Filipe Valões

E se Lula for vice de um alagoano candidato à presidência?

  • 20/07/2021 11:50
  • Filipe Valões
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Ex-presidente Lula

O Brasil está testemunhando aquela que já pode ser considerada a pré-campanha não-oficial mais intensa da história da República. Desde que o ex-presidente Lula recebeu de volta sua liberdade e os direitos políticos, o presidente Bolsonaro perdeu o restinho de cerimônia que mantinha e passou abertamente a tratar 2021 como se já fosse 2022.

Como seria de se esperar, a opinião pública veio no rastro dos dois e a imprensa não poderia ficar de fora. Mas, essa última, tem um detalhe em suas fileiras. Se o povo, em grande parte, se divide entre lulistas e bolsonaristas que são mais ‘barulhentos”, enquanto os que não fazem parte nem de uma nem da outra torcida organizada ficam sem expor muito suas opiniões, no caso do jornalismo temos a tal “terceira via” sendo anunciada sem muito constrangimento.

O que acaba causando, por sua vez, um barulho enorme.

Nas últimas semanas, alguns jornalistas ousaram sugerir que Luís Inácio Lula da Silva desistisse da ideia de concorrer à presidência, para  apoiar outro candidato ou então se colocar na condição de vice-presidente. Foi um labafero. Lulistas ultrajados, esquerdistas rejeitando a ideia, até mesmo direitistas moderados considerando isso um absurdo por considerarem isso “trocar o certo pelo duvidoso”, já que Lula tem sido mostrado como um pré-candidato com chances cada vez maiores de ganhar de Bolsonaro já no primeiro turno.

Mas, analisando tudo friamente, sem as paixões ideológicas e o calor desse momento, é tão absurdo assim considerar essa possibilidade?

Vamos aos fatos. A esquerda, por si só, não garantiu a vitória contra Bolsonaro em 2018. Está mais do que comprovado, se alguém quiser ter alguma chance de disputar a presidência com Jair, em 2022, vai precisar unir forças com oponentes tradicionais. Partidos e políticos notoriamente de direita, de centro e de esquerda, que não apoiem o atual governo federal, só terão alguma probabilidade de vitória na próxima eleição presidencial se “fizerem volume”, como se diz no popular.

Também é fato que Lula, candidato à presidência persistente, que foi da derrota de 1989 até a vitória de 2002, sempre concorrendo sem jamais desistir, teve outro trunfo pra chegar lá. Soube se adaptar. Em 1989 era visto como um sindicalista raivoso. Só ganhou, 13 anos depois, quando virou o “Lulinha paz e amor”, baixando o tom de voz, batendo menos e dialogando mais, inclusive andando de braços dados com a classe empresarial, industrial e no topo do poder econômico do Brasil.

Diante de seu maior desafio, voltar à presidência desbancando seu autodeclarado arqui inimigo, que inclusive ganhou eleitores e a eleição com um discurso anti Lula, vai usar da experiência estratégica adquirida ao longo de décadas. Ele sabe que precisa de eleitores, mas reconhece que precisa, primeiro, de aliados.

E um de seus aliados de longa data está hoje em posição estratégica. Em vários frontes, diga-se de passagem. O senador Renan Calheiros, que demonstrou ser fiel ao ex-presidente na alegria e na tristeza, tanto quando foi aliado durante os dois mandatos presidenciais de Lula, como também declarando apoio em seu período de queda enquanto esteve preso na sede da Polícia Federal em Curitiba, agora assumiu um combate diferente, como relator da CPI da Pandemia do Covid-19.

Não é segredo pra ninguém que Calheiros está na CPI decidido a comprovar, legalmente, as culpas e falhas de Bolsonaro na condução do enfrentamento desastroso diante da pior crise enfrentada pelo Brasil nas últimas décadas. E essa determinação do senador alagoano converge com o planejamento de Lula.

Eis que, quase por acaso, Renan Calheiros pode ter outra solução pronta pra entregar à Lula, caso ele escolha realmente disputar a presidência em 2022 na condição de vice. Calma, o senador sabe que existem muitas variáveis envolvendo seu nome, portanto não seria ele o candidato a presidente. Mas foi ele quem, literalmente, criou um candidato em potencial, a ser apoiado por Lula ano que vem.

Renan Filho, governador de Alagoas, tem uma série de fatores que o favorecem nesse cenário.

Filho de um aliado inconteste, governador reeleito, ainda jovem, com um histórico de obras e programas sociais considerável, conseguiu acima de tudo uma proeza: por conta de projetos e planejamento realizados ainda em 2019 na saúde pública, antes de qualquer pessoa imaginar que haveria uma pandemia em 2020, chegou em 2021 como governador de um dos estados brasileiros com os melhores índices de enfrentamento ao coronavírus.

O fato por si só já seria admirável, mas é preciso considerar que Alagoas sempre figurou entre os estados mais pobres, mais desiguais, mais afligido por problemas crônicos, de décadas, principalmente quando o assunto é saúde pública.

E mesmo assim, estamos vendo Alagoas refrear o avanço da pandemia, ao ponto de ter inclusive cedido leitos de UTI e recebido pacientes em estado grave vindos de Manaus, quando o sistema de saúde pública da capital amazonense colapsou em janeiro deste ano.

Lula é o oponente óbvio e natural de Bolsonaro na eleição de 2022. Isso é um fato. Mas também é fato que Lula não é de se arriscar, prefere garantir. Se o petista “cismar das orelhas”, como dizemos em Alagoas, optando por garantias de ter quantos aliados puder, sem dar chance pra o atual presidente se reeleger, talvez olhe pro lado e veja Renan Calheiros, daí olhe pro outro e veja Renan Filho. Aí, TALVEZ, Lula dê um passo pro lado, bote Renan Filho no meio e diga “BORA PRA FRENTE, COMPANHEIRO, AGORA É HORA DE UM ALAGOANO PRESIDENTE COM UM VICE PERNAMBUCANO”.

Lula não é besta. Aprendeu a sobreviver. E sabe que, pra isso, tem que fazer concessões.

É melhor um inimigo declarado do que um amigo ingrato

  • 14/07/2021 01:25
  • Filipe Valões

Sim, o título desse texto faz referência à outra expressão popular, de que é melhor ter a certeza de uma inimizade do que desconhecer a maldade de alguém que se faz de amigo. Mas, olhando bem, a ingratidão vinda de alguém que prezamos, se encaixa nessa descrição, de certa forma.

Ao longo da vida, no ambiente familiar, nos locais de aprendizado, na vizinhança e até mesmo no trabalho, esbarramos com a decepção de confiar em alguém, dedicar respeito e admiração, ajudar no momento de maior necessidade, para de repente receber a pancada: a pessoa que consideramos na mais alta estima, sendo ingrata.

Claro, pra quem é cristão, existe a regra de vida “fazer o bem, sem olhar a quem”. É uma forma de educar a mente e o espírito humano, preparar o emocional, deixar claro que é indispensável fazer o que é certo, ser solidário e justo, ajudando quem quer que precise, sem jamais esperar retorno ou retribuição. É a única maneira de manter a sanidade e a humanidade, pela quantidade de vezes em que mesmo tendo estendido a mão para alguém que conhecemos, acabamos magoados pela ausência de gratidão mais básica.

Então, não se trata de querer algo em troca, mas de ter ao menos o respeito e a consideração que se espera de um coração agradecido. Aí, chegamos no ponto que dói realmente. Confiança traída é mais dolorosa por sabermos que partiu de nós a decisão de acreditar no outro.

De um desafeto, de alguém que abertamente demonstra antipatia, de um oponente nos negócios, de um parente que não esconde a rejeição a outro, não se espera obviamente que surja vínculo emocional ou sentimento de agradecimento. E isso, de certa forma, traz um “terreno conhecido”, você sabe onde está caminhando e com quem está lidando. Você não desperdiça confiança.

Mas a amizade, em todas as suas mais variadas formas, seja na família, nos círculos de interesses mútuos, nos estudos ou na vida profissional, é literalmente um voto de confiança. E descobrir que uma pessoa considerada como amiga ou amigo na verdade não valoriza essa amizade, faz a pessoa decepcionada, literalmente, perder o chão. Não sabe mais onde está pisando. Vem a dúvida e a hesitação.

Então, para todos os efeitos, sim, é melhor ter um inimigo conhecido do que alguém que se faz de amigo, para um dia revelar quem realmente é, com um dos piores defeitos da humanidade. A ingratidão, em todo e qualquer sentido, destrói, mesmo que um dos lados realmente acreditasse nela.

Em 9 de julho Braskem terá novo dono, mas quem vai pagar pelos bairros afundando?

  • 02/07/2021 12:22
  • Filipe Valões

A venda de uma empresa multinacional, normalmente, é assunto que passa longe dos interesses da população em geral. É conversa pra quem lida com bolsa de valores, tem interesse em megacorporações, se envolve com números na casa dos bilhões. Normalmente. Mas em Maceió, as vidas dos moradores de 5 bairros deixou de ser normal faz alguns anos.

Para quem perdeu ou está prestes a perder sua moradia no Pinheiro, Bebedouro, Mutange, Bom Parto e Farol, o processo de venda da Braskem tornou-se assunto de maior interesse. O que, você não sabia que a empresa apontada como causadora da maior catástrofe urbana do Brasil, que está às voltas com indenizações para milhares de famílias, mesmo não tendo admitido oficialmente culpa direta pela tragédia, foi colocada à venda? Vem cá, que te conto a história toda.

Desde 2018, quando surgiu a intenção de vender a Braskem, até o momento atual em que a venda tornou-se realidade e está prestes a acontecer, muita coisa mudou. A “dona” da empresa, a Odebrecht, mudou o nome para Novonor. Maceió viu cinco bairros serem condenados após um terremoto, o surgimento de rachaduras em casas e prédios, buracos e crateras se espalharem pelas ruas, até o inevitável êxodo de milhares de famílias expulsas de seus lares.

