Maia (1949-2015), conhecido como Beto Leão, artista plástico, ator, diretor de arte, cineasta, compositor, cenógrafo, esse artista múltiplo nasceu em Quebrangulo – AL, no dia 4 de maio de 1949. Filho de Arani Tenório Maia e Maria Elizabete Leão Maia.

Iniciou os estudos na escola pública em sua cidade natal, e na adolescência inicia as leituras dos clássicos da literatura com o seu conterrâneo, Graciliano Ramos. A juventude em Maceió é o ponto inicial de sua participação nos movimentos culturais.

O temperamento agregador entrava em choque com o ambiente opressivo e de censura, resultando na constituição informal de um grupo de jovens artistas e intelectuais na Maceió do final da década de 1960 e início da década de 1970, que se reuniam em residências, na Praça Deodoro e no Teatro Deodoro para ler poesia, falar de cinema e teatro, compor músicas e participar dos festivais de poesias e canções organizados pelo Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

Esses grupos onde Beto Leão pontificava eram constituídos por gente como José Geraldo Marques, Isaac Bezerra, Lúcia Guiomar Teixeira, Carlos Vasconcelos, Everaldo Moreira, Leureny Barros, José Márcio Passos, Ângela Uchoa, Alex Barbosa, Juarez Gomes de Barros, Juarez Gomes de Barros, Ronaldo de Andrade, Maria Beatriz Sá Brandão, Homero Cavalcanti, Dario Bernardes, Maria Lídia Torres Bernardes e outros.

O epicentro da contracultura em Maceió foi a Praça Deodoro, o imponente Teatro Deodoro e o Teatro de Arena. Essa trupe, inicialmente liderada por Beto Leão, José Geraldo Marques e Lucia Guiomar, transpirava arte e irreverência como arma para enfrentar, à maneira deles, a opressão.

O encontro da trupe com a turma da Praça Deodoro, segundo me falou o poeta Marcos de Farias Costa, aconteceu naturalmente e, sobretudo, pelas afinidades intelectuais. Assim, dividiram o espaço físico e compartilharam ideias de contestação política, dos costumes e da censura; nutriam o gosto pelo cinema de arte, pela literatura e pela política em plena ditadura e na vigência do Ato Institucional nº 5 (AI-5).

A turma da Praça Deodoro, constituída por Gildo Marçal Brandão, Djalma Cahet, Marcelino Máximo Dantas da Silva, Henrique Rodrigues, Rui Sales Costa, César Rodrigues, Imanoel Caldas, Denis Bernardes, flertava com o marxismo quando os espaços políticos se fechavam. As discussões nos pequenos salões e nas sessões do Cine Arte passaram a ocupar boa parte do tempo desses jovens irrequietos e contestadores.      

Os festivais de música, poesia e o Festival de Verão de Marechal Deodoro eram um dos fatores mobilizadores da energia de Beto Leão e dos demais jovens. A música, a poesia e as artes plásticas no final da década de 1960 impulsionaram a sua carreira.       

A sua participação no cinema inicia-se profissionalmente ao ingressar na equipe do cineasta Cacá Diegues durante as filmagens de Joana Francesa (1971), quando contracena com Jeanne Moreau, “a diva do cinema francês”. Ainda trabalhou com Cacá Diegues no filme Xica da Silva (1976). Já com Nelson Pereira dos Santos trabalhou como cenógrafo em Tenda dos Milagres (1977) e A Ilha dos Escravos (2008), dirigido por Francisco Manso.

Na Rede Globo trabalhou na novela Lampião e Maria Bonita como ator, e na equipe de produção de Rabo de Saia e Renascer, bem como nas minisséries O Tempo e o Vento, Quarup e Os Homens que eu Tive.

Na extinta TV Manchete foi o diretor de arte das novelas Kananga do Japão, Amazonas e Helena. Em São Paulo, atuou no SBT, tendo realizado a cenografia das novelas Éramos Seis, As Pupilas do Senhor Reitor e Sangue do Meu Sangue.

A sua obra cinematográfica é pequena; são três filmes curta metragem em vídeo: Um Baile no Paraiso (2002), A Casa dos Santos Alagoanos (2002) e Jayme Miranda, Vida e Luta (2006).

A ideia do documentário enfocando aspectos da vida do jornalista e dirigente comunista Jayme Miranda, fui eu quem sugeriu a Beto Leão. A minha participação foi com a pesquisa histórica e o pré-roteiro, a finalização foi realizada pelo cineasta Pedro Rocha.

