Filipe Valões

Tá na hora do auxílio-emergencial dos informais e ambulantes do turismo alagoano

  • 09/04/2021 14:00
  • Filipe Valões

O turismo em Alagoas é base de nossa economia, mas essa base tem sido atingida severamente pela pandemia do coronavírus. E se empresários e outros integrantes do trade turístico sofrem com isso, o que dizer de quem atua na informalidade?

Os trabalhadores informais em Alagoas jamais tiveram diminuição em seus números. A cada ano, mais e mais pessoas foram obrigadas a buscar na informalidade o seu ganha-pão, diante de todos os problemas para entrar no mercado formal de trabalho. A luta nunca foi fácil, mas desde que a pandemia do coronavírus começou em 2020, esses batalhadores esbarraram em algo muito mais grave, o impedimento de circular e trabalhar nas ruas.

Um caso, em especial, carece de atenção especial por parte do poder público. Os ambulantes que atuam nas praias ou em outros locais que dependem dos turistas ou mesmo dos alagoanos aproveitando férias, estão em uma montanha-russa desde que o primeiro decreto estadual implantou restrições e distanciamento social. Totalmente destituídos de qualquer segurança financeira, eles se viram obrigados a ficar em casa, provisoriamente dependendo do auxílio emergencial. 

Eis que 2020 passou, o auxílio emergencial foi suspenso, mas a pandemia e as restrições continuam. Nos últimos 6 meses, foram várias idas e vindas das fases de quarentena, indo do amarelo ao vermelho, liberando e depois proibindo a atividade dos ambulantes onde eles deveriam estar batalhando pelo sustento. E o que Municípios e o Estado estão fazendo a respeito?

Claro que é preciso considerar o contexto geral, não há governo estadual ou municipal capaz de garantir plenamente uma renda que atenda os trabalhadores informais. É muita gente, em um cenário onde várias outras camadas da sociedade também precisam de suporte financeiro. Mas, se não é possível fazer tudo, que se faça um pouco, afinal, de grão em grão…

A nível federal, temos um deputado federal dos mais destacados, que já esteve à frente do Ministério do Turismo, com atuação reconhecidamente positiva para Alagoas. Marx Beltrão, conhecedor das realidades do setor, sabe o quanto os informais dependem do turismo e como essa relação é importante para a economia popular. Se antes da pandemia, era uma alternativa para minimizar as desigualdades, agora é uma tábua de salvação à qual muitos se agarram enquanto oram pela terra firme de um mundo pós-pandemia.

É preciso apelar ao deputado Marx, assim como aos demais representantes de Alagoas na Câmara Federal, para que algo seja feito por esses trabalhadores.

Aqui em âmbito estadual, uma possibilidade seria trazer os informais e ambulantes para um programa que acabou de começar com o pé direito. O Cartão CRIA, que cadastra e atende famílias em situação de vulnerabilidade, acrescenta uma fração importante ao principal programa de distribuição de renda do país, o Bolsa-Família. O governador Renan Filho e a recém-nomeada secretária de Desenvolvimento Social, Fabiana Pessoa, poderiam olhar com carinho a ideia de usar o programa do Cartão Cria e absorver a demanda dos informais e ambulantes.

Já em relação aos Municípios, os prefeitos e prefeitas precisam urgentemente reconhecer a presença e a necessidade das mulheres e homens que nos dias normais dependem apenas de si mesmos, nas praias e outros locais de movimentação para lutar pela sobrevivência. Mas que hoje merecem todo apoio do poder público que é, em sua essência, o poder autorizado pelo povo para servir ao povo.

A pandemia vai passar, todos estamos orando e fazendo nossa parte pra isso, mas até lá é preciso dar suporte a todos e, em especial, aos que mais precisam.

É isso aí Prefeitura! Táxi-lotação é alternativa nos tempos de hoje

  • 07/04/2021 14:08
  • Filipe Valões

Se existe uma frase que vale pra tudo nessa vida, é a popular “É conversando que a gente se entende”. A maior prova disso está no diálogo entre motoristas de taxi-lotação e a prefeitura de Maceió, diante das mudanças causadas pela pandemia.

Em um post recente, neste blog, tratamos dos desafios do distanciamento social enquanto a população tenta ganhar o sustento. É preciso parar, mas não podemos parar completamente. E pra isso, o transporte público e coletivo precisa se readequar. Mas, com seus próprios problemas de décadas, os ônibus não conseguem atender completamente a demanda da população. Enquanto isso, vários motoristas estão nas ruas, com seus veículos à disposição dos maceioenses, atuando como taxistas de lotação, infelizmente na clandestinidade.

Agora, o que era tratado como problema pode se transformar em uma solução. Em reunião convocada pelo prefeito de Maceió, JHC, o secretário de Governo Francisco Sales, o superintendente de Transportes e Trânsito, André Costa e o procurador-geral do Município, João Lobo, deram início ao tão aguardado diálogo com os representantes dos motoristas de taxis-lotação. Um passo adiante que aponta o reconhecimento, por parte do Município, de uma realidade conhecida pelo povo: esses transportadores não podem ser mais tratados como clandestinos, precisam ser aceitos como alternativos.

Na primeira reunião ficou estabelecido que um grupo de trabalho, composto pelo secretário de Governo, pelo superintendente da SMTT e pelo titular da PGM, vai analisar todos os ângulos dessa questão, agilizando a regulamentação da atividade em Maceió. Já é muito, simboliza um avanço que, de tão aguardado, parecia quase improvável.

Vamos torcer para que tudo transcorra da forma mais ágil possível e os maceioenses tenham essa alternativa totalmente regulamentada. E que os taxistas-lotação alcancem finalmente a tranquilidade de poder trabalhar sem a angústia de serem detidos a qualquer momento.

O mais importante nesse momento é que as duas partes, motoristas e Prefeitura, já estão fazendo o que antes não acontecia. Dialogar. 

Aprendendo com Jesus a enfrentar a pandemia

  • 01/04/2021 20:31
  • Filipe Valões

Todos os anos, ao final da Quaresma, católicos e evangélicos do Brasil celebravam a Sexta-Feira Santa e o Domingo de Páscoa com reuniões de família, missas e cultos, relembrando a Paixão, Crucificação e Ressurreição de Jesus Cristo. Uma manifestação de fé, religiosidade e esperança tão tradicional em nosso país, mas que agora, por conta da pandemia do Coronavírus, foi alterada pelo segundo ano consecutivo. Isso nos dá muito o que pensar.

A celebração, no sentido da reverência e da liturgia, continua. Temos igrejas e templos abertos, com capacidade reduzida. As famílias católicas fazem o tradicional almoço de sexta, com peixes e frutos do mar ou o almoço de domingo no caso dos evangélicos, mas sem reunir grandes quantidades de parentes. Quem acredita e segue o cristianismo medita, ora e reflete sobre o significado desta semana tão especial. Mas é impossível encararmos esse segundo ano de pandemia na Páscoa, sem considerar o que ocorre ao nosso redor.

O mundo está padecendo. Há medo, há conflito, há tristeza e há morte. Para muitos, há o sofrimento de torcer por um ente querido que adoece por conta do Covid-19. Para outros, a dor de perder um parente ou um amigo, sem se aproximar do leito de morte, sem a permissão de se despedir nem mesmo durante velório e sepultamento. A humanidade, dadas as proporções, passa por uma Via Crucis, um calvário coletivo, um martírio semelhante ao de Jesus Cristo. Mas, da mesma forma, existe a esperança de renovação, de superar o sofrimento.

Os textos bíblicos narram que ao terceiro dia Jesus ressuscitou, voltando dos mortos e indo ao encontro de seus discípulos. Independente de acreditar nesse dogma ou não, é preciso admitir que após a morte narrada, veio o renascimento não apenas de Cristo, mas de sua mensagem, de seus ideais. Maior prova disso é que vivemos em um mundo no qual, dois mil e vinte anos depois, estamos falando sobre Ele, grande parte do mundo segue seus ensinamentos e, o mais importante, sua história nos dá aquilo que mais precisamos para continuar seguindo em frente mesmo diante de tanto sofrimento… Esperança.

Não podemos desistir. A humanidade, tudo que construímos, tudo aquilo que ainda precisamos melhorar e aperfeiçoar, depende de hoje. Depende de acreditarmos, de escolher a iluminação de propósitos, de sentimentos e pensamentos, de sabermos que estamos juntos e não separados, que lutamos por nós, por quem amamos, mas também por quem nem mesmo conhecemos e, mais ainda, pelas gerações futuras que dependem de nós para ter um mundo onde possam viver bem.

A celebração de Páscoa acontece diferente, hoje, por causa da pandemia. Isso é um fato. Mas também é um fato que, mesmo em meio à maior crise global dos últimos 80 anos, CONTINUAMOS celebrando a Páscoa. A Paixão e Ressurreição de Jesus Cristo CONTINUA nos trazendo esperança. E queremos com todas as nossas forças, acreditar que no próximo ano teremos um almoço de Sexta-Feira Santa ou de Domingo de Páscoa sem restrições e sem medo.

Jamais esqueceremos quem se foi nessa pandemia. Assim como o nome e a história de Jesus Cristo nunca foram esquecidos. Vamos viver honrando seus nomes, fazendo nosso melhor por um mundo melhor.

Feliz Páscoa. O amor de Jesus Cristo esteja com todos nós.

Artistas de Marechal Deodoro organizam a Campanha Cultura Solidária

  • 31/03/2021 14:37
  • Filipe Valões

Marechal Deodoro é uma das mais representativas cidades de Alagoas, principalmente por sua história e tradição cultural. É literalmente um berço de artistas das mais variadas expressões, do artesanato ao folclore, da poesia à música. E agora, mesmo durante a grave crise da pandemia, os artistas deodorenses continuam fazendo sua parte.

Esse é outro aspecto bem próprio de quem é de Marechal Deodoro, a persistência e a coragem diante das dificuldades. Afinal, nunca foi fácil nem rentável produzir arte em Alagoas. Mas os deodorenses nunca desistiram e, hoje, lutam para manter vivas as suas manifestações culturais. 

Em uma iniciativa admirável, a Associação das Mulheres Rendeiras de Marechal Deodoro - AMUR, deu início a uma campanha de conscientização e mobilização, através da qual buscam a participação da população em geral para contribuir com a classe artística, que perdeu sua principal fonte de renda com as restrições de isolamento da pandemia do Coronavírus.

Batizada como “Campanha Cultura Solidária”, a ação tem o objetivo de arrecadar doações para os músicos, artesãos e fazedores de cultura deodorense, seja em dinheiro ou mantimentos. O poder público municipal também chegou junto, graças ao apoio da Secretaria Municipal de Cultura, sinalizando a contribuição da prefeitura de Marechal Deodoro.

Durante os próximos cinco dias, quem quiser ajudar pode contribuir através do Pix 09.095.033/0001-37 ou mantendo contato e informando sobre entrega de donativos.

E no domingo, dia 04, o encerramento da campanha terá uma Live com bandas e músicos deodorenses.

Os artistas e a prefeitura de Marechal Deodoro estão fazendo sua parte, agora é conosco, enquanto sociedade, fazermos a nossa parte. Cuidar de quem faz a arte em Alagoas, é manter viva a nossa cultura.

A república das baratas tontas

  • 30/03/2021 14:10
  • Filipe Valões

Em menos de uma semana, o governo federal fez mudanças em 6 ministérios, aparentemente por motivos diversos. O que seria um procedimento institucional normal, pode sinalizar algo incomum, mesmo em uma gestão marcada pela instabilidade. Seja atendendo pedidos de demissão, seja retirando quem discordou de Jair Bolsonaro, a presidência da República agiu em poucos dias como nunca fez antes. E uma saída em especial, do agora ex-ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, pode indicar mudanças ainda maiores nas próximas semanas.

A prioridade exigida pelo presidente Jair Bolsonaro aos seus subordinados não é nenhum segredo, ele quer concordância declarada, aquele tipo de situação onde não importa cumprir a atribuição e compromissos que competem a cada cargo, mas uma postura pública de apoio inquestionável, de curtir e compartilhar nas redes sociais aquilo que o presidente diz e defende. Agora, imagine só, um ministro ousar discordar ou divergir dele? 

E esse foi um dos motivos que levou o general Azevedo a ser retirado do cargo, de acordo com jornalistas que acompanham os bastidores do poder em Brasília. Ano passado, quando a pandemia se espalhou pelo Brasil e as primeiras recomendações de distanciamento social foram divulgadas, Bolsonaro manteve críticas duras contra esses cuidados e ao encontrar com o então ministro da Defesa Azevedo, estendeu a mão, ao que o general respondeu com o gesto de cumprimentar com o cotovelo. Se não foi o maior, foi o primeiro desencontro dos dois.

Desde então, outros episódios ocorreram, sempre revelando linhas de pensamento diferentes entre Jair e Fernando Azevedo. Agora, em se confirmando tudo que foi divulgado pela imprensa desde a saída de Azevedo do ministério da Defesa, a coisa foi além das divergências, alcançou um nível preocupante e que envolve toda a nação.

Por conta da insatisfação de grande parte da população, da postura da oposição ao presidente Bolsonaro, do cabo de guerra entre a presidência e vários governadores de estados, até mesmo pelo retorno de Luís Inácio Lula da Silva ao jogo político, Jair Bolsonaro tem se sentido pressionado. E, ao invés de tentar apaziguar os ânimos, teria partido pro acirramento. A possibilidade do governo Federal decretar Estado de Sítio se espalhou entre rumores e boatos.

Se onde há fumaça há fogo, de acordo com o ditado popular, alguma verdade existe nesse boato. A maior prova disso é que o general Fernando Azevedo e Silva teria entregue o comando do Ministério da Defesa por não aceitar a ideia de que o governo Federal instaurasse um estado de exceção, ainda mais em meio à uma pandemia.

Se um militar do mais alto comando rejeita a ideia de impor restrições desse porte à população e conferir ao presidente um aumento desproporcional em seus poderes, fica claro que estamos diante de um cenário indesejado por qualquer pessoa sensata.

E, enquanto, esse texto estava sendo redigido, os meios de comunicação informavam sobre a saída de TODOS os chefes das Forças Armadas do Brasil. Um evento sem precedentes na história recente da República.

A impressão que temos é de estarmos sem rumo, sem planejamento, sem a estabilidade necessária em dias normais e ainda mais indispensável em meio à maior crise global dos últimos 80 anos. Se nós estamos desorientados, é reflexo de um governo federal que tem agido com a organização e planejamento de um punhado de baratas tontas. Parafraseando o que os próprios bolsonaristas bradam, hoje só podemos dizer “Brasil precisando de tudo. Deus, tenha piedade de nós”.

Se toda vítima do coronavírus tem nome, cadê o CPF?

  • 25/03/2021 18:28
  • Filipe Valões

A matemática é a linguagem de Deus. Essa frase costuma ser atribuída ao cientista Galileu Galilei, embora não exista comprovação disso em seus trabalhos. Ainda assim, a afirmação se popularizou e, para aqueles que acreditam em um Criador do universo, faz sentido. Números representam a verdade, estabelecem confiança e segurança, desde que o ser humano os utilize corretamente.

E são os números que estão no centro da mais recente polêmica envolvendo o governo federal e a pandemia do Coronavírus no Brasil. O novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, acaba se de ser empossado e já teve sua primeira turbulência, ao aprovar e logo depois desaprovar, a exigência do registro na certidão de óbito de vítimas do Covid-19 daquele que é o nosso “nome” em forma de números, o CPF.

Pra entender a celeuma, não podemos ignorar outros números, os da contagem de mortos pela pandemia que já desestabiliza o mundo inteiro há mais de um ano. Essa semana, a informação assustadora é de que mais de 310 mil brasileiros já morreram em decorrência de complicações causadas pelo vírus. Uma marca tão angustiante pelos que se foram, quanto pelo questionamento “e quantos mais ainda vão morrer?”, já que não vemos perspectiva de melhoria nessa guerra.

O governo federal tem sido duramente criticado, por conta de suas ações (ou falta de…), além de uma sucessão de posicionamentos e decisões contrárias às recomendações de isolamento, distanciamento, cuidados pessoais e até mesmo dos métodos que a maioria dos médicos seguem. Portanto, a crescente quantidade de internamentos e mortes cai na conta do presidente Bolsonaro, figura central e simbólica do negacionismo de milhares que tropeçam em suas próprias contradições, como o próprio Jair (que já se mostrou antivacina e antivacinação, mas postou foto informando que sua mãe recebeu a vacina), incentivando comportamentos que só pioram a situação que enfrentamos.

Eis que o novo ministro da saúde estabeleceu uma mudança na forma como os estados e municípios informam a quantidade de mortos pela pandemia. No relatório, ele exigiu a inclusão do CPF das vítimas. E a reação dos responsáveis não foi nada boa…

De acordo com secretários de saúde estaduais e municipais, isso criaria uma complicação por dois motivos, a falta de um campo onde se informaria o CPF e o próprio ato de ocupar funcionários da saúde com a coleta/inserção deste novo dado. “NOVO”?

Me corrijam se eu estiver errado, mas a única forma de uma certidão de óbito não ter um CPF é se o finado for indigente, confere? E, embora certamente existam casos de indigentes vitimados pelo Coronavírus, não é concebível que a maioria das mais de 300 mil pessoas que morreram não tenham seu CPF consigo ou ao menos informado por familiares, no local de atendimento onde a morte ocorreu.

Há mais de um ano de pandemia, não tínhamos esse dado tão indispensável sendo fornecido pelos Estados e Municípios ao Ministério da Saúde, dado esse que é composto pelos números do CPF, junto com os relatórios que basicamente passavam… NÚMEROS? Dizer que determinada quantidade de óbitos pelo Covid-19 aconteceu em um dia, sem comprovar nome e CPF de cada vítima, é aceitável?

Nessa equação, entrou também outro número, o dos opositores de Bolsonaro. Imediatamente, nas redes sociais, surgiram acusações de que exigir o CPF, agora, criaria atrasos na atualização dos números de óbitos, o que serviria para criar uma noção errada de redução dos casos. Os responsáveis à níveis estadual e municipal também se queixaram, alegando dificuldades para conseguir CPFs, em meio ao caos da superlotação de hospitais e postos, além de uma aparentemente custosa readequação dos formulários.

O resultado dessa conta é que o ministro revogou a decisão, deixando de lado a exigência do CPF nos relatórios diários de mortes. Mas, sejamos sinceros, deixemos de lado ideologias, por um momento apenas vamos encarar a realidade sem a necessidade de estar na torcida bolsonarista ou na antibolsonarista… A quem interessa não informar o CPF de quem morreu vítima da pandemia?

Sabemos que a corrupção existe, não sumiu diante do Coronavírus, pelo contrário. Vários casos revoltantes de fraudes e desvios, roubos que tiram de muitas pessoas a chance de sobrevivência, ocorreram e estão ocorrendo. Quanto mais garantias e fiscalização, menos golpes acontecerão. E a principal exigência é ter a documentação clara, o registro sem falhas, de todos os números da pandemia.

Números não mentem, pessoas sim. E se existe o risco de vermos os esforços comprometidos pela possibilidade de mentiras por parte de pessoas desonestas, como rejeitar uma forma de garantir a verdade?

Cada morte, como tem sido dito, é mais do que um número. Mas também é verdade que, se cada vítima tem nome, também tem CPF.

O curioso caso de Marx Beltrão

  • 24/03/2021 14:01
  • Filipe Valões
A vida imita a arte?

O título acima é uma clara referência ao filme O Curioso Caso de Benjamin Button, ficção estrelada por Brad Pitt (baseada no conto escrito por F. Scott Fitzgerald em 1921), onde vemos uma história surreal, na qual um bebê nasce idoso e vai se tornando jovem até o final de sua vida. Alguém que vem ao mundo já com a vantagem de assumir controle e domínio de si, mas vai perdendo tudo para a própria incapacidade. E o que isso teria a ver com o deputado federal por Alagoas, Marx Beltrão?

Existe uma analogia surpreendente entre as duas histórias. Marx nasceu em uma família de posses, com domínio sobre a política em uma vasta região de Alagoas, no litoral sul. O sobrenome Beltrão já tinha peso e influência graças a seu pai, João Beltrão, quando o seu segundo filho veio ao mundo. E foi ele, Marx, quem melhor soube usufruir dos privilégios e do potencial do clã.

E é aí que vemos mais paralelos entre a ficção e a realidade. A trajetória política de Marx começou excelente, continuou promissora e, agora, está escapando de suas mãos. O potencial gigantesco herdado pelo sobrenome Beltrão, aparenta estar a ponto de desabar, em meio à uma sucessão de erros e decisões do parlamentar alagoano.

Não é segredo para quem acompanha os bastidores da política alagoana. Aliados, parentes e apoiadores estão se distanciando (ou mesmo sendo afastados) de Marx Beltrão, até então conhecido pela sua capacidade de articulação, de consolidar alianças e de somar forças. Hoje, pessoas próximas começam a temer pelo futuro de alguém que parecia seguir uma rota segura rumo aos postos mais altos da política em Alagoas.

E Marx não é estranho aos cargos mais elevados, afinal, já foi ministro do turismo durante dois anos no governo Michel Temer, nem às atuações de relevância nacional, como o momento em que conseguiu classificar vários municípios de Alagoas no processo de certificação junto ao ministério do turismo, sem falar no montante de verbas federais destinadas ao Estado, cerca de 1 bilhão de reais.

Como explicar então a desordem em sua própria cozinha política, descrita por aqueles que até pouco tempo estavam ao seu redor? O que fez Marx tomar decisões tão controversas a ponto de um amigo de longa data ter não apenas rompido laços com ele, mas também se desfiliar do partido em que ambos atuam?

De acordo com pessoas próximas, esse amigo é o articulador político Messias Lino, um dos fundadores do PSD em Alagoas que abdicou também do cargo de secretário-geral do partido, alegando profunda insatisfação com Beltrão. Falta de comunicação, até mesmo a famosa “geladeira” diante de repetidas tentativas de manter o diálogo, teriam levado Messias ao limite da amizade e do compromisso político, ao ponto de não haver mais chance alguma de conciliação.

Outros aliados não escondem sua insatisfação diante das escolhas inesperadas de Marx. Entre eles, o primo Yvan Beltrão, deputado estadual que esteve ao seu lado praticamente durante toda trajetória política e que foi surpreendido com o apoio do primo a dois outros pré-candidatos à Assembleia Legislativa em 2022. Yvan contava com o apoio irrestrito de Marx, na disputada eleição para deputado estadual, porém viu o rateio desse apoio com duas outras pessoas, na região sul.

E mesmo as relações com as quais Marx ainda mantém certa estabilidade, aparentam estremecimentos. Jorge Galvão, que foi eleito prefeito de Jundiá com apoio de Beltrão e enquanto estava filiado ao PSD, saiu do partido e migrou pro gigante MDB, uma atitude impensável em outras épocas. João Lessa, que foi indicado por Marx para assumir a SEADES e depois a SEAGRI, tem andado cismado com a possibilidade de ver Maykon Beltrão receber como presente de consolação o cargo de secretário estadual de agricultura, após a derrota sofrida nas urnas em 2020 para prefeito de Coruripe.

Pra completar o cenário, existe ainda o racha dividindo a própria família Beltrão. De um lado Marx e do outro seus primos, os irmãos Marcius e Marcelo. Desde o falecimento de João Beltrão, em 2019, deixou de existir uma voz de comando capaz de manter a todos unidos, direcionados, mesmo com suas diferenças pessoais. 

Tudo isso cria um cenário de risco para Marx Beltrão. O jovem político de 42 anos, que traz em seu currículo mandatos de prefeito de Coruripe, ministro do turismo, deputado federal e a responsabilidade de manter vivo o legado político da família Beltrão, que já foi até mesmo cotado para disputar a cadeira de governador de Alagoas, pode estar a poucas decisões de botar tudo a perder. E o mandato que possui hoje também está em perigo, afinal, a reeleição depende muito dos aliados ou da ausência deles.

Se existe alguma esperança para recolocar a carreira política de Marx Beltrão de volta aos trilhos, talvez esteja naquilo que o próprio deputado deixou de usar. O bom senso e a capacidade de articular, criando pontes ao invés de queimá-las. Do contrário, igual ao personagem do filme, vai encerrar a vida igual à uma criança, sem controle algum sobre tudo que um dia possuiu, logo ao nascer...

Chegou a hora de liberar os “táxis-lotação” em Maceió

  • 22/03/2021 13:35
  • Filipe Valões

Situações extremas, medidas extremas. Em plena pandemia do coronavírus, sob restrições do decreto que colocou Alagoas na fase vermelha, os maceioenses precisam trabalhar e, pra isso, enfrentar diariamente ônibus lotados. A solução ou paliativo pode estar em nossas ruas há um bom tempo, na forma do transporte ainda tido como clandestino, o popular “taxi-lotação”, que divide opiniões.

Mas, agora, não podemos nos dar ao luxo de discussões cheias de nuances. Se antes era possível debater opiniões, considerar as implicações decorrentes de liberar um segmento inteiro de concorrentes diretos das empresas que prestam serviços de transporte coletivo, agora não tem mais jeito.

A frota de ônibus que atende as linhas urbanas da capital nunca foi suficiente. Tanto é que o número de motoristas fazendo lotação com seus veículos particulares ou até mesmo táxis legalizados só aumenta. Se não houvesse demanda da população, obviamente não veríamos tantos clandestinos nas ruas, nos principais pontos de movimentação de Maceió.

As sucessivas e recorrentes operações feitas pela prefeitura, através da SMTT, nunca conseguiram extinguir esse setor informal, apesar de causarem perdas significativas nos bolsos dos motoristas pegos em flagrantes, com multas e taxas pesadas para liberação de seus veículos.

Não é possível ignorar que a existência e a continuidade da atuação desses motoristas é decorrente da insatisfação da população com o transporte público ofertado. Portanto, eles não são e nunca foram um problema. Apenas nunca tiveram força ou reconhecimento suficientes para alcançar voz ativa na discussão que se manteve apenas entre Prefeitura e empresários do transporte coletivo.

Como tudo mais, desde o início da pandemia do coronavírus, isso também precisa ser revisto sob outra ótica. O problema agora é outro, o que antes era transtorno e insatisfação com ônibus cheio, tornou-se uma ameaça das mais graves, com os coletivos promovendo a aglomeração que é condenada em todos os outros setores da sociedade.

Não há perspectiva nem proposta concreta apontando para a ampliação da frota de ônibus em Maceió. Não é possível manter os trabalhadores em casa. Não há como impedir que os motoristas de taxi-lotação ofertem uma alternativa aos passageiros. A solução é óbvia, doa a quem doer.

A prefeitura de Maceió precisa admitir que existe toda uma “frota” já em atividade paralela, que pode contribuir com a redução de aglomerações nos ônibus, além de criar por si só uma movimentação na geração de renda, tão necessária nessa crise que enfrentamos.

E, convenhamos, já passou da hora de acabar com um tipo de perseguição que trata trabalhadores honestos como se fossem criminosos.

Vidas precisam ser preservadas, a economia precisa ser mantida, o transporte não pode parar. Simples assim. Agora é com o prefeito JHC, resolver um problema novo com uma solução antiga.

Guilherme Boulos esqueceu o exemplo de Lula

  • 20/03/2021 18:01
  • Filipe Valões

O equilíbrio talvez seja o elemento mais escasso, nesses tempos caóticos em que vivemos. Tudo está pendendo pra um lado ou pro outro, enquanto qualquer fiapo de estabilidade fica cada vez mais distante. Uma visita recente a Maceió, de uma figura cada vez mais proeminente no cenário político brasileiro, confirmou essa tendência de termos políticos capazes de arrastar multidões enquanto apontam erros, sem ter exatamente muitas propostas concretas.

Guilherme Boulos, visto e tratado por seus apoiadores como um Lula 2.0, fez um tour pela capital alagoana jogando pra galera e batendo em problemas, pessoas e ideias que já possuem naturalmente a rejeição de parte da população. Até aí, nada demais. Assim como seus ídolos inspiradores dos partidos de esquerda, Boulos se dedica às questões sociais, joga luz sobre mazelas crônicas que apenas a parte mais humilde enfrenta desde que o mundo é mundo. Seria algo a não receber questionamentos, exceto…

A cartilha acaba sendo a mesma também no campo das soluções. Declarar guerra à quem o povo já rejeitou, é fácil. Bradar indignação contra o sofrimento de parte considerável da população, é tranquilo. Conclamar os revoltosos para conseguir apoiadores e, consequentemente, eleitores, é esperteza.

No popular, "FALAR, ATÉ PAPAGAIO FALA, QUERO VER É ESCREVER!", poderia ser dito sobre essa velha ladainha.

Guilherme Boulos tem carisma, fala a linguagem das novas gerações, dá a cara à tapa em situações que beiram guerrilhas urbanas, se diz comprometido com o povo. Mas, além da retórica, do imediatismo do embate DIREITA vs ESQUERDA, será que existe um conteúdo válido em suas propostas, com soluções e respostas factíveis?

No cenário atual, em que o bolsonarismo faz questão de assumir um antagonismo ferrenho à qualquer pensamento remotamente de esquerda, claro que é sedutor e instigante para petistas, esquerdistas e outros simpatizantes, ver alguém se colocando como batedor de uma resistência que vive se estranhando. É um Boulos que tem chances de liderar e unificar. Mas deixando de lado a empolgante sensação de ser Davi peitando um Golias, de inverter os papéis de Star Wars - O Império Contra-Ataca e fazer um Os Rebeldes Contra-Atacam versão brasileira, Boulos teria a sobriedade para penssr em todos os outros atores do nosso drama nacional não-fictício?

A maioria dos brasileiros não é rica. Passa perrengues. Vive na batalha diária. Precisa, sim, de programas de distribuição de renda federais, de políticas públicas eficientes. Mas pra um líder, é preciso considerar também as classes de maior poder aquisitivo. Empreendedores, empresários, aqueles que estão no comando da geração de emprego e renda, gostemos disso ou não.

E Guilherme Boulos, talvez por sua juventude, ainda alimenta ou ao menos parece alimentar uma ilusão que pode governar apenas para o povo, como se fosse um tipo de gestor de assistência social. Liderar um movimento tão plural quanto ideológico como é o esquerdismo em todas as suas faces, é mais do que iludir ou se iludir usando a ideia rasa de que basta "peitar os poderosos" ou garantir programas de reparação social.

Afinal, o maior exemplo é o Boulos 1.0, Luís Inacio Lula da Silva. De 1989 até 2002, Lula foi do discurso inflamado e anti-establishment ao Lulinha Paz-e-Amor, ganhando sua primeira eleição presidencial dando às mãos aos industriais, mega empresários e políticos tradicionais, moderados.

Também parece ignorar que, se o povão obteve muitas melhorias em seu poder aquisitivo nos dois mandatos de Lula, os bancos tiveram uma fase dourada, lucrando bilhões no mesmo período.

Guilherme Boulos, o novo Lula, dessa nova geração, precisa entender que nem pra lá, nem pra cá. O melhor para um líder é caminhar acenando pra direita e pra esquerda, sem pender para os lados.

Lula já começou a dar um jeito em Bolsonaro?

  • 16/03/2021 18:59
  • Filipe Valões

É inegável o impacto do retorno de Luís Inácio Lula da Silva nas ações de Jair Bolsonaro. Em poucos dias vimos e ouvimos decisões do atual presidente que, até pouco tempo, seriam improváveis da parte dele. Se Lula e todos que o cercam na política foram essenciais para o discurso de Bolsonaro em 2018, validando a proposta de retirar o grupo político do poder, agora a situação se inverteu de forma surreal: é a volta de Lula ao jogo político que está direcionando pensamentos e atitudes de Bolsonaro.

Claro, a aparência superficial desse momento é de que a reação de Jair, de seus aliados e de seus eleitores à recuperação dos direitos políticos do petista se resumem ao antagonismo às propostas ideológicas “do outro lado”, mas chega a ser cômico  quando olhamos com mais atenção e vemos um nível quase religioso na revolta, eles enxergam nos seus oponentes figuras equivalentes ao demônio, o que talvez explique tudo que ocorreu nessa última semana.

Bolsonaro defendendo ações de isolamento social, vacinação, até mesmo usando máscara! Os bolsonaristas que se apoiavam no negacionismo de Jair para encontrar o que consideravam coragem, até mesmo hostilizando quem aderiu aos protocolos acima, agora estão desorientados, sem saber exatamente o que fazer. É pra fazer isolamento social ou não? Admitir que a vacina é necessária ou não? COLOCAR AQUELA MÁSCARA QUE O PRESIDENTE DESDENHAVA OU NÃO?

O presidente ficou tão, mas tão atordoado pelo retorno de seu arqui-inimigo que esqueceu dos compromisso assumidos com seus apoiadores. Só falta rejeitar a cloroquina. Enquanto isso não acontece, ele está ocupado com outra situação, claramente influenciada também pelo fantasma da eleição futura, usando camisa vermelha, com barba grisalha e a língua presa. A pancada foi tão forte que Bolsonaro trocou o ministro da saúde. Sim, ele, Pazuello, o militar cujo currículo destaca algum conhecimento em logística, mas que fez tudo, MENOS, exercer um controle logístico do ministério mais visado nessa crise. O presidente em momento algum, antes da decisão que deixou Lula livre das acusações, cogitou retirar Pazuello do cargo. Eis que de repente…

A primeira cotada, para o ministério, a cardiologista Ludhmilla Hajjar, declinou o convite alegando divergências entre o que acredita e o que o governo tem feito e pretende continuar fazendo contra o coronavírus. O novo ministro, Marcelo Queiroga, também cardiologista, assume com um discurso bem ao gosto de Bolsonaro, de que vai fazer o que seu mestre mandar.

Portanto, o que aparenta ser algo digno de riso, ver Jair Bolsonaro apavorado com Luís Inácio, contradizendo a si mesmo em atitudes e palavras, também mexendo no Ministério da Saúde no que está sendo um avanço sem precedentes do covid-19 no Brasil, na verdade é motivo de lágrimas para todos os brasileiros.

O homem responsável pelos destinos da nação não se comove com as mortes, como já deixou bem claro, nem sente a necessidade de agir com urgência e emergência contra o inimigo verdadeiro da população, o coronavírus. Mas se sente desesperado, toma decisões e faz mudanças contra seu “inimigo” pessoal, meramente temendo uma possível perda de poder, a não reeleição em 2022.

Os mais otimistas e menos envolvidos na polarização direita-esquerda poderiam até dizer que a presença de Lula teria um efeito positivo, de empurrar Bolsonaro, forçando-o a finalmente agir melhor, pra ganhar qualquer que seja essa disputa por popularidade que existe em sua cabeça. Mas é otimismo demais em um momento da maior gravidade.

A verdade é que, enquanto estamos lutando contra a pandemia, o homem que muitos brasileiros elegeram em 2018 está em outra luta, contra seu concorrente ao cargo na próxima eleição. Estamos por conta própria.

Quer sair? Saia da fila da UTI!

  • 12/03/2021 18:33
  • Filipe Valões

Por toda parte, vemos apelos, frases de efeito, campanhas oficiais e iniciativas pessoais tentando levar a mensagem mais divulgada nos últimos doze meses: precisamos vencer a pandemia. Em alguns momentos, quase pensamos que já foi dito tudo, que essa conversa já saturou nossa paciência, vamos falar de outra coisa…

Mas a cada atualização diária do boletim nacional e dos estaduais, somos lembrados de que, se o covid-19 não dá trégua em seu avanço, nenhum de nós pode baixar a guarda ou deixar de reproduzir as orientações e apelos.

A menos que seja realmente necessário, evite sair de casa.
Entenda que não é mais possível cuidar apenas de si mesmo, essa doença é coletiva.

Não se torne paranóico, mas esteja atento a cada minuto.

Use seu poder de comunicação, pessoalmente ou pela internet, apenas para compartilhar a verdade, ajudando a combater as fake news.

Acredite que vamos superar todo esse sofrimento, se cada um fizer sua parte hoje.

Tudo que está escrito acima não é mais novidade. Você pode até dizer que leu apenas “mais do mesmo”. Ainda assim, enquanto não vencermos de uma vez por todas essa pandemia, não há vergonha em repetir e transmitir essa mensagem.

Vamos voltar a fazer o que gostamos, vamos voltar a sair. Pra isso, precisamos sair da mira do Coronavírus, sair da “fila” que segue para a UTI...

A necessidade do auxílio emergencial

  • 10/03/2021 18:28
  • Filipe Valões

O Auxílio Emergencial já ensaia seu tão aguardado retorno em 2021, mas, enquanto os deputados federais analisam e votam detalhes da PEC que vai redefinir valores e outros pontos, é preciso refletir sobre a inevitabilidade dos programas de transferência de renda no Brasil. Foi-se o tempo em que a parte privilegiada da população podia se dar ao luxo de criticar ou questionar a existência desses dispositivos de combate à desigualdade social.

Até pouco antes da pandemia se espalhar pelo planeta, o Brasil tinha apenas o Bolsa Família, nome criado pelo governo Lula para unificar os programas Bolsa Escola, Bolsa Alimentação e Auxílio-Gás, por sua vez criados pelo governo FHC. Essas iniciativas sempre foram ponto de divergência entre a própria população. Não entre quem precisa, mas entre aqueles que não utilizam e que se dividem entre os que defendem a destinação de verba pública para apoiar pessoas em condições de vulnerabilidade e os que consideram a concessão desse benefício um tipo de moeda de troca pelo voto, mantendo quem recebe tanto refém de políticos quanto “viciados” no auxílio governamental. Essa discussão acabou em 2020.

A desestabilização econômica e social gerada pelo Covid-19 fez com que se tornasse inquestionável não apenas o conceito do Bolsa Família, como sua ampliação na forma do Auxílio Emergencial. O isolamento social, as restrições ao comércio, aos empreendedores, aos trabalhadores informais em geral, literalmente suspenderam a batalha diária pelo ganha-pão dos brasileiros. Foi inevitável usar o dinheiro público alimentado pelos nossos impostos para minimizar os efeitos terríveis das quarentenas sobre o orçamento familiar e a própria economia de municípios e estados.

Claro, existe um fator que apela mais ao medo do que à empatia, para os governantes. A possibilidade de descontentamento social, capaz de gerar revoltas nas ruas, até mesmo saques, obviamente pesou na decisão do Governo Federal. Se nas últimas duas décadas tivemos episódios lamentáveis, onde pessoas comuns se aproveitaram de greves das polícias civil e militar para saquear comércios, não pode desespero ou fome, mas por conta da nossa precária moralidade humana tão dependente de figuras de autoridade para existir um mínimo de civilidade, imaginem o que passou na cabeça das mulheres e homens no comando da nação?

Depois de várias especulações e indefinições, tivemos o Auxílio Emergencial durante quase todo o ano de 2020, um paliativo que atendeu duas necessidades, a do povo e a do Governo. 2021 renovou a incerteza, nesses primeiros dois meses nos quais não se tinha ainda certeza de que haveria renovação do auxílio. Agora, somado a esse instrumento federal, vemos também esforços de Estados e Municípios para contribuir, ainda que timidamente, com essa contingência.

Em Alagoas, o governo estadual implantou o CRIA, que já começou a transferir R$ 100,00 para pessoas em situação vulnerável, um valor pequeno porém valioso, quando o cinto aperta. Somente quem já passou pela angústia de não ter em casa o suficiente para se alimentar, sabe o valor que qualquer quantia, por menor que seja, adquire. Nove outros Estados brasileiros implantaram suas versões de auxílio emergencial de pequeno porte. Até mesmo municípios se juntaram à tendência. Aqui em Alagoas, a prefeitura do Pilar já havia criado seu programa, o Bolsa Viva Bem com valor de R$ 100,00 há cerca de quatro anos, portanto estava bem à frente de uma luta que vemos hoje e era totalmente imprevisível.

Em última análise, a transferência de renda à população mostrou-se uma decisão acertada, muito antes de seu tempo. Ninguém acreditaria que uma situação como esta que vivemos hoje atingiria o mundo inteiro, tornando os mais carentes ainda mais vulneráveis e, mesmo as pessoas com certa estabilidade, passíveis de ajuda governamental.

Talvez seja esse o nosso problema. Tratar a transferência de renda como ajuda e não como um direito em casos excepcionais, afinal, o dinheiro que chega na forma de Bolsa Família ou Auxílio Emergencial na verdade é o imposto que trabalhadores, desempregados, empresários e moradores de rua pagam, quando compram até mesmo um pão, no dia a dia.

Lula livre ou Bolsonaro até 2026, os únicos caminhos do Brasil?

  • 09/03/2021 20:04
  • Filipe Valões

Qual caminho o Brasil deve seguir, em 2022? Parece cedo demais para essa pergunta, 2021 praticamente começou. Mas, sejamos sinceros, estamos sem rumo já faz alguns anos. Talvez desde 2013, quando sementes de descontentamento germinaram, sem gerar nenhum bom fruto.

O impeachment da então presidente Dilma Rousseff foi claramente articulado, conduzido e executado para atender aos interesses de uns poucos, porém apresentado à população como solução para a crise política e econômica que já se agravava. Não resolveu.

O curto e polêmico mandato de Michel Temer oscilou entre medidas impopulares junto à classe trabalhadora e decisões econômicas consideradas sóbrias, o que acabou sendo eclipsado pelas acusações sofridas pelo MDBista, além de sua prisão pouco depois da posse de seu sucessor. E falando nele…

Jair Bolsonaro talvez seja o símbolo maior do dilema enfrentado pelos brasileiros. Idolatrado como salvador da pátria por muitos, rejeitado sob a acusação de ser o problema da nação por muitos outros, o ex-capitão do Exército é tudo, menos uma figura conciliatória. E aí está nosso drama…

Tudo envolvendo a política no Brasil, nos últimos 7, 8 anos, tem polarizado opiniões. Em um nível cada vez mais perigoso. As figuras públicas mais proeminentes neste palco atraem pessoas que optaram por, na falta de termo melhor, ideologias impermeáveis. De um lado, uma parcela da esquerda condena (com razão) os aspectos intolerantes e hipócritas de uma parte da direita que, por sua vez, denuncia (com razão) os casos de corrupção que a esquerda se recusa sequer a ouvir, contra seus ídolos.

Lulistas, petistas, esquerdistas, não toleram acusações contra Luís Inácio.

Bolsonaristas, conservadores, direitistas, não admitem acusações contra Jair Messias.

A impressão que esse cenário cria é de que temos apenas dois caminhos hoje, em 2022 e nas próximas décadas.

Mas, o que realmente nos impede de escolher um terceiro caminho? Ou um quarto, um quinto…? Mais de 200 milhões de brasileiros. Entre os eleitores contabilizados pelo TSE na eleição presidencial de 2018, descontando os que votaram em Fernando Haddad e os que votaram em Jair Bolsonaro, tivemos abstenções, votos brancos e nulos suficientes para colocar um terceiro candidato à frente dos dois.

Existe uma polarização que se tornou regra, um equívoco absurdo, criando a ilusão de que só existem ELES e NÓS, cada lado se considerando justo, santificado, heróico e, principalmente, blindados contra críticas. Um maniqueísmo cativante, que tem um apelo pré-adolescente, mas que eles jamais irão admitir.

Enquanto isso, seguimos vendo o caos imperar, o abismo entre os dois lados crescer, ameaçando engolir todos nós. Agora, vemos o ex-presidente Lula ser dispensado das acusações que sofreu, reacendendo o fogo da estrela vermelha do PT para a eleição de 2022. Nas redes sociais, praticamente começou o embate entre bolsonaristas e petistas.

Teremos um acirramento dos ânimos, negação de realidade, idolatria e ódio na mesma medida, nas duas "torcidas" até o ano que vem. A coisa não parece que vai melhorar, infelizmente.

E você, que não é fã, nem devoto de Lula ou de Bolsonaro… vê apenas esses dois caminhos à sua frente? Ou vai escolher outra rota pro futuro do Brasil?

A riqueza oculta de Alagoas

  • 08/03/2021 19:53
  • Filipe Valões

Alagoas é rica. Essa afirmação pode parecer absurda, diante dos graves problemas sociais e econômicos que enfrentamos há séculos, mas se olharmos com atenção poderemos ver a nossa riqueza. Na tradição, na cultura, nos recursos naturais, na determinação de nosso povo. E na ação de quem traz o futuro para os dias de hoje, valorizando tudo que já temos.

Um dos melhores exemplos disso está em Água Branca, cidade sertaneja cercada por serras e morros, onde a beleza arquitetônica de sua igreja matriz contrasta com a história de sofrimento dos negros escravizados que trabalharam em sua construção. Em uma dessas elevações naturais encontramos os descendentes das mulheres e homens que fundaram o quilombo da Serra das Viúvas, uma comunidade que preserva sua história enquanto constrói uma outra, de avanço e desenvolvimento.

Serra das Viúvas

A principal atividade desses quilombolas sempre foi a agricultura de subsistência, embora também usassem fibras, palhas e cipós para o artesanato. Ao longo de décadas, de geração pra geração, mantiveram essas culturas como formas de sustento, até o momento em que uma abordagem nova foi trazida pelo poder público. Entrou em cena a EMATER, nos anos 1990, dando suporte, auxiliando e apoiando a comunidade da Serra das Viúvas. Teve início um processo de renovação e resgate que transformou a realidade das famílias quilombolas.

Começando pelo ponto mais importante e a partir do qual todas as conquistas vieram: o reconhecimento da condição quilombola. Os próprios moradores da Serra das Viúvas admitem que, para alguns deles, havia a rejeição ou pouca importância dada ao fato de serem descendentes de famílias do quilombo. Por outro lado, o poder público não investia ativamente nesse reconhecimento. Quando ocorreu o alinhamento de ideais, a conscientização de ambos, comunidade e autoridades, teve início um caminho sem volta.

Reassumir a identidade quilombola criou um alicerce sobre o qual a comunidade Serra das Viúvas passou a construir gradualmente uma estrutura admirável. A auto-estima recuperada fez com que as agricultoras e artesãs tivessem noção de seu valor, sua importância e potencial. Elas passaram a ter conhecimento de seus direitos enquanto quilombolas, o que abriu caminho para o acesso às políticas públicas que são suas por direito. 

Associação de Mulheres Artesães Quilombolas - Serra das Viúvas

Nessas três décadas nas quais a EMATER e outros órgãos do poder público atuam em parceria com as quilombolas, os avanços foram muitos. A criação da Associação das Mulheres Artesãs e Quilombolas da Serra das Viúvas, AMAQUI, trouxe estrutura organizacional. Os cursos e consultorias técnicas contribuíram tanto para o incremento da produção agrícola familiar, quanto para a preservação do meio ambiente. E, em relação ao artesanato, essas alagoanas foram muito além do que todos imaginavam. 

Seu trabalho, sua arte, foram reconhecidos em todo Brasil e até mesmo em outros países. Essa nova realidade trouxe para as quilombolas de Água Branca a valorização de seu artesanato, a participação em eventos nacionais e internacionais, o retorno financeiro de seus esforços e, acima de tudo, a autonomia tão desejada por essas mulheres.

Hoje, uma moradora da Serra das Viúvas decide sobre sua vida, suas lutas, seus caminhos. Graças à sua tradição, mas também à decisão de buscar o futuro, para melhorar sua realidade hoje.

Essa é a nossa verdadeira riqueza. São histórias como essa que nos fazem enxergar o quanto nossa Alagoas é rica.

Quem poderá nos salvar do "covidão"?

  • 05/03/2021 18:34
  • Filipe Valões

O que sempre foi um problema no transporte coletivo em Maceió, tornou-se um risco à vida, em tempos de pandemia. A cena é conhecida por todos: ônibus que deveriam transportar certa quantidade de passageiros, sentados e em pé, acabam levando quase três vezes mais pessoas. Antes, era um incômodo, hoje, é uma ameaça. Agora, nas ruas, o povo até arrumou apelido para o coletivo lotado: O COVIDÃO!

A solução não é fácil. De um lado, a população pede mais veículos nas linhas de ônibus, do outro os empresários apresentam suas razões para não aumentar. Mas o que era um cabo de guerra de décadas, muitas vezes negligenciado pelos gestores e parlamentares municipais, que deveriam tomar providências intermediando a situação, tornou-se uma prioridade, uma urgência que pode fazer a diferença no combate ao contágio do Covid-19.

Em seu mais recente decreto, o Governo do Estado implementou uma forma de tentar “distribuir” os usuários do transporte coletivo, ao menos os que trabalham, estabelecendo horários diferentes para abertura de lojas do Centro, shopping centers e lojas de ruas nos bairros. Toda ajuda é bem vinda, toda medida contribui. Ainda assim, é pouco, se considerarmos o outro problema de longa data, a quantidade insuficiente de ônibus para a população maceioense.

A prefeitura de Maceió, recentemente, conseguiu baixar o preço da passagem, o que agradou a maioria dos usuários. Afinal, todos querem pagar menos. Mas olhando para o problema maior, mais antigo e que agora adquire uma gravidade sem comparação. talvez fosse melhor que o Município tivesse deixado a passagem com o mesmo preço e exigido das empresas de ônibus o aumento da frota, para que assim fossem reduzidos o tempo de espera nos pontos e a quantidade de pessoas a cada viagem.

Baixar o preço atendeu um anseio aparentemente imediato, não podemos negar. Mas hoje, o que realmente importa, o que é prioridade e pode garantir que haja um futuro para muita gente, é evitar aglomerações, impedir que trabalhadores sem outra alternativa se vejam obrigados a encher os transportes coletivos, se espremendo nos ainda insuficientes ônibus de Maceió, na incerteza de estarem ao lado de alguém contaminado pelo Coronavírus.

É preciso pensar no povo, em quem faz a sociedade funcionar. Preço menor na passagem não vai salvar vidas, enquanto uma maior quantidade de ônibus com certeza vai reduzir a chance de contaminação, internamento e mortes.

Mas, quem poderá salvar os passageiros do COVIDÃO? O JHC Colorado!

Toque de recolher, uma bijuteria de gestor com eficácia zero

  • 04/03/2021 18:17
  • Filipe Valões

Períodos de apreensão e incertezas, como este pelo qual passamos por conta da pandemia, não permitem desperdício de tempo. É preciso tomar decisões, implementar ações e realizar o que é necessário para o bem comum. Por isso, tem chamado a atenção um tipo de medida que levanta o questionamento da população. Qual o benefício de decretar toque de recolher nas cidades, em parte da noite e durante a madrugada? 

Todos vimos a popularização da palavra inglesa LOCKDOWN, que em nossa própria língua basicamente seria a quarentena, uma forma de reduzir a circulação de pessoas nas ruas ao estritamente essencial. Sair de casa, apenas para compra de alimentação ou medicamentos, inclusive com a fiscalização das forças de segurança. Essa medida extrema acarreta o fechamento de tudo, exceto supermercados (ou mercadinhos, na ausência dos estabelecimentos de grande porte) e farmácias, o que serviria para quebrar a corrente de transmissão formada pela grande quantidade de pessoas nas ruas em dias normais.

Uma decisão que não interessa nem agrada a ninguém, mas que é tomada diante da possibilidade de algo muito pior, no caso, o aumento nos casos de disseminação do Covid-19. Na maioria das cidades que adotou a quarentena, houve redução na transmissão do vírus. Mas, com o inevitável relaxamento nas regras, a reabertura de comércio, a movimentação de pessoas nas vias públicas e aparente retorno à normalidade, também voltam o descuido, os exageros e os números de contágio, internamento e mortes voltam a aumentar.

Eis que, para não provocar a revolta de parte da sociedade, mesmo diante de segundas e terceiras ondas do Covid-19 e suas variantes, os governos substituíram a quarentena ou lockdown de fato, por uma medida que pode se mostrar tão inócua quanto um desperdício de tempo valioso: o toque de recolher durante noite e madrugada.

Analisando superficialmente, vemos logo de cara que a decisão não atinge nem mesmo o problema em si que deveria enfrentar. Impedir a circulação de pessoas só faz sentido quando, obviamente, temos muitas pessoas circulando. E não é o caso desses horários. Seria cômico, não fosse trágico, termos de argumentar que é totalmente desproporcional o número de pessoas se deslocando durante o dia em relação aos que saem de noite e, mais ainda, de madrugada.

Quem seria impedido, pelo toque de recolher? Pessoas que sairiam de noite para bares, restaurantes e outros locais de lazer. Pra isso, não há necessidade dessa medida, bastaria incluir novamente os estabelecimentos na lista de locais impedidos de abrir suas portas durante um determinado período, como tem sido feito pelos decretos estaduais e municipais.

É desanimador imaginar que o toque de recolher é meramente uma medida “de fachada”, algo que os gestores sabem de antemão não ter eficácia alguma, mas que servem ao propósito de mostrar serviço, demonstrar que alguma coisa está sendo feita. Mesmo que não sirva pra nada, na prática.

Ao menos da forma como estamos vendo, quarentena ou lockdown seria algo valioso, enquanto o toque de recolher não passa de uma mera bijuteria.

A decepção de Cláudia Raia e o camaleão que muda de Collor

  • 03/03/2021 18:29
  • Filipe Valões

Em uma entrevista veiculada na rádio Cultura FM de São Paulo (02/03), a atriz Claudia Raia trouxe à tona um período praticamente desconhecido pelas gerações atuais. Ao ser questionada sobre seu apoio ao então candidato à presidência Fernando Collor de Mello, na virada das décadas de 1980 e 1990, Raia reafirmou sua decepção, revolta e repúdio por ter acreditado no projeto do primeiro presidente escolhido pelo voto direto após a ditadura militar, assim como a maioria da classe artística da época. Claudia Raia representa bem mais do que os artistas, afinal, Collor recebeu apoio da esmagadora maioria dos eleitores em 1989.
 

Mas, como entender essa figura controversa que é Fernando Collor?
 

Na história recente de nossa República, poucos nomes políticos alcançaram tanta evidência ou geraram tamanha relação de amor e rejeição com o eleitorado do que o ex-presidente e atual senador por Alagoas, Fernando Collor de Mello. Desde seus primeiros passos na política como prefeito de Maceió, passando pelo destaque obtido como “caçador de marajás” enquanto governador de Alagoas, além de sua ascensão e queda na presidência da República no começo dos anos 1990, Collor conquistou eleitores que também eram admiradores e, na mesma medida, opositores e rejeição.

Passada a turbulência dos anos em que sofreu o impeachment e amargou a perda dos direitos políticos, ressurgiu surpreendendo a todo o país com a vitória na campanha para o senado em 2006, derrotando Ronaldo Lessa, sendo reeleito para o cargo de senador desde então. Fernando Collor adquiriu assim um status virtualmente paradoxal. Já esteve no céu e no inferno da política, foi adorado e aclamado por quase todas as camadas da sociedade, para logo a seguir acumular um nível de rejeição que atravessa gerações.

E, mesmo assim, está há quase 15 anos no poder novamente, mantendo entre a população uma parcela de eleitores que o consideram injustiçado por ter sido retirado da presidência em 1992, além de ter se reinventado ainda em um cenário contemporâneo: nas redes sociais conseguiu a façanha de alcançar engajamento e visibilidade com elementos inesperados para sua própria imagem, o humor e até mesmo o deboche. 

Compreendendo e explicando Collor, o político

Collor esteve ao lado de Lula, Dilma, Temer e agora Bolsonaro

Uns apontam seu carisma junto à população mais humilde como fator principal, com uma retórica forte, de linguagem acessível, apelando para um tipo de populismo “das antigas”, agindo diretamente no aspecto sentimental do eleitorado. Outros, ainda, atribuem ao legado político da família a sua desenvoltura no ambiente hostil e predatório no qual atua desde o final dos anos 1970. Talvez, a explicação seja uma soma desses dois fatores e, ao mesmo tempo, um aspecto mais pessoal do próprio senador…

Rico, abastado, nascido e criado em berço de ouro, Collor ainda assim consegue falar com o povo de uma forma que gera empatia, proximidade, até mesmo carinho. Declara determinada postura política, mas, seja nos últimos anos da ditadura, seja na redemocratização, nunca se opôs a nada nem ninguém realmente, nem estabeleceu compromisso absoluto com quem quer que seja, além de si mesmo. Em sua fase pós-impeachment, esteve ao lado de Lula, de Dilma, de Michel Temer e, agora, de Jair Bolsonaro, embora já tenha feito críticas, até mesmo se opondo a cada um deles quando lhe foi conveniente.

Fernando Collor de Mello é um camaleão. E se um camaleão muda de cor, podemos dizer que Fernando muda de Collor, para sobreviver politicamente, atingindo seus objetivos, mantendo sua base de poder, se reerguendo após cair, sempre ao lado do time que está ganhando.

E, em sua mais recente mudança, adaptou-se aos tempos das redes sociais. Enquanto a maioria dos políticos está engajada em combates virtuais, na polarização que divide o país, Fernando escolheu ficar à parte, usando o imediatismo, a informalidade e o nonsense que cativa a grande massa dos internautas, para tornar-se um “tiozão resenheiro”, gerando assim compartilhamentos, comentários e visibilidade. E é esse Collor que as novas gerações estão conhecendo agora. Uma geração que pode ser decisiva nas próximas eleições para o senado. 

Mais uma prova de que a maior habilidade de Fernando Collor de Mello é saber mudar suas cores para sobreviver na política. E, em 2022, saberemos se as suas velhas (e as novas) habilidades lhe trarão a tão sonhada reeleição por mais 8 anos no Senado.

O tique-taque para a reforma eleitoral

  • 03/03/2021 17:36
  • Filipe Valões
Foto: Antonio Augusto/Ascom

Todos temos nossos interesses. Profissionais, familiares, individuais. Não há problema nisso, exceto, quando os interesses tornam-se coletivos e surgem atritos, por interesses desencontrados. É o que temos visto, ao longo dos tempos, quando os interesses em questão são os da população e daqueles que, em tese, deveriam representar os diversos segmentos da sociedade. O que o povo quer e o que alguns políticos querem.

Não é de hoje, sempre vimos divergência entre o que interessa à população e aquilo que integrantes da classe política consideram de seu próprio interesse. No contexto atual, de tanta polarização, crises e turbulência na esfera política, um fato recente chama a atenção por tornar ainda mais claro que nem sempre o que nós, meros mortais, queremos e precisamos, é o mesmo que eles, “donatários” do poder legislativo, estão empenhados em realizar.

Recém-conduzido à presidência da Câmara dos Deputados, casa na qual os destinos do país são guiados pelos deputados federais, o alagoano Arthur Lira (PP AL) recebeu notoriedade, responsabilidade e poder suficientes para ser considerado um dos principais atores no cenário nacional. O que também levou Lira, mais do que antes na função de legislador eleito, a uma condição sem meios-termos: ou o novo presidente da Câmara trabalha pelo povo ou para atender a si e aos seus aliados.

A maior prova disso está no debate, até certo ponto oculto, sobre a reforma eleitoral cujos dois principais pontos seriam impedir que o TSE - Tribunal Superior Eleitoral continue a implementar alterações no processo eleitoral (a exemplo de normas que versam sobre pautas raciais, de gênero ou mesmo destinação de verbas do fundo eleitoral) e, talvez o mais polêmico intento, flexibilizar as regras da Lei da Ficha Limpa.

O deputado-presidente está engajado, portanto, em tornar mais confortável aos políticos concorrer e atuar, além de tornar possível que eles decidam sobre dispositivos que levaram anos para serem aprovados, implantados, aperfeiçoados e mantidos. Digamos, tudo o que o povo precisava e exigiu, tudo que aumentou o nível de cobrança e fiscalização sobre aqueles que são escolhidos pelos eleitores, para garantir um mínimo de equilíbrio na desequilibrada relação de forças entre “nós” e “eles”, pode estar com os dias contados.

Coincidentemente ou não, Arthur Lira intensificou sua empreitada, agora junto ao TSE, tentando abrir a discussão e buscando desfazer os limites que incomodam os parlamentares, no rastro do rumoroso caso no qual o deputado Daniel Silveira foi preso após ofensas, ameaças e insultos contra o STF. E também na mesma semana em que uma tentativa de aprovar a PEC que ampliaria a controversa imunidade parlamentar foi frustrada. O relógio parece estar em uma contagem regressiva para alguns deputados, o interesse prioritário é esse e tudo mais fica pra outra oportunidade, incluindo, a população.

Fica a pergunta: a quem interessa suspender as regras que servem para garantir que os políticos, no popular, “cortem certo”?

Surge a "Máfia da Metralha" em Maceió?

  • 02/03/2021 18:30
  • Filipe Valões
Cortesia
Vereador Delegado Fábio Costa

Fábio Costa, vereador mais votado em Maceió na eleição de 2020, chegou ao cargo com a expectativa de repetir na Câmara Municipal sua atuação como delegado da polícia civil, com a qual conquistou mais de 12 mil votos. E seu primeiro discurso no plenário parece não decepcionar o eleitorado que o elegeu.

Em cerca de 10 minutos, o parlamentar trouxe uma denúncia da maior gravidade, apontando um esquema milionário e fraudulento que estaria em funcionamento há cerca de 7 anos na capital alagoana. Fábio Costa descreveu, com riqueza de detalhes, a existência de uma estrutura para desviar verbas públicas, usando a coleta de lixo da construção civil e de outras áreas, a popular “metralha”, além de uma usina de reciclagem situada na área de proteção ambiental do Catolé, nas proximidades do bairro Clima Bom.

O vereador, inclusive, chegou a chamar o esquema de “Máfia da Metralha”, pelas quantias gigantescas movimentadas e roubadas dos cofres públicos. Uma sucessão de irregularidades, onde diferentes empresas com os mesmos sócios ou parentes desses assinavam documentações e burlavam procedimentos, foram apontadas por Fábio.

Também foi denunciado o dano ambiental, na área usada pelas empresas supostamente responsáveis pela coleta e reaproveitamento dos resíduos.

Quanto à capacidade e seriedade do delegado-vereador, os maceioenses não possuem dúvidas. É impensável que Fábio Costa trouxesse ao público e ao plenário da Câmara uma acusação tão grave, se não tivesse absoluta certeza disso.

Resta agora questionar quem estava à frente dos órgãos públicos responsáveis por autorizar, fiscalizar e manter o contrato com as empresas citadas. Há 7 anos e no decorrer dos anos seguintes, quem estava no comando das pastas responsáveis, a quais grupos políticos estavam à serviço?  

Se a quem acusa cabe o ônus da prova, isso já temos. Com a palavra os empresários apontados e os gestores que autorizaram e mantiveram sob contrato por anos.

O novo alicerce da saúde pública em Alagoas

  • 02/03/2021 12:00
  • Filipe Valões
Saúde pública fortalecida e humanizada - Foto: Fellipe Chargel - Sesau/Alagoas

Em um dos mais conhecidos versículos da Bíblia, é dito que o homem prudente constrói sua casa sobre a rocha, mantendo assim a sua morada mesmo diante de ventos fortes e enchentes, enquanto alguém que faz seu lar sobre as areias perde tudo na primeira chuva forte.

A mensagem é clara e incontestável, independente de seguirmos ou não a fé cristã, de acreditarmos ou não nos textos bíblicos. Firmar alicerces, planejar e fortalecer estruturas, é mais do que cuidar do hoje, do agora. É se prevenir contra o inesperado. E é possível dizer que, em Alagoas, houve prudência em relação à saúde pública.

O caso em questão: um dos estados da federação brasileira que mais sofre com problemas crônicos, de décadas, está resistindo com equilíbrio ao avanço da pandemia que assola o Brasil. A “estrutura” da saúde pública estadual em Alagoas surpreende, mas, se olharmos com atenção para as ações do governo do Estado nos últimos anos, talvez não seja exatamente uma surpresa termos resultados positivos.

A saúde pública em Alagoas nunca foi um dos pontos fortes em nenhuma gestão governamental. Sobrecarga em unidades de atendimento, dificuldades financeiras, um acúmulo de problemas que levou governo após governo a manter um ciclo lamentável, sem avanços, apenas enxugando gelo e correndo atrás do prejuízo. Mas, da mesma forma como apontamos erros e falhas, é preciso reconhecer quando a gestão acerta. 

Com a vantagem de estar em seu segundo mandato, o governador Renan Filho teve condições de trabalhar no alicerce necessário para firmar a estrutura que hoje resiste ao inesperado de uma doença que já se espalha pelo mundo há mais de um ano e que, em um dos estados com menor PIB do Brasil, conhecido por suas desigualdades e mazelas, consegue se manter com indicadores menos graves do que outros, mais desenvolvidos e com mais recursos. Todas as ações dos últimos 6 anos, no âmbito da saúde pública, tinham como meta transformar para melhor a realidade que a população, os profissionais da saúde e os gestores, enfrentam diariamente. Mas acabaram servindo, eventualmente, para refrear o avanço do vírus Covid-19 sobre os alagoanos.

A construção de oito novos hospitais, quatro deles já em funcionamento e outros quatro em construção na capital e no interior, começou a ser planejada já em 2015, contando com verba do FECOEP, uma proposta que chegou a ser criticada por diversos setores. Mas, em última análise, foi a decisão mais acertada. As estruturas físicas de atendimento serviram, com a chegada da pandemia, não apenas aos alagoanos, mas até mesmo às vítimas do coronavírus em outros estados, a exemplo do Amazonas, cuja capital, Manaus, teve colapso do sistema público de saúde e precisou transferir pacientes. Alagoas disponibilizou 35 leitos, ajudando a salvar vidas.

Hospital Metropolitano em Maceió - Foto: Catarina Magalhães - Sesau/Alagoas

 

Mas não foram apenas os prédios onde funcionam os novos hospitais que fizeram a diferença em 2020 e agora em 2021. As melhorias constantes, em todos os âmbitos da saúde pública, permitiram que médicos, enfermeiros e todos os demais profissionais da área pudessem combater na linha de frente com resultados cada vez mais positivos, se comparados aos outros estados brasileiros e à própria história da saúde em Alagoas.

A ampliação da rede de atendimento, com quatro UPAs entregues e duas em construção com o suporte necessário para a atuação dos profissionais, é uma vitória da população de Maceió. Todas construídas e equipadas pelo governo do Estado, sendo duas delas mantidas atualmente pela Secretaria de Estado da Saúde e duas pela Prefeitura de Maceió. Iniciativas como essa contribuíram para desafogar o HGE e outros locais de atendimento, o que eventualmente fez a diferença durante a pandemia.

E o próprio planejamento, a organização do sistema público de saúde, se mostrou eficiente e pronto para lidar com um evento tão inesperado quanto devastador. As orientações, a comunicação, a forma como as medidas preventivas e de quarentena foram conduzidas, são prova de que, em Alagoas, já havia um fortalecimento dessa estrutura que é a saúde pública.

Claro, ainda assim, a doença atingiu os alagoanos, lamentavelmente temos casos de infectados e mortos. Os próprios problemas da saúde pública ainda existem, mesmo em menor escala. Mas é visível que deixamos de improvisar e remendar. Alagoas tem cuidado, resolvido e avançado. Estamos vencendo essa batalha. 

E, se pra quem está fora é surpreendente ver um dos menores estados do Brasil enfrentando a pandemia melhor do que os maiores, pra quem vive aqui não há surpresa. Nós sabemos que a saúde tem sido reconstruída com prudência, sobre a rocha da responsabilidade. Por isso, estamos firmes.

*NOVA REDE HOSPITALAR ESTADUAL: 

  • HOSPITAL DA MULHER - Maceió - Funcionando
  • HOSPITAL METROPOLITANO - Maceió - Funcionando
  • HOSPITAL DO NORTE - Porto Calvo - Funcionando 
  • HOSPITAL DA ZONA DA MATA - Funcionando 
  • HOSPITAL DO ALTO SERTÃO - Delmiro Gouveia - Finalizando obra
  • HOSPITAL DO MÉDIO SERTÃO - Palmeira dos Índios - Anunciado
  • HOSPITAL DA CRIANÇA - Maceió - Em obras
  • HOSPITAL DO CORAÇÃO - Maceió - Em obras

*UPAS ENTREGUES EM MACEIÓ:

  • UPA DO TRAPICHE - Funcionando
  • UPA DO BENEDITO BENTES - Funcionando
  • UPA DO JACINTINHO - Funcionando
  • UPA DO TABULEIRO DO MARTINS - Funcionando
  • UPA JARAGUÁ - Em construção
  • UPA SANTA MARIA - Em construção

Vamos falar da Alagoas da gente?

  • 01/03/2021 14:48
  • Filipe Valões

Um alagoano que vive para entender Alagoas. É assim que me defino e é assim que tenho vivido desde que, ainda adolescente, passei a trabalhar na área da comunicação. Emissoras de tv, programas de rádio, os meios de comunicação mais fortes na virada dos anos 90 e 2000. Acompanhei a mudança dos tempos, com a expansão da internet e o surpreendente domínio das redes sociais. E comunicar é, acima de tudo, dialogar. Inclusive com as mudanças. Se adaptar é necessário e vital. Compreender as linguagens e suas transformações.

Somado a isso, vi o quanto é inegável que a política nada mais é que uma forma de comunicação. Entre o povo e seus representantes, entre as necessidades da sociedade e os instrumentos de realização. Desde 2002, passei a atuar em campanhas políticas, conhecendo, aprendendo e contribuindo para o desenvolvimento da democracia.

Hoje, produzo conteúdos audiovisuais, atuo no palco de nossa era, o espaço virtual da internet, com um pé na comunicação e outro na política.

Por isso, me sinto à vontade para falar de política, de políticas públicas e de tudo que me permite continuar a fazer aquilo que é natural para mim. Me comunicar. E, acima de tudo, tentar entender Alagoas.

A partir de agora, temos um encontro marcado neste blog, falando sobre tudo que é do nosso interesse enquanto sociedade alagoana. Tecnologia, política e marketing político, comunicação, todas as formas de diálogo pelas quais podemos desenvolver nosso estado. Agradeço à equipe do Cadaminuto pelo espaço e pela parceria.