Enquanto os bairros-fantasmas foram surgindo, a Braskem teve seus altos e baixos, com seu valor estimado de mercado próximo a R$ 48 bilhões em 2018 caindo para algo em torno de R$ 15 bilhões em 2020, para agora surpreender a todos com um valor aproximado de R$ 45 bilhões em junho de 2021. E é esse valor que está sendo avaliado por seus prováveis compradores. Dia 09 de julho é o dia limite para a entrega de propostas de compra pelos prováveis futuros donos da Braskem.

Mas, caso você talvez esteja se perguntando, “o que isso tem a ver com os maceioenses?”, a resposta é simples: A antiga Odebrecht, atual Novonor, vai passar a Braskem à um novo dono junto com a responsabilidade pelo Pinheiro, Bebedouro, Mutange, Bom Parto e Farol. O que gera uma outra pergunta: quem garante que a responsabilidade será honrada?

Entra em cena o poder público, mais especificamente os representantes dos alagoanos em Brasília. Um deles, em especial, esteve à frente do caso por muito tempo, mas não tem sido visto atuando com a mesma visibilidade. O senador Rodrigo Cunha, que teve presença constante em reuniões, debates, sessões públicas e principalmente nas redes sociais quando o assunto era o afundamento dos bairros, nos últimos dois anos, agora está um tanto quanto distante.

Seria o momento ideal para que o senador voltasse à carga, não apenas para continuar cobrando as devidas providências por parte da Braskem, mas para atuar de forma preventiva no que pode se tornar mais um motivo de angústia para os maceioenses vítimas da tragédia nos cinco bairros.

A Braskem está à venda. Quem vai acompanhar esse processo e zelar pelos interesse dos maceioenses? Quem vai garantir que não aconteçam atrasos, que o novo dono da Braskem não comece a “empurrar com a barriga” um processo que já tem sido lento?

Um cenário que já é revoltante, desesperador e absurdo, corre o risco de se tornar ainda mais complicado e incerto para quem realmente está sofrendo sem ter a menor culpa.

Senador Rodrigo Cunha, as vítimas dos afundamentos podem contar com o senhor?

Receita "histórica" em Marechal Deodoro: Cacau, a faca e o queijo

  • 28/06/2021 18:03
  • Filipe Valões

Se o título desta coluna de hoje lhe causa estranheza, calma. Leia até o final e vou te explicar o significado dessa metáfora com “faca” e “queijo”.

A população da histórica cidade de Marechal Deodoro acompanha um drama, há um bom tempo. A política no município, como em qualquer outro, tem seus lados. Mas o caso em questão é muito próprio, diferente dos demais. Nas eleições de 2016, Claudio Roberto Ayres, o Cacau, venceu o seu oponente direto, José Gilvan Filho, mais conhecido como Júnior Dâmaso. Mas essa disputa representa muito bem o quanto Marechal está dividida, desde então.

Júnior Dâmaso, na época filiado ao MDB, tinha o apoio do então prefeito, Cristiano Matheus, aliado do governador Renan Filho. Mas Renan também apoiava Cacau. Surge a primeira divisão nessa história toda, com um governador se vendo na difícil situação de escolher entre dois aliados. O resultado nas urnas revelou outra divisão, ainda maior: Cacau ganhou de Júnior por apenas 8 votos de diferença, um atestado do quanto a própria população deodorense esteve dividida naquele momento.

Nos quatros anos seguintes, entre 2016 e 2020, Cacau teve seu primeiro mandato com todas as condições favoráveis. A considerável máquina pública de um dos principais municípios de Alagoas nas mãos, de certa forma a prefeitura dos sonhos de qualquer político, seguiu imprimindo um ritmo acelerado de grandes obras, novas escolas, uma saúde padrão A, tendo também um deputado federal representando a cidade, seu sogro Sérgio Toledo, a providencial filiação ao partido do governador Renan Filho e o bônus de ter o próprio irmão, Alexandre Ayres, ocupando secretaria de Estado.

Ainda assim, em 2020, quando partiu para a reeleição, ficou evidenciado que a gestão de Cacau não conseguiu desfazer a divisão em Marechal Deodoro. Nas urnas, enfrentou novamente Júnior Dâmaso, venceu, porém com uma diferença de votos que falou muito: ganhou por 21 votos.

Como explicar que, depois de 4 anos de inegáveis serviços prestados à população, Cacau tenha obtido 50,04% dos votos contra os 49,96% de Júnior, que não ocupou nenhum cargo político no mesmo período de 2016 a 2020?

A resposta, de acordo com os observadores e comentaristas da política alagoana, possivelmente esteja no que foi o ponto forte de Cacau: ele fez obras. Muitas. Ocupou seu tempo com elas e se tornou um gestor de obras. Mas… e o povo?

Sim, ele fez e realizou para o povo. Mas, se relacionou com os deodorenses? Manteve o Diálogo? Tornou acessível à população o contato com seu prefeito?

De toda forma, 2021 começou, o prefeito reeleito retomou os trabalhos e, agora às vésperas do fim do primeiro semestre de seu segundo mandato, uma pesquisa realizada no dia 25 de Junho pelo Instituto Data Sensus trouxe dados preocupantes para Cacau. A cidade continua dividida e desmotivada pela atual gestão.

Quando perguntados se aprovam ou desaprovam os seis primeiros meses da atuação de Cacau em 2021, os deodorenses apenas confirmaram o resultado das urnas em 2020:

50,5% - aprovam

41,1% - desaprovam

8,4% - não sabe, não opinou

Considerando a margem de erro da pesquisa, 4%, Cacau pode viver novamente o drama das últimas duas vitórias, mas em outra disputa. Sérgio Toledo e Alexandre Ayres vão encarar as urnas em 2022 e contam com a influência de Cacau.

A situação de Cacau, entretanto, é positiva. Ele recebeu mais um mandato das mãos do povo, continua bem cercado de aliados, portanto está com a faca e o queijo nas mãos. Nesse caso, basta saber dividir direito sua atenção, suas energias e não dividir ainda mais a população entre os que o apoiam e os que não estão do seu lado.

E, como o prefeito reeleito de Marechal já viu, obras não conquistam eleitores, é preciso algo mais para chegar ao coração do deodorense. Empatia, carinho, atenção, atitudes que criem laços humanizados, coisas nas quais Cristiano Matheus e Junior Dâmaso se consagraram campeões.

Cacau tem muitas virtudes, espero que uma delas seja ouvir conselhos. E, se considerar este válido, pode usar à vontade: 

"Prefeito Cacau, siga sua consciência e seu coração, ninguém tem dúvidas de que você sabe governar. Mas tenha cuidado com quem te cerca, pois alguns dentre eles acabaram te afastando do povo."

Não há dúvidas, Marechal Deodoro durante 2021 está se preparando para as eleições em 2022. Júnior Dâmaso quer ser Deputado Federal, Cristiano Matheus já se movimenta com o mesmo objetivo e os dois sabem, quem conquistar pelo menos 7 mil votos para uma vaga na Câmara Federal em Marechal Deodoro, já terá meio caminho andado para a vitória em 2024. O segredo aí está em unir, não em dividir.

Eita Marechal que surpreende!

Vereadora de Marechal Deodoro cria embaraço com projeto de lei e só ajuda a si mesma

  • 23/06/2021 22:37
  • Filipe Valões

Boas intenções não bastam, quando se é um parlamentar. É preciso saber o que está fazendo e o que é permitido fazer. A vereadora por Marechal Deodoro, Ledice Cavalcante (PDT/AL) tentou fazer algo que não lhe seria permitido e agora criou problemas em vários níveis.

Com o Projeto de Lei nº 36/2021, Ledice propôs a distribuição de absorventes para jovens alunas da rede municipal de ensino, a ser implementada e realizada pela prefeitura de Marechal Deodoro. Uma causa justa, que criou expectativa na população, mas que esbarrou na inconstitucionalidade da proposta. De acordo com a legislação, não é permitido aos vereadores criar leis que gerem despesas aos municípios. Portanto, a aquisição e distribuição dos absorventes teriam de ser feitas com verba municipal. 

Colegas vereadores de Ledice Cavalcante expuseram esse impedimento em várias ocasiões, propondo inclusive que a vereadora transformasse o Projeto de Lei em Indicação, que tornaria a pauta totalmente constitucional, agilizando inclusive o benefício às jovens estudantes deodorenses.

Nada feito. A vereadora Ledice insistiu em manter o PL, que acabou sendo vetado em plenário, ao que ela optou por seguir um caminho ainda mais tumultuado: “jogou pra galera”. Ela foi da intransigência ao oportunismo. Ocupou redes sociais, mobilizou parlamentares de Maceió, tentou fazer a população acreditar que um benefício estaria sendo negado pelos vereadores que apenas cumpriram a lei.

Agora, está criado o embaraço, motivado apenas pela vaidade de Ledice Cavalcante. Ela poderia ter agilizado a proposta, se aceitasse converter o PL em Indicação, talvez a prefeitura já estivesse buscando formas de realizar a pauta, até mesmo encontrado meios de distribuir absorventes para as alunas de Marechal Deodoro.

Infelizmente, a única coisa que está rendendo disso tudo é a atenção que Ledice Cavalcante ganhou para si mesma. O que nos leva a pensar que essa foi a pauta verdadeira, buscada pela vereadora.

General Calheiros comanda linha de frente do presidente Lula

  • 12/05/2021 14:58
  • Filipe Valões

O cenário político nacional tornou-se uma guerra e não é de hoje. Vários frontes, vários “exércitos”, um só objetivo: vencer as eleições de 2022. Mas, embora tenhamos muitos envolvidos, muitos interesses, o embate está polarizado entre bolsonarismo e o lulopetismo. Isso, ninguém pode negar.

Com a sucessão de eventos recentes, da tragédia da pandemia do Coronavírus à surpreendente reviravolta que trouxe o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva de volta ao jogo político, mudaram campos de batalha, mudaram combatentes, mudou o próprio rumo da tal guerra.

A condução do Governo Federal diante do avanço da Covid-19 tem sido inegavelmente polêmica, desde o início, em fevereiro de 2020. Discordâncias e rejeições aos protocolos recomendados pela OMS, negacionismo, incoerências, idas e vindas, que fornecem aos opositores a munição necessária para atribuir a culpa de tudo que estamos vendo ao presidente Jair Bolsonaro.

