Agência Brasil Dabbda03 917a 4fb9 93cf bdda57fdb6d1 Renan e Quintella, pré-campanha para o Senado

Como colocado pela Coluna Labafero: o ex-ministro dos Transportes e deputado federal Maurício Quintella Lessa (PR) corre o Estado em busca de apoios de prefeitos. O ex-ministro que tão facilmente mudou de lado quando soube que o prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), não era mais candidato, trabalha incansavelmente para realizar o sonho de ser senador da República. 

Com Renan Calheiros (MDB), Quintella busca consolidar onde tem o “primeiro voto” e parte em busca do segundo voto ao lado do emedebista, na chapa encabeçada pelo governador Renan Filho (MDB). Já falei aqui neste blog: a aliança entre Quintella e Calheiros é tipo um casamento de “jacaré com cobra” do ponto de vista das convicções que ambos externam. 

Quintella nos últimos anos se tornou um crítico às ideologias de esquerda, incluindo aí o Partido dos Trabalhadores. Votou pelo impeachment e fez parte do governo do presidente Michel Temer (MDB). Do outro lado, Renan Calheiros virou um esquerdista profissional em seu apoio incondicional ao condenado e ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula (PT), e é o mais ferrenho opositor de Temer. 

Há vários outros pontos em que ambos demonstram visões de mundo diferentes: Calheiros é desarmamentista. Quintella defende o direito do cidadão ter porte de armas. Isto é só um exemplo. 

Mas como eleição é matemática, isso parece não atrapalhar Renan Calheiros e Quintella. Então, convicções vão para o saco de lixo quando os cálculos eleitorais começam a serem feitos em guardanapos nas mesas de jantares, cafés, almoços e reuniões não-públicas. 

Assim, Quintella pavimenta o seu caminho em busca - conforme a Coluna Labafero - de 70 prefeitos para formar a sua base. Ele se tornou uma ameaça ao senador Benedito de Lira (PP), que já se licenciou do cargo para trabalhar sua eleição. Lira tem estrutura, mas dificuldades de montar um bloco político, já que Rui Palmeira não é candidato ao governo. O PSDB é um partido mais perdido que cego em tiroteio e outros aliados não possuem nomes para a cabeça da chapa. 

Os tucanos possuem um candidato ao Senado Federal. Trata-se do deputado estadual Rodrigo Cunha (PSDB). Mas esse não vai subir no palanque ao lado de Benedito de Lira. Pelo menos até aqui essa em sido a postura de Cunha, que se posiciona como um lobo solitário no processo eleitoral. Ou seja: de forma independente e sem falar de alianças para as proporcionais tucanas. É como se para ele pouco importasse. 

Regressando à Quintella: o deputado federal pode ter um incremento em sua campanha diante da desistência do deputado federal Marx Beltrão (MDB) na disputa pelo Senado Federal. Beltrão só não é o típico caso do nadador que muito briga contra o mar para morrer na praia por conta de seu reduto eleitoral que pode lhe garantir o retorno à Câmara de Deputados. 

Beltrão investiu. Ensaiou a ruptura com o MDB ao mudar do partido. Mas viu que os mares são turbulentos. Disputará o mesmo cargo que disputou em 2014 para garantir o apoio dos Renans. O homem que não desistiria de jeito algum desistiu ao encarar a realidade. Na aliança com os Calheiros, Marx terá dois senadores para votar: Quintella e Renan. Logo, são votos bem-vindos para o ex-ministro do Transporte, ainda mais quando ambos fizeram uma dobradinha no ministério. A relação entre os dois é boa. 

Em todo caso, Marx Beltrão foi vítima do xadrez que Renan Calheiros joga tão bem. Bom para Maurício Quintella. A eleição é mesmo uma máquina de moer gente! 

Quintella - ainda ao que tudo indica - não vai precisar se explicar muito à opinião pública sobre as distâncias entre os seus posicionamentos e o que pensa o MDB de Alagoas. Infelizmente, não é isso que motiva muitos votos quando há o efeito manada. Uma pena! Afinal, Quintella deve essas explicações e as contradições de suas posturas diante de posições já assumidas mereciam destaque. 

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