O quadro político no Nordeste difere completamente dos estados das outras regiões do país. O fator Lula e a indefinição sobre a candidatura do ex-presidente retardam diversas decisões sobre coligações e apoios a projetos nacionais.

Até partidos que têm pré-candidatura própria, MDB e PCdoB, aguardam dar um passo adiante por outro candidato que não seja Lula por medo de perder o apoio popular. É que o petista lidera com folga as pesquisas eleitorais em todos os estados nordestinos e ainda transfere votos.

Com exceção dos estados onde o PT tem candidatura própria e consolidadas, casos do Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Bahia, nos demais, inclusive naqueles onde os candidatos dos partidos apoiaram o impeachment de Dilma, a tendência é que apoiem Lula. É o caso de Roseana Sarney (MDB), que disputa o governo do Maranhão, e os Calheiros em Alagoas.

Há, ainda, alguns dilemas. O PCdoB da presidenciável Manuela D’ávila e do governador do Maranhão Flávio Dino, aliado do PT, tem evitado tomar algumas decisões enquanto aguarda definições no cenário nacional.

O caso do PSB é ainda mais complicado. O partido está dividido no cenário nacional sobre qual caminho seguir. Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB) são as principais alternativas. Entretanto, não é o caso do Nordeste.

Os governadores e postulantes do PSB são próximos ao PT e a candidatura Lula. Na Paraíba, o governador Ricardo Coutinho tem o PT em sua base de apoio e seu escolhido para o pleito, João Azevedo (PSB), devem apoiar Lula.

A situação é semelhante a de Paulo Câmara (PSB), governador de Pernambuco, apesar da pré-candidatura da vereadora de Recife, Marília Arraes (PT).

Em Sergipe, a candidatura ao governo do deputado federal Valadares Filho (PSB), líder nas pesquisas, deve contar com o apoio do PT e garantir mais um palanque para Lula.

Afinal de contas, todos vão precisar do prestígio do ex-presidente, candidato ou não, na campanha eleitoral, porque é o maior cabo eleitoral da região, segundo pesquisas.