No âmbito econômico, a população sofre os efeitos da instabilidade. Aumento do desemprego, pequenos e médios empreendedores desesperados, colapso de setores, redução das políticas públicas de auxílio. Mais uma vez, o presidente da República está no centro das atenções, criticado pelas ações, condenado pelas inações.

Portanto, Bolsonaro tem deixado de ser um oponente, tornando-se um alvo. Existe descontentamento, revolta, angústia e, eventualmente, acusações. Existe a necessidade de soluções, a gravidade da situação torna-se cada vez maior e alguém tem que responder. Eis que bem ali do lado está Lula, seus apoiadores, parte da população que rejeita Bolsonaro e um surpreendente novo/velho combatente…

Renan Calheiros, recém-indicado relator da Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga possíveis erros, falhas e crimes na atuação do Governo Federal frente à pandemia, representa uma “ofensiva” que trilha o caminho da legalidade, utilizando meios institucionais para encontrar formas de, literalmente, atingir Bolsonaro onde pode causar mais danos.

E que ninguém se engane, o potencial para danos é gigantesco, basta ver a reação de Jair, de seus filhos e de seus aliados. Tentaram de tudo para impedir a CPI, tentaram de tudo para impedir que Renan assumisse a relatoria, estão tentando de tudo para defendê-lo nas sessões da Comissão.

O próprio presidente Bolsonaro chegou a ligar para o governador Renan Filho, na esperança de conseguir sensibilizar Renan Calheiros, obviamente pelo temor do que essa CPI poderia causar. Isso é um indicativo fortíssimo do impacto que a mera ideia de uma CPI da pandemia causou no presidente.

Pelo que temos visto nas transmissões ao vivo da Comissão, o apelo não funcionou. O senador Renan está em modo de ataque, usando ao máximo suas prerrogativas de relator, também seu inegável conhecimento da Constituição, do regimento do Senado e, claro, de suas décadas na política. A cada depoimento, Calheiros consegue acuar e desestabilizar alguns depoentes, extraindo respostas até mesmo na ausência de respostas concretas.

E se nesse fronte vemos um avanço em tom de ofensiva, do outro vemos outra surpresa. Lula não perdeu tempo desde que foi solto e teve seus direitos políticos restaurados. Mas, ao invés de atacar diretamente Bolsonaro, escolheu outra estratégia. Luís Inácio partiu para a articulação, a diplomacia e a recuperação de sua imagem junto aos líderes globais.

Claro, aqui e acolá, cutuca e alfineta o atual presidente, com alguma declaração de impacto que ecoa a insatisfação e a revolta da população assustada com a instabilidade econômica e, mais ainda, pelo trágico número de mais de 400 mil mortos pelo Coronavírus.

Essa escolha é das mais acertadas, afinal, a expectativa era de que Lula voltaria para uma revanche, porém o que ele tem demonstrado é uma conduta preocupada com o problema comum, a pandemia. Usando a reputação que adquiriu durante seus dois mandatos como presidente do Brasil, o petista conseguiu abrir diálogo, transmitir convocações, acenar com a possibilidade de ser um “diplomata” brasileiro mesmo sem ter nenhum cargo ou função do tipo. Lula está usando a comunicação para construir sua ofensiva.

Nesse exato momento, Jair Bolsonaro está sem saber pra que lado levanta suas defesas. Ele se vê assustado com as possíveis sanções que a CPI possa gerar, tendo em Renan Calheiros seu oponente direto. Observa indefeso enquanto Lula amplia novamente sua esfera de influências, mobiliza aliados e se reergue politicamente, sem desespero e sem “aperreio” como dizemos aqui no nordeste.

Renan em posição estratégica, com todos os recursos à disposição de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, apoiado sobre a indignação de parte cada vez maior da população.
Lula se reerguendo, restabelecendo bases de apoio, adquirindo “artilharia” política, contando com apoio de seu eleitorado, mas também de quem está descontente com o momento atual. 

O ex-capitão e hoje presidente sempre gostou de se descrever como um militar pronto para o combate. Será que ele tem alguma estratégia contra dois ataques simultâneos, por vias diferentes, com dois oponentes do nível de Lula e Renan Calheiros?

A mira de Rodrigo Cunha continua a mesma?

  • 29/04/2021 17:39
  • Filipe Valões

Rodrigo Cunha conseguiu uma proeza para poucos, em Alagoas. Ainda muito jovem, tornou-se referência de honestidade e combatividade. À frente do PROCON-AL, mostrou serviço atendendo as demandas dos consumidores, mirando em irregularidades, injustiças e outros abusos. Fez o certo, batendo no que é errado. 

E foi assim que conseguiu outra proeza, a eleição de senador em 2018, disputando com nomes já bem estabelecidos na política nacional. Rodrigo, portanto, é daqueles políticos que é tão forte quanto o “alvo” que escolhe para enfrentar, o que faz dele dependente de um oponente, seja um problema abstrato, seja uma pessoa. E agora, às vésperas da eleição de 2022, Rodrigo Cunha travou a mira em seu mais novo alvo, o também senador Renan Calheiros.

Calheiros, senador da República desde 1995, não é rival direto de Cunha, já que os dois só encerram seus mandatos atuais em 2027. Mas, por tabela, o pai do atual governador de Alagoas, Renan Filho, representa um grupo político que já está no páreo em 2022 pela cadeira do Palácio República dos Palmares. Rodrigo é um dos mais cotados na disputa, com chances reais de concorrer ao posto ocupado hoje por Renan Filho. Portanto, quem quer que seja apoiado pelos Calheiros, será o oponente automático de Cunha, caso ele realmente concorra.

O que poderia ser uma guerra fria ao longo dos próximos meses, já teve sua primeira salva de tiros verbais agora. Por conta da pandemia, dos números cada vez maiores de contágio e mortes, pelas diversas críticas e acusações contra o presidente Jair Bolsonaro na condução e gerenciamento dessa crise, foi criada a Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia, na qual os senadores investigarão se há ou não culpa por parte do Governo Federal. E eis que o relator da CPI é nada mais, nada menos que Renan Calheiros. Crítico ferrenho do atual presidente da República, o senador encontra-se agora em uma posição tão decisiva que, pouco antes de ser sacramentado como relator, levou o próprio presidente Bolsonaro a ligar para o governador Renan Filho, buscando estabelecer alguma forma de diálogo, na esperança de desarmar os espíritos.

Para quem acompanha a política, conhece as atitudes de Bolsonaro, sua forma, digamos, desafiadora em relação aos demais políticos, significa MUITO vê-lo ligar para Renan Filho, querendo amenizar a atuação de Renan Calheiros. Há um temor genuíno da parte de Jair, de seus filhos parlamentares, dos seus aliados e base de apoio, diante da perspectiva de ter Calheiros investigando a gestão Federal da pandemia. E nesse cenário, Rodrigo Cunha tomou partido, criticando a própria escolha de Renan para a relatoria.

Tomou partido, em termos. Rodrigo tem revelado, desde 2018, uma capacidade surpreendente de se associar sem se comprometer. Esteve junto de políticos que pediram votos para Bolsonaro em 2018, mas não quis declarar voto direto ou apoio ao candidato do 17. Desde então, expressou opiniões e se posicionou meio lá, meio cá. Agora, se juntou aos esforços para rechaçar a ida de Calheiros para a relatoria da CPI, mas não se opôs ao objetivo da Comissão.

A análise mais apurada, pelo histórico da vida pública de Rodrigo Cunha, considerando também a possibilidade de concorrer ao cargo de governador de Alagoas em 2022, indica que o jovem senador aprendeu a escolher melhor suas lutas e seus oponentes, tanto pela aparência do “combate”, quanto pelo que pode obter ao final de um embate. Mirando em Calheiros, ele atinge todos os Calheiros e aliados, tenta minar um potencial grupo opositor, fica bem na fita com outro grupo, o que está empenhado em proteger o Palácio do Planalto, não se “queima” com o povo e, independente do resultado, mantém sua imagem de jovem combatendo o bom combate.

O senador Rodrigo Cunha permanece, portanto, buscando o alvo certo para as suas necessidades políticas. Será que vai continuar acertando?

ATENÇÃO SENADO: Os enfermeiros merecem o piso salarial

  • 19/04/2021 13:47
  • Filipe Valões

A relação entre a importância dos trabalhadores da saúde e a forma como são recompensados financeiramente sempre foi, no mínimo, desproporcional. Todos enfrentam uma realidade na qual apenas eles possuem qualificação, assumem a responsabilidade pelas vidas dos pacientes, sofrem estresse sem comparação e, convenhamos, literalmente nunca recebem o equivalente diante de tudo isso. E nessa situação crônica, alguns profissionais sofrem ainda mais do que outros. É o caso de quem atua com enfermagem e seus segmentos.

Há cerca de 30 anos, gerações de enfermeiros e enfermeiras, técnicos e auxiliares de enfermagem, além de parteiras, lutam para realizar o sonho de terem um piso salarial nacional que, ao menos, garanta dignidade e reconhecimento. Uma forma de trazer relativa tranquilidade para quem ganha a vida salvando vidas, portanto precisa estar de cabeça fria enquanto cuida dos pacientes.

Com a pandemia do coronavírus, o que antes sempre foi uma guerra fria e restrita ao dia-a-dia, tornou-se uma guerra mundial, cobrando caro de quem possui essa vocação tão abençoada quanto pesada. Além de estar em uma luta constante e sem tréguas contra o covid-19, cada profissional da enfermagem passou também a ser alvo, a integrar um grupo de risco pela proximidade e contato direto com pessoas contaminadas. Não são poucos os que estão perdendo suas vidas, ao tentar salvar as dos pacientes. E são muitos, muitos mais, os que estão sofrendo danos emocionais e psicológicos, diante de tanto sofrimento e morte, nas UTIs e hospitais de campanha.

Profissionais de saúde entendem e encaram o fato de que a morte é uma possibilidade diária, quando cuidam de pacientes. Mas sempre contaram com a esperança de lutar contra a morte e vencer a cada dia, uma vida de cada vez. Mas o que temos desde o começo da pandemia é um cenário de horror, no qual a esperança perde, as mortes aumentam e o ânimo de médicos e enfermeiros se encontra abalado.