Entre outros trabalhos no teatro, o último, salvo engano, foi como diretor, cenógrafo, figurinista, iluminador e criador da trilha sonora do espetáculo Graciliano, um Brasileiro (2004), com Paulo Poeta e Chico de Assis, apresentado em Alagoas e em outros estados do Nordeste, e no Rio de Janeiro, no programa Alagoas de Corpo e Alma.

Em 1979, na Galeria Alternativa, em Maceió, ocorre a sua primeira individual, com curadoria de Juarez Gomes de Barros. Só volta realizar outra individual em 2014, intitulada Ofícios, na Galeria Fernando Lopes, no Centro Universitário Cesmac, com curadoria de Carol Gusmão e participação da professora e poeta Vera Romariz. A exposição foi uma retrospectiva da produção artística de Beto Leão, compreendendo o período de 1970 a 2014.

Nesse evento também ocorreu a noite de autógrafos do livro Inversão de Orfeu, escrito nos anos setenta, organizado pelo professor Antônio José Rodrigues Xavier e editado pela Uneal em parceria com o Cesmac.

A capacidade de criação e de realização transformou-o num artista múltiplo. Em 1971, em companhia de Solange Chalita Lages, realiza um dos mais ousados eventos daquela época, o Festival de Verão de Marechal Deodoro. A temática girava em torno da música, poesia e artes plásticas.

Após o festival de verão muda-se para o Rio de Janeiro, onde passa a morar e de onde se projeta nacionalmente. O seu regresso a Alagoas acontece décadas depois, quando é convidado e assume o cargo de secretário da Cultura de Alagoas, no governo Ronaldo Lessa, função que exerce por dois anos (1999 a 2000).

Beto Leão foi um artista múltiplo, o mais brilhante de sua geração. Numa das sua músicas disse, referindo-se a Maceió:  

“(...) Mas eu vou voltar pra passear no mar”.

Bom passeio, Beto.   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Assembleia concede comenda Lêdo Ivo

 

 

O pesquisador Francisco Reinaldo Amorim de Barros, autor do ABC das Alagoas - dicionário biobliográfico, histórico e geográfico de Alagoas recebeu, no último dia 28/08, a comenda Lêdo Ivo, da Assembleia Legislativa de Alagoas. O deputado Davi Davino Filho foi o autor da proposta legislativa.  

Francisco Reinaldo, professor aposentado da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, além do magistérios exerceu outras funções, como assessor do ministério da agricultura, do senado federal e também trabalhou na assessoria da Presidência da República na gestão de José Sarney.

Ao se aposentar deu inicio as pesquisas para escrever o ABC das Alagoas, a mais completa fonte de pesquisa já produzida sobre Alagoas em todos os tempos. O ABC das Alagoas desde que foi lançado em 2005, pela editora do Senado Federal, tornou-se numa obra de referência com informações sobre artistas, escritores, políticos, personalidades da vida pública – alagoanos ou com vínculo com Alagoas –, instituições, história e geografia.

A primeira edição teve mais de 6.000 verbetes e a segunda edição, em preparação, será lançada em novembro na Bienal do Livro de Alagoas, revista e ampliada, terá 10.000 verbetes.

 

        

Professor da UFAL denuncia ameaça da morte.

 

O professor Magno Francisco é um ex-militante do Movimento Estudantil da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), ativista social, articulador do Comitê Memória, Verdade e Justiça de Alagoas e primo do adolescente alagoano Davi da Silva, 17 anos, que se encontra desaparecido desde o dia 25 de agosto de 2014, após ser abordado por policiais da PM de Alagoas.

Magno Francisco, com a sua tia, mãe de Davi da Silva, tem feito uma ampla campanha por justiça e contra o extermínio da juventude pobre de Alagoas. Depois da repercussão do Caso Davi da Silva, o professor Magno Francisco recebeu ameaça de morte. Postou um vídeo na internet denunciando o fato.

É importante lembrar que Maria José, mãe de Davi, sofreu um atentando ao sair do trabalho, sendo atingida por um tiro na cabeça, noticiado como uma bala perdida, e felizmente sobreviveu.

Isso merece a atenção do governador Renan Filho, do secretário de Segurança Pública, Alfredo Gaspar de Mendonça, e do comandante da PM, coronel Lima Júnior. Essa denúncia feita pelo professor Magno Francisco precisa ser acompanhada pela área de Segurança e pela sociedade alagoana.

