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Ver um filme de Tim Burton é embarcar numa aventura de cores fortes, personagens bizarramente interessantes e histórias que emulam contos de fadas para adultos.
Fã do escritor Edgar Allan Poe, Tim trouxe para seus filmes a influência dos filmes de terror que marcaram sua juventude e soube adicionar humor à mistura para suavizar o gênero.

"Os Fantasmas se Divertem" (1988) mostrou que a receita teria êxito. Geena Davis e Alec Baldwin formam o casal, que, após a morte, tenta assombrar os novos moradores da casa em que vivia, mas no processo acaba por despertar o espírito anarquista Beetlejuice (Michael Keaton, em interpretação inspirada).
A próxima missão do diretor foi emprestar sua visão para o homem-morcego. "Batman" de 1989 trouxe ressalvas quanto a escalação de Keaton como protagonista, mas eternizou Jack Nicholson na pele do vilão Coringa. Pelo menos até a versão de Heath Ledger. O filme foi bem e garantiu uma sequência, "Batman - O retorno" (1992), até a franquia do herói ir parar nas mãos pouco competentes de Joel Schumacher ("Por um Fio"). 
Entre as aventuras do paladino de Gotham, em 1990, Tim Burton lança aquela que considero a grande jóia de sua carreira: "Edward Mãos de Tesoura" (1990).
Se hoje "A Forma da Água" (2017) recebe elogios e aplausos calorosos, Edward merece o reconhecimento de irmão mais velho, que tratou do mesmo tema com sensibilidade, sagacidade e poesia. 
A fábula sobre o jovem com tesouras no lugar das mãos, criado artificialmente em uma velha mansão, e que é obrigado a interagir com o mundo após a morte de seu criador, marcou a primeira parceria entre o diretor e o ator Johnny Depp. Winona Ryder co-estrela e protagoniza uma linda cena em que dança sob a neve da escultura de Edward. A música do compositor Danny Elfman, outro parceiro frequente em sua filmografia, agrega emoção ao momento.
Porém, tantos acertos não livrou Burton de escolhas equivocadas. O reboot da franquia de sucesso "Planeta dos Macacos" (2001), com Mark Wahlberg e Tim Roth, fez a crítica torcer o nariz. O final sem sentido corrobora com a birra.
Trazer Willy Wonka de volta a vida para o remake do clássico imortalizado por Gene Wilder ("A Fantástica Fabrica de Chocolates", 1971) também não foi um acerto. Depp, que encarnou o dono da fábrica de guloseimas, passa longe da aura mágica de Wilder e perto demais das esquisitices de um famigerado rei do pop.
A dobradinha Burton - Depp pedia descanso.
Entre as produções mornas que viriam a seguir, "Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas" (2003) é uma preciosidade.
A relação de pai e filho ganha ares de fantasia para ilustrar as reflexões sobre ausências, admiração e a maneira de enxergar a vida.

Entre erros e acertos nao há como ficar indiferente ao estranho e instigante mundo de Tim Burton. 

Top 3:
"Edward Mãos de Tesoura" 9.5
"Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas" 9.0
"Batman" 8.5