Foto: Reprodução / Internet E6953a7e 2118 4e8c 88af 8948b2b51ba8 Fernando Collor

Após o pequeno PTC desistir de lançá-lo na disputa pela presidência do país, o senador Fernando Collor de Mello - que antes se "vendia” como uma solução fora dos extremos - concedeu uma longa entrevista à Revista Veja. Basicamente, Collor se defendeu das denúncias de corrupção que pesam contra ele, atacou a Lava Jato e defendeu o ex-presidente condenado Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula (PT). 

A entrevista não trouxe novidades em relação aos passos de Collor no cenário político de 2018. Como não há mais uma candidatura à Presidência da República (talvez nunca houvesse!), o nome do senador é sondado para uma disputa paroquial pelo Executivo alagoano. No entanto, a Revista Veja ainda o coloca como candidato ao Palácio do Planalto, mesmo depois da nota divulgada pelo PTC. Logo, não se interessou pelo cenário alagoano, onde Collor ainda de conversas com o senador Renan Calheiros (MDB) e o governador Renan Filho (MDB).

A primeira pergunta da entrevista é: “O senhor é corrupto?”. Ora, independente de Collor ter culpa ou não no cartório (que será definido pela Justiça), qual senador da República, de forma geral mesmo, responderia “sim” a esta pergunta? É claro que Collor destacou: “Não sou corrupto”. Pronto. Essa é a manchete de Veja. 

Mas Veja vai além e questiona Collor sobre as transferências de dinheiro do doleiro Alberto Yousseff para ele. O senador do PTC responde: “Não tenho a menor ideia do que essas transferências significam. Quando o dinheiro surgiu questionei a origem dele. Não conhecia a pessoa. Não sabia de quem se tratava. Pedi ao banco que o deixasse de fora da minha conta até que a política visse o motivo da daquele depósito. O dinheiro continua na conta. Está a disposição. Se o Youssef quiser mandar pegar e a Justiça autorizar, pode pegar. Está lá”. 

Difícil acreditar na versão de Collor, que aponta para o aparecimento de recurso em sua conta absolutamente do nada. Mas numa coisa Collor pode estar certo: “A Lava Jato não demoliu a classe política” que aí se encontra. E por classe política entendamos: o estamento burocrático que toma conta do poder em Brasília (DF). 

Os caciques se farão presentes na próxima legislatura. O senador alagoano crava nisso: “Se alguém achar que o Congresso vai mudar, estará errado. O Congress vai continuar da maneira que está”, diz Collor. 

É, é possível apostar que ele está coberto de razão nesse sentido, bastando olhar para as pesquisas de intenção de votos nos estados da federação. Alagoas é um exemplo disso. As velhas figurinhas carimbadas da política alagoana, com seus processos e suspeitas, lideram a corrida pelos votos. 

O problema é Collor acreditar (se é que acredita) que a função da Lava Jato foi demolir a classe política. É vitimismo ou parlapatice? A Lava Jato, na realidade, escancarou o estamento burocrático ao mostrar as entranhas dos governos mais corruptos da história desse país, que foram liderados pelo ex-presidente condenado Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula (PT) e a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). 

Além disso, mostrou que PSDB faz parte dessa estratégia das tesouras e que outros partidos são meros satélites na órbita da corrupção, dentro de um metacapitalismo a favorecer os “campeões nacionais”, com seus cartéis e clubinhos. O MDB é parte do problema. Jamais a solução.

Há erros cometidos pela Lava Jato? Sim. Quem for podre, que se quebre. Agora, não dá para negar o que foi exposto pela operação desde que ela iniciou. Os responsáveis são os criminosos - entre políticos e outros agentes - que quebraram esse país, aprofundando uma corrupção não só material como moral. 

Se para Collor houve gângsters na Procuradoria Geral da República, o que dizer das raposas do Congresso? Por acaso é um mosteiro perseguido injustamente? É preciso muita paciência para ler a entrevista de Collor.

O senador alagoano diz que provará sua inocência. Como destaquei anteriormente: aí é com a Justiça. