Policiais militares de diversos batalhões continuam ocupando os acessos à Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, na manhã desta terça (24).

O clima na comunidade é de aparente tranquilidade, bem diferente da segunda-feira (23), quando cinco suspeitos morreram e outros 12 foram presos.

Segundo a polícia, não houve tiroteio durante a madrugada.

Nesta terça, o Batalhão Florestal da Polícia Militar também vai ajudar no reforço do patrulhamento na região. Está prevista para esta manhã uma operação na mata daquela área. A polícia acredita que ainda haja criminosos escondidos no local.

O tiroteio da noite de segunda levou medo a moradores de cinco bairros da Zona Sul: Copacabana, Lagoa, Humaitá, Botafogo e Jardim Botânico. No confronto, quatro homens morreram. Na tarde de segunda, um outro suspeito morreu em outra troca de tiros.

De acordo com a Polícia, traficantes da Rocinha tentam tomar pontos de venda de drogas na Ladeira dos Tabajaras desde sábado (21).  

Tentativa de fuga com assalto

Na noite de segunda, criminosos tentaram roubar um carro na Rua Santa Clara, uma das mais movimentadas do bairro, quando foram vistos por policiais militares. Houve troca de tiros no local. Parte do comércio nas ruas Santa Clara, Figueiredo de Magalhães e Tonelero foi fechado.

De acordo com a PM, o Túnel Velho, uma das ligações entre Botafogo e Copacabana, e o Túnel Major Rubens Vaz, ambos próximos ao local do tiroteio, chegaram a fechar.

 Segundo o comandante do batalhão de Botafogo, coronel Gileade Albuquerque, uma equipe da 20ª DP (Vila Isabel) ficou encurralada na Ladeira dos Tabajaras. Equipes do batalhão foram até o local tentar o resgate e houve troca de tiros.

Operários reféns

A polícia informou que, para fugir da troca de tiros na região, três suspeitos fizeram de reféns cinco operários de uma obra no fim da Rua Macedo Sobrinho, no Humaitá, também Zona Sul. Os suspeitos queriam trocar de roupa com os operários e passar despercebido pelas ruas.

Segundo a PM, os suspeitos foram interceptados no início da tarde de segunda. Um dos homens dava uma "gravata" em um trabalhador, enquanto o segundo já usava um capacete de proteção e o terceiro ainda carregava um fuzil.

O comandante do 23º BPM (Leblon), o tenente-coronel Henrique Lima de Castro Saraiva, negociou com os criminosos para conseguir libertar os operários. Lima de Castro disse a eles que caso se entregassem, seriam levados para delegacia. Houve tiroteio no local e muitos motoristas ficaram assustados.

Segundo os PMs, o Batalhão de Operações Especiais (Bope) subiu no fim da mesma tarde a Ladeira à procura de suspeitos que ainda pudessem estar escondidos na mata que liga a favela à Rua Sacopã, já na Lagoa, também na Zona Sul do Rio, onde há outra favela.

Apreensões

A operação da Polícia Militar contou com 120 homens de 11 batalhões diferentes. Na ocasião, foram apreendidas sete pistolas, três espingardas, uma carabina, um fuzil e nove granadas.

Vítimas

Na segunda, um homem que fazia a segurança da Rua Casuarina, no Humaitá, ficou ferido no abdômen durante um tiroteio. Não há informações se a vítima chegou a trocar tiros com criminosos.

Também no Humaitá, uma bala perdida atingiu o apartamento de uma arquiteta. A informação foi dada pela mãe da vítima, que disse que o tiro entrou na casa da filha na hora do tiroteio na Ladeira dos Tabajaras.

Segundo ela, a faxineira estava no apartamento na hora, mas não ficou ferida. O tiro acertou o vidro da janela da sala e parte da persiana. Ela, que é moradora do Jardim Botânico, disse ter ouvido muitos tiros durante a madrugada.
Policiais do 19º BPM (Copacabana) e do 23º BPM (Leblon) foram até os acessos à Ladeira dos Tabajaras para tentar prender criminosos.

De acordo com os policiais, traficantes se esconderam na mata no final da Rua Sacopã, na Fonte da Saudade, Lagoa, que, cruzando a mata, permite o acesso à Ladeira dos Tabajaras.

Pânico no Humaitá e Lagoa

A troca de tiros também  assustou moradores das ruas do Humaitá e da Lagoa. Um morador do Humaitá, que não quis se identificar, teve seu apartamento atingido por um tiro de fuzil.

“Fiquei muito assustado. Moro aqui há 32 anos e nunca vi coisa parecida. A impressão era que os tiros eram disparados na esquina da minha casa”, contou.