Blog da Cibele Moura

A crise que não podemos esquecer: a crise da educação

  • Redação
  • 28/04/2020 18:22
  • Blog da Cibele Moura

Estamos em um momento crítico, momento de criseS com s maiúsculo. Crise da saúde, crise econômica, crise política… Mas uma, em especial, vem me preocupando muito principalmente porque poucos estão atentos a ela. É a crise da educação.

Sempre defendi educação como base principal de qualquer sociedade que se preze, agora não seria diferente. Sabemos que a educação pública enfrenta grandes desafios, que vão desde a falta de estrutura física adequada, a evasão escolar até a desvalorização do professor. Em 2020 esses desafios continuam existindo, com um agravante importante: o coronavírus.

Com a chegada do vírus, nossos alunos passaram a não poder frequentar o ambiente da sala de aula, para evitar aglomeração. Várias perguntas surgiram a partir dessa proibição: “Como o aprendizado vai ocorrer?” “Os alunos vão perder o ano?” “E o calendário escolar?”. Perguntas, essas, que precisam ser amplamente debatidas e respondidas. Esse é o objetivo desta que vos escreve, ampliar o debate e buscar soluções junto à sociedade alagoana. 

Em Alagoas, temos aproximadamente 170 mil alunos regulamente matriculados na rede estadual de ensino. São 170 mil jovens que estão sem frequentar aulas e, provavelmente, vão ficar mais um bom período de tempo longe das salas de ensino. O governo do Estado desenvolveu o "Regime Especial de Atividades Escolares não Presenciais”, mecanismo que vai instituir a aula remota para os alunos da rede pública. Importante entendermos que aulas remotas são diferentes de aulas de EAD, tendo em vista os princípios utilizados, EAD tem metodologia própria e diferente das adotadas nas salas de aula tradicionais. O que vem sendo proposto a Alagoas, e vou um pouco mais além, ao Brasil, é um ensino que se assemelha ao EAD apenas no uso da tecnologia como vetor.  

Sabemos que a realidade entre os alunos é bem diferente, mesmo dentro da escola pública. A desigualdade social é presente. Possuímos alunos em extrema vulnerabilidade e que vão à escola apenas para se alimentar, grande preocupação que trago comigo. Me permitam o parêntese para dizer que a esses alunos o governo alagoano decidiu instituir uma ajuda de custo no valor de 50 reais, através de lei de nossa autoria. Mas e quanto ao aprendizado? Esses alunos, com toda certeza, vão encontrar mais dificuldades. 

A internet em muitos casos não é de fácil acesso, isso quando o conexão pode existir. Segundo o IBGE, em pesquisa publicada em 2017, mais de 40% das residências alagoanas não tinham acesso a internet.  O que implica dizer que a falta de aulas presenciais, com certeza afetará negativamente a aprendizagem em Alagoas. Afinal, as dificuldades são reais. É necessário que encontremos saídas para diminuir os impactos provocados pelo novo coronavírus, e minimizar as perdas educacionais que vamos enfrentar. A pergunta que fica é: como resolveremos todos esses problemas? Esse é o grande desafio. Não ha resposta fácil, mas uma coisa é certa: precisamos agir urgentemente, o futuro dos nossos alunos não vai esperar.

Carta aberta aos jornalistas alagoanos

  • Redação
  • 07/04/2020 14:40
  • Blog da Cibele Moura

Oi. Hoje quero falar diretamente com vocês que possuem como função, e missão de vida, nos informar. Aqui, o papel vai inverter um pouquinho. Peço licença pra iniciar uma conversa com os jornalistas alagoanos.

Vivemos tempos difíceis e de diversas incertezas. A economia mundial patina, nosso sistema de saúde podendo entrar em colapso e momentos, sempre difíceis, no campo político. Além, é claro, das famosas e sempre presentes fake news. Quem ainda não se deparou com uma notícia falsa circulando nos grupos de WhatsApp?! Basta estar em uma rede social para ser bombardeado por notícias falsas e informações duvidosas.  Porém, vocês, mais do que ninguém, possuem a maior arma para enfrentarmos a fakes news, não só transmitindo informação, mas transformando em conhecimento para que possamos formar a nossa própria opinião. 

As liberdades de expressão e de imprensa são grandes conquistas da nossa jovem, não custa lembrar, democracia. A história do Brasil demonstra que, nos principais momentos políticos que passamos, o Jornalismo nunca foi bem visto por aqueles que estão no poder, prova disso são os diversos jornalistas perseguidos durante o Reinado, Velha República, Estado Novo e na Ditadura Militar de 1964.

Até a consolidação do Estado Democrático de Direito, estabelecido pela Constituição Federal de 1988, nenhum poder conseguiu conviver democraticamente com a liberdade de imprensa. Entretanto, é importante que aprendamos com os erros do passado para que não os cometamos no futuro, ou até mesmo no presente.

No momento, vivemos crises jamais vistas. O novo Coronavírus, infelizmente, chegou. Vocês estão na linha de frente e é de importância indiscutível para a sociedade o papel da imprensa comprometida com a verdade dos fatos. Os rumos ainda são incertos, várias correntes se apresentam e tentam nos convencer qual o melhor caminho a seguir. Mas é através da informação, e somente dela, que vamos conseguir enfrentar essa crise com a seriedade que é necessária.

Portanto, a palavra de ordem é liberdade. E considerando todas as adversidades que já sofreram no passado, os jornalistas possuem a liberdade – e o dever cívico – de transmitir o conhecimento ao nosso povo, de maneira independente e verdadeira. Por isso, meus parabéns a todos os jornalistas e profissionais de comunicação, principalmente os do meu Estado, pois sabem, mais do que ninguém, como é difícil acordar calado.