Some-se a isso outro temor, aquele que não sumiu por conta da pandemia: manter a própria casa, garantir o próprio sustento e o de seus familiares. Como esperar e exigir dos profissionais da saúde que sigam em frente nessa guerra, quando não garantimos a eles ao menos a certeza de que seus lares possuem estabilidade financeira? Enfermeiros, técnicos e auxiliares sempre se viram obrigados a pegar turnos cada vez mais próximos, se dividindo entre dois, até mesmo três empregos diferentes. Já era pressão demais, imagina hoje em plena pandemia?

O momento, portanto, é simbólico e ideal para a realização desse anseio dos enfermeiros, técnicos e auxiliares. O Senado Federal se prepara para votar o Projeto de Lei nº 2564, de autoria do senador Fabiano Contarato e de relatoria da senadora Zenaide Maia, que propõe pisos salariais de R$ 7.315,00 para enfermeiros, R$ 5.120,50 para técnicos e R$ 3.657,50 para auxiliares e parteiras, sob jornada de 30 horas semanais de trabalho.

De um lado, as categorias se mobilizam e torcem pela aprovação. Do outro, os empresários e patrões se movimentam contra, alegando que estão amargando prejuízos em decorrência da pandemia. No meio, os relatórios que apontam outro cenário financeiro, no qual os planos de saúde e hospitais particulares lucraram em 2020.

Com a palavra e a responsabilidade de valorizar enfermeiros, técnicos, auxiliares e parteiras, estão os senadores que apreciarão e votarão o Projeto de Lei.

É a hora de cuidarmos de quem sempre esteve na linha de frente, salvando vidas.

Tá na hora do auxílio-emergencial dos informais e ambulantes do turismo alagoano

  • 09/04/2021 14:00
  • Filipe Valões

O turismo em Alagoas é base de nossa economia, mas essa base tem sido atingida severamente pela pandemia do coronavírus. E se empresários e outros integrantes do trade turístico sofrem com isso, o que dizer de quem atua na informalidade?

Os trabalhadores informais em Alagoas jamais tiveram diminuição em seus números. A cada ano, mais e mais pessoas foram obrigadas a buscar na informalidade o seu ganha-pão, diante de todos os problemas para entrar no mercado formal de trabalho. A luta nunca foi fácil, mas desde que a pandemia do coronavírus começou em 2020, esses batalhadores esbarraram em algo muito mais grave, o impedimento de circular e trabalhar nas ruas.

Um caso, em especial, carece de atenção especial por parte do poder público. Os ambulantes que atuam nas praias ou em outros locais que dependem dos turistas ou mesmo dos alagoanos aproveitando férias, estão em uma montanha-russa desde que o primeiro decreto estadual implantou restrições e distanciamento social. Totalmente destituídos de qualquer segurança financeira, eles se viram obrigados a ficar em casa, provisoriamente dependendo do auxílio emergencial. 

Eis que 2020 passou, o auxílio emergencial foi suspenso, mas a pandemia e as restrições continuam. Nos últimos 6 meses, foram várias idas e vindas das fases de quarentena, indo do amarelo ao vermelho, liberando e depois proibindo a atividade dos ambulantes onde eles deveriam estar batalhando pelo sustento. E o que Municípios e o Estado estão fazendo a respeito?

Claro que é preciso considerar o contexto geral, não há governo estadual ou municipal capaz de garantir plenamente uma renda que atenda os trabalhadores informais. É muita gente, em um cenário onde várias outras camadas da sociedade também precisam de suporte financeiro. Mas, se não é possível fazer tudo, que se faça um pouco, afinal, de grão em grão…

A nível federal, temos um deputado federal dos mais destacados, que já esteve à frente do Ministério do Turismo, com atuação reconhecidamente positiva para Alagoas. Marx Beltrão, conhecedor das realidades do setor, sabe o quanto os informais dependem do turismo e como essa relação é importante para a economia popular. Se antes da pandemia, era uma alternativa para minimizar as desigualdades, agora é uma tábua de salvação à qual muitos se agarram enquanto oram pela terra firme de um mundo pós-pandemia.

É preciso apelar ao deputado Marx, assim como aos demais representantes de Alagoas na Câmara Federal, para que algo seja feito por esses trabalhadores.

Aqui em âmbito estadual, uma possibilidade seria trazer os informais e ambulantes para um programa que acabou de começar com o pé direito. O Cartão CRIA, que cadastra e atende famílias em situação de vulnerabilidade, acrescenta uma fração importante ao principal programa de distribuição de renda do país, o Bolsa-Família. O governador Renan Filho e a recém-nomeada secretária de Desenvolvimento Social, Fabiana Pessoa, poderiam olhar com carinho a ideia de usar o programa do Cartão Cria e absorver a demanda dos informais e ambulantes.

Já em relação aos Municípios, os prefeitos e prefeitas precisam urgentemente reconhecer a presença e a necessidade das mulheres e homens que nos dias normais dependem apenas de si mesmos, nas praias e outros locais de movimentação para lutar pela sobrevivência. Mas que hoje merecem todo apoio do poder público que é, em sua essência, o poder autorizado pelo povo para servir ao povo.

A pandemia vai passar, todos estamos orando e fazendo nossa parte pra isso, mas até lá é preciso dar suporte a todos e, em especial, aos que mais precisam.

É isso aí Prefeitura! Táxi-lotação é alternativa nos tempos de hoje

  • 07/04/2021 14:08
  • Filipe Valões

Se existe uma frase que vale pra tudo nessa vida, é a popular “É conversando que a gente se entende”. A maior prova disso está no diálogo entre motoristas de taxi-lotação e a prefeitura de Maceió, diante das mudanças causadas pela pandemia.

Em um post recente, neste blog, tratamos dos desafios do distanciamento social enquanto a população tenta ganhar o sustento. É preciso parar, mas não podemos parar completamente. E pra isso, o transporte público e coletivo precisa se readequar. Mas, com seus próprios problemas de décadas, os ônibus não conseguem atender completamente a demanda da população. Enquanto isso, vários motoristas estão nas ruas, com seus veículos à disposição dos maceioenses, atuando como taxistas de lotação, infelizmente na clandestinidade.

Agora, o que era tratado como problema pode se transformar em uma solução. Em reunião convocada pelo prefeito de Maceió, JHC, o secretário de Governo Francisco Sales, o superintendente de Transportes e Trânsito, André Costa e o procurador-geral do Município, João Lobo, deram início ao tão aguardado diálogo com os representantes dos motoristas de taxis-lotação. Um passo adiante que aponta o reconhecimento, por parte do Município, de uma realidade conhecida pelo povo: esses transportadores não podem ser mais tratados como clandestinos, precisam ser aceitos como alternativos.

Na primeira reunião ficou estabelecido que um grupo de trabalho, composto pelo secretário de Governo, pelo superintendente da SMTT e pelo titular da PGM, vai analisar todos os ângulos dessa questão, agilizando a regulamentação da atividade em Maceió. Já é muito, simboliza um avanço que, de tão aguardado, parecia quase improvável.

Vamos torcer para que tudo transcorra da forma mais ágil possível e os maceioenses tenham essa alternativa totalmente regulamentada. E que os taxistas-lotação alcancem finalmente a tranquilidade de poder trabalhar sem a angústia de serem detidos a qualquer momento.

O mais importante nesse momento é que as duas partes, motoristas e Prefeitura, já estão fazendo o que antes não acontecia. Dialogar. 

Aprendendo com Jesus a enfrentar a pandemia

  • 01/04/2021 20:31
  • Filipe Valões

Todos os anos, ao final da Quaresma, católicos e evangélicos do Brasil celebravam a Sexta-Feira Santa e o Domingo de Páscoa com reuniões de família, missas e cultos, relembrando a Paixão, Crucificação e Ressurreição de Jesus Cristo. Uma manifestação de fé, religiosidade e esperança tão tradicional em nosso país, mas que agora, por conta da pandemia do Coronavírus, foi alterada pelo segundo ano consecutivo. Isso nos dá muito o que pensar.

A celebração, no sentido da reverência e da liturgia, continua. Temos igrejas e templos abertos, com capacidade reduzida. As famílias católicas fazem o tradicional almoço de sexta, com peixes e frutos do mar ou o almoço de domingo no caso dos evangélicos, mas sem reunir grandes quantidades de parentes. Quem acredita e segue o cristianismo medita, ora e reflete sobre o significado desta semana tão especial. Mas é impossível encararmos esse segundo ano de pandemia na Páscoa, sem considerar o que ocorre ao nosso redor.

O mundo está padecendo. Há medo, há conflito, há tristeza e há morte. Para muitos, há o sofrimento de torcer por um ente querido que adoece por conta do Covid-19. Para outros, a dor de perder um parente ou um amigo, sem se aproximar do leito de morte, sem a permissão de se despedir nem mesmo durante velório e sepultamento. A humanidade, dadas as proporções, passa por uma Via Crucis, um calvário coletivo, um martírio semelhante ao de Jesus Cristo. Mas, da mesma forma, existe a esperança de renovação, de superar o sofrimento.

Os textos bíblicos narram que ao terceiro dia Jesus ressuscitou, voltando dos mortos e indo ao encontro de seus discípulos. Independente de acreditar nesse dogma ou não, é preciso admitir que após a morte narrada, veio o renascimento não apenas de Cristo, mas de sua mensagem, de seus ideais. Maior prova disso é que vivemos em um mundo no qual, dois mil e vinte anos depois, estamos falando sobre Ele, grande parte do mundo segue seus ensinamentos e, o mais importante, sua história nos dá aquilo que mais precisamos para continuar seguindo em frente mesmo diante de tanto sofrimento… Esperança.

Não podemos desistir. A humanidade, tudo que construímos, tudo aquilo que ainda precisamos melhorar e aperfeiçoar, depende de hoje. Depende de acreditarmos, de escolher a iluminação de propósitos, de sentimentos e pensamentos, de sabermos que estamos juntos e não separados, que lutamos por nós, por quem amamos, mas também por quem nem mesmo conhecemos e, mais ainda, pelas gerações futuras que dependem de nós para ter um mundo onde possam viver bem.

A celebração de Páscoa acontece diferente, hoje, por causa da pandemia. Isso é um fato. Mas também é um fato que, mesmo em meio à maior crise global dos últimos 80 anos, CONTINUAMOS celebrando a Páscoa. A Paixão e Ressurreição de Jesus Cristo CONTINUA nos trazendo esperança. E queremos com todas as nossas forças, acreditar que no próximo ano teremos um almoço de Sexta-Feira Santa ou de Domingo de Páscoa sem restrições e sem medo.

Jamais esqueceremos quem se foi nessa pandemia. Assim como o nome e a história de Jesus Cristo nunca foram esquecidos. Vamos viver honrando seus nomes, fazendo nosso melhor por um mundo melhor.

Feliz Páscoa. O amor de Jesus Cristo esteja com todos nós.

Artistas de Marechal Deodoro organizam a Campanha Cultura Solidária

  • 31/03/2021 14:37
  • Filipe Valões

Marechal Deodoro é uma das mais representativas cidades de Alagoas, principalmente por sua história e tradição cultural. É literalmente um berço de artistas das mais variadas expressões, do artesanato ao folclore, da poesia à música. E agora, mesmo durante a grave crise da pandemia, os artistas deodorenses continuam fazendo sua parte.

Esse é outro aspecto bem próprio de quem é de Marechal Deodoro, a persistência e a coragem diante das dificuldades. Afinal, nunca foi fácil nem rentável produzir arte em Alagoas. Mas os deodorenses nunca desistiram e, hoje, lutam para manter vivas as suas manifestações culturais. 

Em uma iniciativa admirável, a Associação das Mulheres Rendeiras de Marechal Deodoro - AMUR, deu início a uma campanha de conscientização e mobilização, através da qual buscam a participação da população em geral para contribuir com a classe artística, que perdeu sua principal fonte de renda com as restrições de isolamento da pandemia do Coronavírus.

Batizada como “Campanha Cultura Solidária”, a ação tem o objetivo de arrecadar doações para os músicos, artesãos e fazedores de cultura deodorense, seja em dinheiro ou mantimentos. O poder público municipal também chegou junto, graças ao apoio da Secretaria Municipal de Cultura, sinalizando a contribuição da prefeitura de Marechal Deodoro.

Durante os próximos cinco dias, quem quiser ajudar pode contribuir através do Pix 09.095.033/0001-37 ou mantendo contato e informando sobre entrega de donativos.

E no domingo, dia 04, o encerramento da campanha terá uma Live com bandas e músicos deodorenses.

Os artistas e a prefeitura de Marechal Deodoro estão fazendo sua parte, agora é conosco, enquanto sociedade, fazermos a nossa parte. Cuidar de quem faz a arte em Alagoas, é manter viva a nossa cultura.

A república das baratas tontas

  • 30/03/2021 14:10
  • Filipe Valões

Em menos de uma semana, o governo federal fez mudanças em 6 ministérios, aparentemente por motivos diversos. O que seria um procedimento institucional normal, pode sinalizar algo incomum, mesmo em uma gestão marcada pela instabilidade. Seja atendendo pedidos de demissão, seja retirando quem discordou de Jair Bolsonaro, a presidência da República agiu em poucos dias como nunca fez antes. E uma saída em especial, do agora ex-ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, pode indicar mudanças ainda maiores nas próximas semanas.

A prioridade exigida pelo presidente Jair Bolsonaro aos seus subordinados não é nenhum segredo, ele quer concordância declarada, aquele tipo de situação onde não importa cumprir a atribuição e compromissos que competem a cada cargo, mas uma postura pública de apoio inquestionável, de curtir e compartilhar nas redes sociais aquilo que o presidente diz e defende. Agora, imagine só, um ministro ousar discordar ou divergir dele? 

E esse foi um dos motivos que levou o general Azevedo a ser retirado do cargo, de acordo com jornalistas que acompanham os bastidores do poder em Brasília. Ano passado, quando a pandemia se espalhou pelo Brasil e as primeiras recomendações de distanciamento social foram divulgadas, Bolsonaro manteve críticas duras contra esses cuidados e ao encontrar com o então ministro da Defesa Azevedo, estendeu a mão, ao que o general respondeu com o gesto de cumprimentar com o cotovelo. Se não foi o maior, foi o primeiro desencontro dos dois.

Desde então, outros episódios ocorreram, sempre revelando linhas de pensamento diferentes entre Jair e Fernando Azevedo. Agora, em se confirmando tudo que foi divulgado pela imprensa desde a saída de Azevedo do ministério da Defesa, a coisa foi além das divergências, alcançou um nível preocupante e que envolve toda a nação.

Por conta da insatisfação de grande parte da população, da postura da oposição ao presidente Bolsonaro, do cabo de guerra entre a presidência e vários governadores de estados, até mesmo pelo retorno de Luís Inácio Lula da Silva ao jogo político, Jair Bolsonaro tem se sentido pressionado. E, ao invés de tentar apaziguar os ânimos, teria partido pro acirramento. A possibilidade do governo Federal decretar Estado de Sítio se espalhou entre rumores e boatos.

Se onde há fumaça há fogo, de acordo com o ditado popular, alguma verdade existe nesse boato. A maior prova disso é que o general Fernando Azevedo e Silva teria entregue o comando do Ministério da Defesa por não aceitar a ideia de que o governo Federal instaurasse um estado de exceção, ainda mais em meio à uma pandemia.

Se um militar do mais alto comando rejeita a ideia de impor restrições desse porte à população e conferir ao presidente um aumento desproporcional em seus poderes, fica claro que estamos diante de um cenário indesejado por qualquer pessoa sensata.

E, enquanto, esse texto estava sendo redigido, os meios de comunicação informavam sobre a saída de TODOS os chefes das Forças Armadas do Brasil. Um evento sem precedentes na história recente da República.

A impressão que temos é de estarmos sem rumo, sem planejamento, sem a estabilidade necessária em dias normais e ainda mais indispensável em meio à maior crise global dos últimos 80 anos. Se nós estamos desorientados, é reflexo de um governo federal que tem agido com a organização e planejamento de um punhado de baratas tontas. Parafraseando o que os próprios bolsonaristas bradam, hoje só podemos dizer “Brasil precisando de tudo. Deus, tenha piedade de nós”.

Se toda vítima do coronavírus tem nome, cadê o CPF?

  • 25/03/2021 18:28
  • Filipe Valões

A matemática é a linguagem de Deus. Essa frase costuma ser atribuída ao cientista Galileu Galilei, embora não exista comprovação disso em seus trabalhos. Ainda assim, a afirmação se popularizou e, para aqueles que acreditam em um Criador do universo, faz sentido. Números representam a verdade, estabelecem confiança e segurança, desde que o ser humano os utilize corretamente.

E são os números que estão no centro da mais recente polêmica envolvendo o governo federal e a pandemia do Coronavírus no Brasil. O novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, acaba se de ser empossado e já teve sua primeira turbulência, ao aprovar e logo depois desaprovar, a exigência do registro na certidão de óbito de vítimas do Covid-19 daquele que é o nosso “nome” em forma de números, o CPF.

Pra entender a celeuma, não podemos ignorar outros números, os da contagem de mortos pela pandemia que já desestabiliza o mundo inteiro há mais de um ano. Essa semana, a informação assustadora é de que mais de 310 mil brasileiros já morreram em decorrência de complicações causadas pelo vírus. Uma marca tão angustiante pelos que se foram, quanto pelo questionamento “e quantos mais ainda vão morrer?”, já que não vemos perspectiva de melhoria nessa guerra.

O governo federal tem sido duramente criticado, por conta de suas ações (ou falta de…), além de uma sucessão de posicionamentos e decisões contrárias às recomendações de isolamento, distanciamento, cuidados pessoais e até mesmo dos métodos que a maioria dos médicos seguem. Portanto, a crescente quantidade de internamentos e mortes cai na conta do presidente Bolsonaro, figura central e simbólica do negacionismo de milhares que tropeçam em suas próprias contradições, como o próprio Jair (que já se mostrou antivacina e antivacinação, mas postou foto informando que sua mãe recebeu a vacina), incentivando comportamentos que só pioram a situação que enfrentamos.

Eis que o novo ministro da saúde estabeleceu uma mudança na forma como os estados e municípios informam a quantidade de mortos pela pandemia. No relatório, ele exigiu a inclusão do CPF das vítimas. E a reação dos responsáveis não foi nada boa…

De acordo com secretários de saúde estaduais e municipais, isso criaria uma complicação por dois motivos, a falta de um campo onde se informaria o CPF e o próprio ato de ocupar funcionários da saúde com a coleta/inserção deste novo dado. “NOVO”?

Me corrijam se eu estiver errado, mas a única forma de uma certidão de óbito não ter um CPF é se o finado for indigente, confere? E, embora certamente existam casos de indigentes vitimados pelo Coronavírus, não é concebível que a maioria das mais de 300 mil pessoas que morreram não tenham seu CPF consigo ou ao menos informado por familiares, no local de atendimento onde a morte ocorreu.

Há mais de um ano de pandemia, não tínhamos esse dado tão indispensável sendo fornecido pelos Estados e Municípios ao Ministério da Saúde, dado esse que é composto pelos números do CPF, junto com os relatórios que basicamente passavam… NÚMEROS? Dizer que determinada quantidade de óbitos pelo Covid-19 aconteceu em um dia, sem comprovar nome e CPF de cada vítima, é aceitável?

Nessa equação, entrou também outro número, o dos opositores de Bolsonaro. Imediatamente, nas redes sociais, surgiram acusações de que exigir o CPF, agora, criaria atrasos na atualização dos números de óbitos, o que serviria para criar uma noção errada de redução dos casos. Os responsáveis à níveis estadual e municipal também se queixaram, alegando dificuldades para conseguir CPFs, em meio ao caos da superlotação de hospitais e postos, além de uma aparentemente custosa readequação dos formulários.

