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     Culturalmente, o bordão "Em briga de marido e mulher não se mete a colher" ganhou popularidade e como tantos outros, passamos a repeti-lo sem depositar nele maiores julgamentos de senso crítico.

     De acordo com dados recentes do Instituto Maria da Penha, a cada 7.2 segundos uma mulher é vítima DE VIOLÊNCIA FÍSICA (isso sem contar as demais formas de violências que se apresentam frente às mulheres).

   O que acontece é que num país que apresenta dados tão relevantes no que concerne a vida feminina em sociedade, é praticamente impossível levar a sério o dito popular em questão.

    No mês passado, em Curitiba, morreu Tatiane Spitzner. A advogada foi arremessada (ao que tudo indica, já sem vida) da varanda de seu apartamento. Diversos vídeos das agressões sofridas pelo seu marido e também do momento da queda passaram a circular na rede. Testemunhas informaram a polícia que ouviram os gritos de socorro de Tatiane quinze minutos antes de sua morte.

     Ela se foi. Abatida aos 29 anos pela cultura de violência que permeia a existência da mulher. Sua morte poderia ter sido evitada se passássemos a abandonar a falácia de que em briga de casal ninguém deve se meter.

     A verdade é que em briga violenta a gente precisa interferir. Os dados são assombrosos e é nossa responsabilidade estarmos atentas para que nossa vizinha, por exemplo, não vire também estatística.

     Quando há violência em uma briga de casal, a gente tem que meter a colher e também a polícia.