O que dona Maria José quer é a elucidação do crime e que o corpo do seu filho Davi Silva seja encontrado. Magno Francisco clama para que as autoridades da área de Segurança Pública mantenham-se atentas, passem a investigar o caso e localizem os autores das ameaças.

 

 

 

Abaixo a burguesia, viva o anarquismo

O militante anarquista mais conhecido em Alagoas é Nô Pedrosa. Nasceu em Santa Luzia do Norte (AL), há 75 anos, no dia 7 de setembro de 1940, e foi registrado com o nome de Walfredo Pedrosa de Amorim. Filho de Hermes Calheiros de Amorim e Lidia Pedrosa de Amorim. Por ironia do destino, nasceu no dia em que o Brasil comemora a Independência de Portugal.

        Nô Pedrosa pertence a uma família com tradição e militância política na esquerda alagoana. O irmão mais velho, o escritor e engenheiro Valter Pedrosa de Amorim, foi o primeiro que iniciou a militância política quando se filiou ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), na segunda metade da década de 1950. Nô e Waldir Pedrosa de Amorim seguiram o primogênito; dos quatro irmãos, três militaram no PCB.

        O que liga as famílias Calheiros-Amorim a Miranda são os irmãos Hermes, irmão de Hermé Calheiros, que por sua vez casou-se com Manoel Simplício de Miranda e constituíram uma prole com dez filhos, entre eles, os jornalistas Jayme e Nilson Amorim de Miranda, dirigentes do PCB em Alagoas.

        Os primos constituíram um núcleo destacado na estrutura do PCB nas décadas de 1950 e 1960. O ativismo do jovem Nô Pedrosa ajudou a formar vários núcleos de jovens militantes comunistas no movimento estudantil secundarista e universitário.

        O golpe civil-militar de 1964 levou os irmãos Jayme e Wilton Miranda, Nô e Valter Pedrosa para o cárcere, e outros irmãos e primos para a vida incerta na clandestinidade. Nilson, Anivaldo, Waldemir e Clístenes Miranda tiveram de sair de Alagoas e viver em outros estados clandestinamente.

        Nô Pedrosa ao sair da prisão continuou a militância política, voltou a estudar na Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e a sonhar com uma possível resistência armada, e dessa maneira derrotar a ditadura. O tempo passou, prisões voltaram a acontecer, líderes estudantis foram presos e submetidos a tortura em Alagoas e por todas as partes do país.

        A delegacia de Ordem Política e Social (Dops) anotou na ficha do Nô Pedrosa, após o golpe civil-militar de 1964, o seguinte: “participou de todos os movimentos grevistas nos sindicatos filiados ao CGT, em companhia do comunista Nilson Miranda e outros. Tomou parte ativa nos comícios programados pelo CGT. Desenvolve atividades comunistas no meio dos estudantes. Distribui literatura comunista e boletins subversivos. Preso no movimento revolucionário de 31 de março de 1964”.  

        A militância comunista se esvai, e Nô Pedrosa torna-se cada vez mais um anarquista em franca aliança com os demais grupos de militantes de esquerda. Não deixa de ser curiosa a sua atitude. O que não mudou entre uma fase e outra foi a capacidade de aglutinar jovens seguidores. Fez da porta da biblioteca pública estadual e dos corredores da Ufal o seu palco de proselitismo político-ideológico.       

Esse personagem é uma raridade em nossos tempos, despojado de qualquer apego a bens materiais. Para muitos é tido como louco; para outros, é um ser integrado à paisagem urbana de Maceió e umbilicalmente vinculado à Biblioteca Pública Estadual (BPE).

O fato de nunca ter vendido a sua força de trabalho a qualquer patrão o torna um ser livre das amarras da sociedade capitalista. Encantado com os livros, continua a viver como nasceu: livre. De uma coisa ele não pode ser acusado: de que não gosta de livros e de bibliotecas. Fez disso um sacerdócio. Digo isso consciente de que estou proferindo uma heresia, já que o incrédulo anarquista talvez não entenda que o seu modo de viver é um sacerdócio.

Vida longa ao camarada Nô Pedrosa.

Meus irmãos.

(*)Tibério Canuto Queiroz Portela

 

Meus irmãos.


Eu tenho muitos irmãos.Precisaria de um ábaco para contá--los.
Nunca ví o rosto desses meus irmãos e sequer sei seus nomes.
Mas sei de sua dor. Eles fogem dos horrores de uma guerra insana e ensandecida, milhares de vezes mais maldita do que a Rosa de Hiroshima.
Essa bomba não destruiu apenas duas cidades. Destruiu um país, a Síria, de uma arquitetura e cultura milenar. E espalhou meus irmãos sírios pelo mundo.
Como não verter lágrimas ao saber que meus irmãos estão se afogando nas águas do Mediterrâneo e sendo marcados como se fossem gados?

Mas eu tenho outros irmãos, além dos sírios.
Eles estão nos campos de refugiados de palestinos, no Norte e no Chifre da África, e no Afagenistão, claro.
Meus irmãos são espoliados por coiotes, afixiados em caminhões, verdadeiras câmeras de gás ambulantes, atravessam mares em barcos mais frágeis do que os de papel.
E meus irmãos sobreviventes - sim, há sempre alguém que sobreviva, assim como sobreviveram alguns judeus nos campos de concentração nazista - são recebidos por uma Europa dura e insensível, preconceituosa, intolerante e racista.
Meus irmãos são todos os que fogem da fome, da guerra, da intolerância religiosa, étnica, cultural e política.
No Dia do Irmão quero abraçar todos e gritar bem alto:
"Eu tenho tantos irmãos que não os posso contar. E uma irmã muito formosa chamada Fraternidade".

(*) Jornalista

Povos Indígenas

 

O livro Povos Indígenas, do professor pesquisador Dr. Jorge Vieira, retrata a realidade dos povos indígenas do Brasil, tendo como enfoque o ressurgimento e reivindicação da garantia dos direitos constitucionais das doze etnias no Estado de Alagoas nas últimas décadas.

Secularmente massacrados e espoliados de seus territórios desde o período colonial, em 1872, o então presidente da presidente da Província de Alagoas, Luiz Rômulo Perez Moreno publicou em relatório anual a extinção dos povos indígenas existentes, possibilitando como isso a transferência dos territórios indígenas para terceiros. Um século depois, no final da década de 1970, esses povos emergem no cenário estadual e nacional lutando por reconhecimento étnico e os direitos a assistência em saúde, educação e demarcação dos territórios.

No contexto das celebrações oficiais dos 500 anos do Brasil, é feito um balanço das políticas indigenistas implantadas pelos governos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sustando o debate teórico sobre a esquerda e as diferenças étnicas.

Destacam-se nesse processo o papel das lideranças indígenas que se dedicaram ao apoio e à defesa dos direitos indígenas, a exemplo do cacique Genésio Miranda Geripankó e do pajé Antônio Celestino Xucuru-Kariri, como também das lideranças (in memorian) Maninha Xucuru-Kariri e Gecivaldo Xucuru-Kariri. Além dos sujeitos indígenas, registra-se o papel dos aliados, a exemplo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Conselho Indigenista Missionário (CIMI), bispos, padres e professores universitários.

Na oportunidade serão homenageados o cacique Genésio Miranda Geripankó e o pajé Antônio Celestino Xucuru-Kariri pela luta em defesa dos direitos indígenas, além do jornal O Semeador da arquidiocese de Maceió, por seu centenário e publicação das lutas indígenas.

O lançamento ocorrerá no dia 11 de setembro de 2015, às 9h, em Sessão Pública proposta pelo deputado estadual Ronaldo Medeiros (PT), no Plenário da Assembleia Legislativa de Alagoas, com participação de autoridades civis e religiosas, lideranças indígenas e população alagoana.

O dia em que Deus criou Alagoas

 

Escrevi certa vez que Deus, além de brasileiro, era alagoano. 
Em verdade, não se cria um estado com tanta beleza, sem cumplicidade. 
Sou capaz de imaginar o dia da criação de Alagoas. 
Ô São Pedro, pegue o estoque de azul mais puro e coloque dentro das manhãs encarnadas de sol; faça do mar um espelho do céu povilhado de jangadas brancas; que ao entardecer sangre o horizonte; que aquelas lagoas que estávamos guardando para uso particular, coloque-as neste paraíso. 
E tem mais, São Pedro: dê a esse estado um cheiro sensual de melaço e cubra os seus campos com o verde dos canaviais. 
As praias... Ora, as praias deverão ser fascinantementes belas, sob a vigilância de ativos e fies coqueirais. 
Faça piscinas naturais dentro do mar; coloque um povo hospitaleiro e bom; 
e que a terra seja fértil e a comida típica melhor que o nosso maná. 
Dê o nome de Alagoas e a capital pela ciganice e beleza de suas noites, 
deverá chamar-se Maceió e a padroeira; 
Nossa Senhora dos Prazeres.

Noaldo Dantas

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