O resultado dessa conta é que o ministro revogou a decisão, deixando de lado a exigência do CPF nos relatórios diários de mortes. Mas, sejamos sinceros, deixemos de lado ideologias, por um momento apenas vamos encarar a realidade sem a necessidade de estar na torcida bolsonarista ou na antibolsonarista… A quem interessa não informar o CPF de quem morreu vítima da pandemia?

Sabemos que a corrupção existe, não sumiu diante do Coronavírus, pelo contrário. Vários casos revoltantes de fraudes e desvios, roubos que tiram de muitas pessoas a chance de sobrevivência, ocorreram e estão ocorrendo. Quanto mais garantias e fiscalização, menos golpes acontecerão. E a principal exigência é ter a documentação clara, o registro sem falhas, de todos os números da pandemia.

Números não mentem, pessoas sim. E se existe o risco de vermos os esforços comprometidos pela possibilidade de mentiras por parte de pessoas desonestas, como rejeitar uma forma de garantir a verdade?

Cada morte, como tem sido dito, é mais do que um número. Mas também é verdade que, se cada vítima tem nome, também tem CPF.

Chegou a hora de liberar os “táxis-lotação” em Maceió

  • 22/03/2021 13:35
  • Filipe Valões

Situações extremas, medidas extremas. Em plena pandemia do coronavírus, sob restrições do decreto que colocou Alagoas na fase vermelha, os maceioenses precisam trabalhar e, pra isso, enfrentar diariamente ônibus lotados. A solução ou paliativo pode estar em nossas ruas há um bom tempo, na forma do transporte ainda tido como clandestino, o popular “taxi-lotação”, que divide opiniões.

Mas, agora, não podemos nos dar ao luxo de discussões cheias de nuances. Se antes era possível debater opiniões, considerar as implicações decorrentes de liberar um segmento inteiro de concorrentes diretos das empresas que prestam serviços de transporte coletivo, agora não tem mais jeito.

A frota de ônibus que atende as linhas urbanas da capital nunca foi suficiente. Tanto é que o número de motoristas fazendo lotação com seus veículos particulares ou até mesmo táxis legalizados só aumenta. Se não houvesse demanda da população, obviamente não veríamos tantos clandestinos nas ruas, nos principais pontos de movimentação de Maceió.

As sucessivas e recorrentes operações feitas pela prefeitura, através da SMTT, nunca conseguiram extinguir esse setor informal, apesar de causarem perdas significativas nos bolsos dos motoristas pegos em flagrantes, com multas e taxas pesadas para liberação de seus veículos.

Não é possível ignorar que a existência e a continuidade da atuação desses motoristas é decorrente da insatisfação da população com o transporte público ofertado. Portanto, eles não são e nunca foram um problema. Apenas nunca tiveram força ou reconhecimento suficientes para alcançar voz ativa na discussão que se manteve apenas entre Prefeitura e empresários do transporte coletivo.

Como tudo mais, desde o início da pandemia do coronavírus, isso também precisa ser revisto sob outra ótica. O problema agora é outro, o que antes era transtorno e insatisfação com ônibus cheio, tornou-se uma ameaça das mais graves, com os coletivos promovendo a aglomeração que é condenada em todos os outros setores da sociedade.

Não há perspectiva nem proposta concreta apontando para a ampliação da frota de ônibus em Maceió. Não é possível manter os trabalhadores em casa. Não há como impedir que os motoristas de taxi-lotação ofertem uma alternativa aos passageiros. A solução é óbvia, doa a quem doer.

A prefeitura de Maceió precisa admitir que existe toda uma “frota” já em atividade paralela, que pode contribuir com a redução de aglomerações nos ônibus, além de criar por si só uma movimentação na geração de renda, tão necessária nessa crise que enfrentamos.

E, convenhamos, já passou da hora de acabar com um tipo de perseguição que trata trabalhadores honestos como se fossem criminosos.

Vidas precisam ser preservadas, a economia precisa ser mantida, o transporte não pode parar. Simples assim. Agora é com o prefeito JHC, resolver um problema novo com uma solução antiga.

Guilherme Boulos esqueceu o exemplo de Lula

  • 20/03/2021 18:01
  • Filipe Valões

O equilíbrio talvez seja o elemento mais escasso, nesses tempos caóticos em que vivemos. Tudo está pendendo pra um lado ou pro outro, enquanto qualquer fiapo de estabilidade fica cada vez mais distante. Uma visita recente a Maceió, de uma figura cada vez mais proeminente no cenário político brasileiro, confirmou essa tendência de termos políticos capazes de arrastar multidões enquanto apontam erros, sem ter exatamente muitas propostas concretas.

Guilherme Boulos, visto e tratado por seus apoiadores como um Lula 2.0, fez um tour pela capital alagoana jogando pra galera e batendo em problemas, pessoas e ideias que já possuem naturalmente a rejeição de parte da população. Até aí, nada demais. Assim como seus ídolos inspiradores dos partidos de esquerda, Boulos se dedica às questões sociais, joga luz sobre mazelas crônicas que apenas a parte mais humilde enfrenta desde que o mundo é mundo. Seria algo a não receber questionamentos, exceto…

A cartilha acaba sendo a mesma também no campo das soluções. Declarar guerra à quem o povo já rejeitou, é fácil. Bradar indignação contra o sofrimento de parte considerável da população, é tranquilo. Conclamar os revoltosos para conseguir apoiadores e, consequentemente, eleitores, é esperteza.

No popular, "FALAR, ATÉ PAPAGAIO FALA, QUERO VER É ESCREVER!", poderia ser dito sobre essa velha ladainha.

Guilherme Boulos tem carisma, fala a linguagem das novas gerações, dá a cara à tapa em situações que beiram guerrilhas urbanas, se diz comprometido com o povo. Mas, além da retórica, do imediatismo do embate DIREITA vs ESQUERDA, será que existe um conteúdo válido em suas propostas, com soluções e respostas factíveis?

No cenário atual, em que o bolsonarismo faz questão de assumir um antagonismo ferrenho à qualquer pensamento remotamente de esquerda, claro que é sedutor e instigante para petistas, esquerdistas e outros simpatizantes, ver alguém se colocando como batedor de uma resistência que vive se estranhando. É um Boulos que tem chances de liderar e unificar. Mas deixando de lado a empolgante sensação de ser Davi peitando um Golias, de inverter os papéis de Star Wars - O Império Contra-Ataca e fazer um Os Rebeldes Contra-Atacam versão brasileira, Boulos teria a sobriedade para penssr em todos os outros atores do nosso drama nacional não-fictício?

A maioria dos brasileiros não é rica. Passa perrengues. Vive na batalha diária. Precisa, sim, de programas de distribuição de renda federais, de políticas públicas eficientes. Mas pra um líder, é preciso considerar também as classes de maior poder aquisitivo. Empreendedores, empresários, aqueles que estão no comando da geração de emprego e renda, gostemos disso ou não.

E Guilherme Boulos, talvez por sua juventude, ainda alimenta ou ao menos parece alimentar uma ilusão que pode governar apenas para o povo, como se fosse um tipo de gestor de assistência social. Liderar um movimento tão plural quanto ideológico como é o esquerdismo em todas as suas faces, é mais do que iludir ou se iludir usando a ideia rasa de que basta "peitar os poderosos" ou garantir programas de reparação social.

Afinal, o maior exemplo é o Boulos 1.0, Luís Inacio Lula da Silva. De 1989 até 2002, Lula foi do discurso inflamado e anti-establishment ao Lulinha Paz-e-Amor, ganhando sua primeira eleição presidencial dando às mãos aos industriais, mega empresários e políticos tradicionais, moderados.

Também parece ignorar que, se o povão obteve muitas melhorias em seu poder aquisitivo nos dois mandatos de Lula, os bancos tiveram uma fase dourada, lucrando bilhões no mesmo período.

Guilherme Boulos, o novo Lula, dessa nova geração, precisa entender que nem pra lá, nem pra cá. O melhor para um líder é caminhar acenando pra direita e pra esquerda, sem pender para os lados.

Lula já começou a dar um jeito em Bolsonaro?

  • 16/03/2021 18:59
  • Filipe Valões

É inegável o impacto do retorno de Luís Inácio Lula da Silva nas ações de Jair Bolsonaro. Em poucos dias vimos e ouvimos decisões do atual presidente que, até pouco tempo, seriam improváveis da parte dele. Se Lula e todos que o cercam na política foram essenciais para o discurso de Bolsonaro em 2018, validando a proposta de retirar o grupo político do poder, agora a situação se inverteu de forma surreal: é a volta de Lula ao jogo político que está direcionando pensamentos e atitudes de Bolsonaro.

Claro, a aparência superficial desse momento é de que a reação de Jair, de seus aliados e de seus eleitores à recuperação dos direitos políticos do petista se resumem ao antagonismo às propostas ideológicas “do outro lado”, mas chega a ser cômico  quando olhamos com mais atenção e vemos um nível quase religioso na revolta, eles enxergam nos seus oponentes figuras equivalentes ao demônio, o que talvez explique tudo que ocorreu nessa última semana.

Bolsonaro defendendo ações de isolamento social, vacinação, até mesmo usando máscara! Os bolsonaristas que se apoiavam no negacionismo de Jair para encontrar o que consideravam coragem, até mesmo hostilizando quem aderiu aos protocolos acima, agora estão desorientados, sem saber exatamente o que fazer. É pra fazer isolamento social ou não? Admitir que a vacina é necessária ou não? COLOCAR AQUELA MÁSCARA QUE O PRESIDENTE DESDENHAVA OU NÃO?

O presidente ficou tão, mas tão atordoado pelo retorno de seu arqui-inimigo que esqueceu dos compromisso assumidos com seus apoiadores. Só falta rejeitar a cloroquina. Enquanto isso não acontece, ele está ocupado com outra situação, claramente influenciada também pelo fantasma da eleição futura, usando camisa vermelha, com barba grisalha e a língua presa. A pancada foi tão forte que Bolsonaro trocou o ministro da saúde. Sim, ele, Pazuello, o militar cujo currículo destaca algum conhecimento em logística, mas que fez tudo, MENOS, exercer um controle logístico do ministério mais visado nessa crise. O presidente em momento algum, antes da decisão que deixou Lula livre das acusações, cogitou retirar Pazuello do cargo. Eis que de repente…

A primeira cotada, para o ministério, a cardiologista Ludhmilla Hajjar, declinou o convite alegando divergências entre o que acredita e o que o governo tem feito e pretende continuar fazendo contra o coronavírus. O novo ministro, Marcelo Queiroga, também cardiologista, assume com um discurso bem ao gosto de Bolsonaro, de que vai fazer o que seu mestre mandar.

Portanto, o que aparenta ser algo digno de riso, ver Jair Bolsonaro apavorado com Luís Inácio, contradizendo a si mesmo em atitudes e palavras, também mexendo no Ministério da Saúde no que está sendo um avanço sem precedentes do covid-19 no Brasil, na verdade é motivo de lágrimas para todos os brasileiros.

O homem responsável pelos destinos da nação não se comove com as mortes, como já deixou bem claro, nem sente a necessidade de agir com urgência e emergência contra o inimigo verdadeiro da população, o coronavírus. Mas se sente desesperado, toma decisões e faz mudanças contra seu “inimigo” pessoal, meramente temendo uma possível perda de poder, a não reeleição em 2022.

Os mais otimistas e menos envolvidos na polarização direita-esquerda poderiam até dizer que a presença de Lula teria um efeito positivo, de empurrar Bolsonaro, forçando-o a finalmente agir melhor, pra ganhar qualquer que seja essa disputa por popularidade que existe em sua cabeça. Mas é otimismo demais em um momento da maior gravidade.

A verdade é que, enquanto estamos lutando contra a pandemia, o homem que muitos brasileiros elegeram em 2018 está em outra luta, contra seu concorrente ao cargo na próxima eleição. Estamos por conta própria.

Quer sair? Saia da fila da UTI!

  • 12/03/2021 18:33
  • Filipe Valões

Por toda parte, vemos apelos, frases de efeito, campanhas oficiais e iniciativas pessoais tentando levar a mensagem mais divulgada nos últimos doze meses: precisamos vencer a pandemia. Em alguns momentos, quase pensamos que já foi dito tudo, que essa conversa já saturou nossa paciência, vamos falar de outra coisa…

Mas a cada atualização diária do boletim nacional e dos estaduais, somos lembrados de que, se o covid-19 não dá trégua em seu avanço, nenhum de nós pode baixar a guarda ou deixar de reproduzir as orientações e apelos.

A menos que seja realmente necessário, evite sair de casa.
Entenda que não é mais possível cuidar apenas de si mesmo, essa doença é coletiva.

Não se torne paranóico, mas esteja atento a cada minuto.

Use seu poder de comunicação, pessoalmente ou pela internet, apenas para compartilhar a verdade, ajudando a combater as fake news.

Acredite que vamos superar todo esse sofrimento, se cada um fizer sua parte hoje.

Tudo que está escrito acima não é mais novidade. Você pode até dizer que leu apenas “mais do mesmo”. Ainda assim, enquanto não vencermos de uma vez por todas essa pandemia, não há vergonha em repetir e transmitir essa mensagem.

Vamos voltar a fazer o que gostamos, vamos voltar a sair. Pra isso, precisamos sair da mira do Coronavírus, sair da “fila” que segue para a UTI...

A necessidade do auxílio emergencial

  • 10/03/2021 18:28
  • Filipe Valões

O Auxílio Emergencial já ensaia seu tão aguardado retorno em 2021, mas, enquanto os deputados federais analisam e votam detalhes da PEC que vai redefinir valores e outros pontos, é preciso refletir sobre a inevitabilidade dos programas de transferência de renda no Brasil. Foi-se o tempo em que a parte privilegiada da população podia se dar ao luxo de criticar ou questionar a existência desses dispositivos de combate à desigualdade social.

Até pouco antes da pandemia se espalhar pelo planeta, o Brasil tinha apenas o Bolsa Família, nome criado pelo governo Lula para unificar os programas Bolsa Escola, Bolsa Alimentação e Auxílio-Gás, por sua vez criados pelo governo FHC. Essas iniciativas sempre foram ponto de divergência entre a própria população. Não entre quem precisa, mas entre aqueles que não utilizam e que se dividem entre os que defendem a destinação de verba pública para apoiar pessoas em condições de vulnerabilidade e os que consideram a concessão desse benefício um tipo de moeda de troca pelo voto, mantendo quem recebe tanto refém de políticos quanto “viciados” no auxílio governamental. Essa discussão acabou em 2020.

A desestabilização econômica e social gerada pelo Covid-19 fez com que se tornasse inquestionável não apenas o conceito do Bolsa Família, como sua ampliação na forma do Auxílio Emergencial. O isolamento social, as restrições ao comércio, aos empreendedores, aos trabalhadores informais em geral, literalmente suspenderam a batalha diária pelo ganha-pão dos brasileiros. Foi inevitável usar o dinheiro público alimentado pelos nossos impostos para minimizar os efeitos terríveis das quarentenas sobre o orçamento familiar e a própria economia de municípios e estados.

Claro, existe um fator que apela mais ao medo do que à empatia, para os governantes. A possibilidade de descontentamento social, capaz de gerar revoltas nas ruas, até mesmo saques, obviamente pesou na decisão do Governo Federal. Se nas últimas duas décadas tivemos episódios lamentáveis, onde pessoas comuns se aproveitaram de greves das polícias civil e militar para saquear comércios, não pode desespero ou fome, mas por conta da nossa precária moralidade humana tão dependente de figuras de autoridade para existir um mínimo de civilidade, imaginem o que passou na cabeça das mulheres e homens no comando da nação?

Depois de várias especulações e indefinições, tivemos o Auxílio Emergencial durante quase todo o ano de 2020, um paliativo que atendeu duas necessidades, a do povo e a do Governo. 2021 renovou a incerteza, nesses primeiros dois meses nos quais não se tinha ainda certeza de que haveria renovação do auxílio. Agora, somado a esse instrumento federal, vemos também esforços de Estados e Municípios para contribuir, ainda que timidamente, com essa contingência.

Em Alagoas, o governo estadual implantou o CRIA, que já começou a transferir R$ 100,00 para pessoas em situação vulnerável, um valor pequeno porém valioso, quando o cinto aperta. Somente quem já passou pela angústia de não ter em casa o suficiente para se alimentar, sabe o valor que qualquer quantia, por menor que seja, adquire. Nove outros Estados brasileiros implantaram suas versões de auxílio emergencial de pequeno porte. Até mesmo municípios se juntaram à tendência. Aqui em Alagoas, a prefeitura do Pilar já havia criado seu programa, o Bolsa Viva Bem com valor de R$ 100,00 há cerca de quatro anos, portanto estava bem à frente de uma luta que vemos hoje e era totalmente imprevisível.

Em última análise, a transferência de renda à população mostrou-se uma decisão acertada, muito antes de seu tempo. Ninguém acreditaria que uma situação como esta que vivemos hoje atingiria o mundo inteiro, tornando os mais carentes ainda mais vulneráveis e, mesmo as pessoas com certa estabilidade, passíveis de ajuda governamental.

Talvez seja esse o nosso problema. Tratar a transferência de renda como ajuda e não como um direito em casos excepcionais, afinal, o dinheiro que chega na forma de Bolsa Família ou Auxílio Emergencial na verdade é o imposto que trabalhadores, desempregados, empresários e moradores de rua pagam, quando compram até mesmo um pão, no dia a dia.

Lula livre ou Bolsonaro até 2026, os únicos caminhos do Brasil?

  • 09/03/2021 20:04
  • Filipe Valões

Qual caminho o Brasil deve seguir, em 2022? Parece cedo demais para essa pergunta, 2021 praticamente começou. Mas, sejamos sinceros, estamos sem rumo já faz alguns anos. Talvez desde 2013, quando sementes de descontentamento germinaram, sem gerar nenhum bom fruto.

O impeachment da então presidente Dilma Rousseff foi claramente articulado, conduzido e executado para atender aos interesses de uns poucos, porém apresentado à população como solução para a crise política e econômica que já se agravava. Não resolveu.

O curto e polêmico mandato de Michel Temer oscilou entre medidas impopulares junto à classe trabalhadora e decisões econômicas consideradas sóbrias, o que acabou sendo eclipsado pelas acusações sofridas pelo MDBista, além de sua prisão pouco depois da posse de seu sucessor. E falando nele…

Jair Bolsonaro talvez seja o símbolo maior do dilema enfrentado pelos brasileiros. Idolatrado como salvador da pátria por muitos, rejeitado sob a acusação de ser o problema da nação por muitos outros, o ex-capitão do Exército é tudo, menos uma figura conciliatória. E aí está nosso drama…

Tudo envolvendo a política no Brasil, nos últimos 7, 8 anos, tem polarizado opiniões. Em um nível cada vez mais perigoso. As figuras públicas mais proeminentes neste palco atraem pessoas que optaram por, na falta de termo melhor, ideologias impermeáveis. De um lado, uma parcela da esquerda condena (com razão) os aspectos intolerantes e hipócritas de uma parte da direita que, por sua vez, denuncia (com razão) os casos de corrupção que a esquerda se recusa sequer a ouvir, contra seus ídolos.

Lulistas, petistas, esquerdistas, não toleram acusações contra Luís Inácio.

Bolsonaristas, conservadores, direitistas, não admitem acusações contra Jair Messias.

A impressão que esse cenário cria é de que temos apenas dois caminhos hoje, em 2022 e nas próximas décadas.

Mas, o que realmente nos impede de escolher um terceiro caminho? Ou um quarto, um quinto…? Mais de 200 milhões de brasileiros. Entre os eleitores contabilizados pelo TSE na eleição presidencial de 2018, descontando os que votaram em Fernando Haddad e os que votaram em Jair Bolsonaro, tivemos abstenções, votos brancos e nulos suficientes para colocar um terceiro candidato à frente dos dois.

Existe uma polarização que se tornou regra, um equívoco absurdo, criando a ilusão de que só existem ELES e NÓS, cada lado se considerando justo, santificado, heróico e, principalmente, blindados contra críticas. Um maniqueísmo cativante, que tem um apelo pré-adolescente, mas que eles jamais irão admitir.

Enquanto isso, seguimos vendo o caos imperar, o abismo entre os dois lados crescer, ameaçando engolir todos nós. Agora, vemos o ex-presidente Lula ser dispensado das acusações que sofreu, reacendendo o fogo da estrela vermelha do PT para a eleição de 2022. Nas redes sociais, praticamente começou o embate entre bolsonaristas e petistas.

Teremos um acirramento dos ânimos, negação de realidade, idolatria e ódio na mesma medida, nas duas "torcidas" até o ano que vem. A coisa não parece que vai melhorar, infelizmente.

E você, que não é fã, nem devoto de Lula ou de Bolsonaro… vê apenas esses dois caminhos à sua frente? Ou vai escolher outra rota pro futuro do Brasil?

A riqueza oculta de Alagoas

  • 08/03/2021 19:53
  • Filipe Valões

Alagoas é rica. Essa afirmação pode parecer absurda, diante dos graves problemas sociais e econômicos que enfrentamos há séculos, mas se olharmos com atenção poderemos ver a nossa riqueza. Na tradição, na cultura, nos recursos naturais, na determinação de nosso povo. E na ação de quem traz o futuro para os dias de hoje, valorizando tudo que já temos.

Um dos melhores exemplos disso está em Água Branca, cidade sertaneja cercada por serras e morros, onde a beleza arquitetônica de sua igreja matriz contrasta com a história de sofrimento dos negros escravizados que trabalharam em sua construção. Em uma dessas elevações naturais encontramos os descendentes das mulheres e homens que fundaram o quilombo da Serra das Viúvas, uma comunidade que preserva sua história enquanto constrói uma outra, de avanço e desenvolvimento.

Serra das Viúvas

A principal atividade desses quilombolas sempre foi a agricultura de subsistência, embora também usassem fibras, palhas e cipós para o artesanato. Ao longo de décadas, de geração pra geração, mantiveram essas culturas como formas de sustento, até o momento em que uma abordagem nova foi trazida pelo poder público. Entrou em cena a EMATER, nos anos 1990, dando suporte, auxiliando e apoiando a comunidade da Serra das Viúvas. Teve início um processo de renovação e resgate que transformou a realidade das famílias quilombolas.

Começando pelo ponto mais importante e a partir do qual todas as conquistas vieram: o reconhecimento da condição quilombola. Os próprios moradores da Serra das Viúvas admitem que, para alguns deles, havia a rejeição ou pouca importância dada ao fato de serem descendentes de famílias do quilombo. Por outro lado, o poder público não investia ativamente nesse reconhecimento. Quando ocorreu o alinhamento de ideais, a conscientização de ambos, comunidade e autoridades, teve início um caminho sem volta.

Reassumir a identidade quilombola criou um alicerce sobre o qual a comunidade Serra das Viúvas passou a construir gradualmente uma estrutura admirável. A auto-estima recuperada fez com que as agricultoras e artesãs tivessem noção de seu valor, sua importância e potencial. Elas passaram a ter conhecimento de seus direitos enquanto quilombolas, o que abriu caminho para o acesso às políticas públicas que são suas por direito. 

Associação de Mulheres Artesães Quilombolas - Serra das Viúvas

Nessas três décadas nas quais a EMATER e outros órgãos do poder público atuam em parceria com as quilombolas, os avanços foram muitos. A criação da Associação das Mulheres Artesãs e Quilombolas da Serra das Viúvas, AMAQUI, trouxe estrutura organizacional. Os cursos e consultorias técnicas contribuíram tanto para o incremento da produção agrícola familiar, quanto para a preservação do meio ambiente. E, em relação ao artesanato, essas alagoanas foram muito além do que todos imaginavam. 

Seu trabalho, sua arte, foram reconhecidos em todo Brasil e até mesmo em outros países. Essa nova realidade trouxe para as quilombolas de Água Branca a valorização de seu artesanato, a participação em eventos nacionais e internacionais, o retorno financeiro de seus esforços e, acima de tudo, a autonomia tão desejada por essas mulheres.

Hoje, uma moradora da Serra das Viúvas decide sobre sua vida, suas lutas, seus caminhos. Graças à sua tradição, mas também à decisão de buscar o futuro, para melhorar sua realidade hoje.

Essa é a nossa verdadeira riqueza. São histórias como essa que nos fazem enxergar o quanto nossa Alagoas é rica.

Quem poderá nos salvar do "covidão"?

  • 05/03/2021 18:34
  • Filipe Valões

O que sempre foi um problema no transporte coletivo em Maceió, tornou-se um risco à vida, em tempos de pandemia. A cena é conhecida por todos: ônibus que deveriam transportar certa quantidade de passageiros, sentados e em pé, acabam levando quase três vezes mais pessoas. Antes, era um incômodo, hoje, é uma ameaça. Agora, nas ruas, o povo até arrumou apelido para o coletivo lotado: O COVIDÃO!

A solução não é fácil. De um lado, a população pede mais veículos nas linhas de ônibus, do outro os empresários apresentam suas razões para não aumentar. Mas o que era um cabo de guerra de décadas, muitas vezes negligenciado pelos gestores e parlamentares municipais, que deveriam tomar providências intermediando a situação, tornou-se uma prioridade, uma urgência que pode fazer a diferença no combate ao contágio do Covid-19.

Em seu mais recente decreto, o Governo do Estado implementou uma forma de tentar “distribuir” os usuários do transporte coletivo, ao menos os que trabalham, estabelecendo horários diferentes para abertura de lojas do Centro, shopping centers e lojas de ruas nos bairros. Toda ajuda é bem vinda, toda medida contribui. Ainda assim, é pouco, se considerarmos o outro problema de longa data, a quantidade insuficiente de ônibus para a população maceioense.

A prefeitura de Maceió, recentemente, conseguiu baixar o preço da passagem, o que agradou a maioria dos usuários. Afinal, todos querem pagar menos. Mas olhando para o problema maior, mais antigo e que agora adquire uma gravidade sem comparação. talvez fosse melhor que o Município tivesse deixado a passagem com o mesmo preço e exigido das empresas de ônibus o aumento da frota, para que assim fossem reduzidos o tempo de espera nos pontos e a quantidade de pessoas a cada viagem.

Baixar o preço atendeu um anseio aparentemente imediato, não podemos negar. Mas hoje, o que realmente importa, o que é prioridade e pode garantir que haja um futuro para muita gente, é evitar aglomerações, impedir que trabalhadores sem outra alternativa se vejam obrigados a encher os transportes coletivos, se espremendo nos ainda insuficientes ônibus de Maceió, na incerteza de estarem ao lado de alguém contaminado pelo Coronavírus.

É preciso pensar no povo, em quem faz a sociedade funcionar. Preço menor na passagem não vai salvar vidas, enquanto uma maior quantidade de ônibus com certeza vai reduzir a chance de contaminação, internamento e mortes.

Mas, quem poderá salvar os passageiros do COVIDÃO? O JHC Colorado!

Toque de recolher, uma bijuteria de gestor com eficácia zero

  • 04/03/2021 18:17
  • Filipe Valões

Períodos de apreensão e incertezas, como este pelo qual passamos por conta da pandemia, não permitem desperdício de tempo. É preciso tomar decisões, implementar ações e realizar o que é necessário para o bem comum. Por isso, tem chamado a atenção um tipo de medida que levanta o questionamento da população. Qual o benefício de decretar toque de recolher nas cidades, em parte da noite e durante a madrugada? 

Todos vimos a popularização da palavra inglesa LOCKDOWN, que em nossa própria língua basicamente seria a quarentena, uma forma de reduzir a circulação de pessoas nas ruas ao estritamente essencial. Sair de casa, apenas para compra de alimentação ou medicamentos, inclusive com a fiscalização das forças de segurança. Essa medida extrema acarreta o fechamento de tudo, exceto supermercados (ou mercadinhos, na ausência dos estabelecimentos de grande porte) e farmácias, o que serviria para quebrar a corrente de transmissão formada pela grande quantidade de pessoas nas ruas em dias normais.

Uma decisão que não interessa nem agrada a ninguém, mas que é tomada diante da possibilidade de algo muito pior, no caso, o aumento nos casos de disseminação do Covid-19. Na maioria das cidades que adotou a quarentena, houve redução na transmissão do vírus. Mas, com o inevitável relaxamento nas regras, a reabertura de comércio, a movimentação de pessoas nas vias públicas e aparente retorno à normalidade, também voltam o descuido, os exageros e os números de contágio, internamento e mortes voltam a aumentar.

Eis que, para não provocar a revolta de parte da sociedade, mesmo diante de segundas e terceiras ondas do Covid-19 e suas variantes, os governos substituíram a quarentena ou lockdown de fato, por uma medida que pode se mostrar tão inócua quanto um desperdício de tempo valioso: o toque de recolher durante noite e madrugada.

Analisando superficialmente, vemos logo de cara que a decisão não atinge nem mesmo o problema em si que deveria enfrentar. Impedir a circulação de pessoas só faz sentido quando, obviamente, temos muitas pessoas circulando. E não é o caso desses horários. Seria cômico, não fosse trágico, termos de argumentar que é totalmente desproporcional o número de pessoas se deslocando durante o dia em relação aos que saem de noite e, mais ainda, de madrugada.

Quem seria impedido, pelo toque de recolher? Pessoas que sairiam de noite para bares, restaurantes e outros locais de lazer. Pra isso, não há necessidade dessa medida, bastaria incluir novamente os estabelecimentos na lista de locais impedidos de abrir suas portas durante um determinado período, como tem sido feito pelos decretos estaduais e municipais.

É desanimador imaginar que o toque de recolher é meramente uma medida “de fachada”, algo que os gestores sabem de antemão não ter eficácia alguma, mas que servem ao propósito de mostrar serviço, demonstrar que alguma coisa está sendo feita. Mesmo que não sirva pra nada, na prática.

Ao menos da forma como estamos vendo, quarentena ou lockdown seria algo valioso, enquanto o toque de recolher não passa de uma mera bijuteria.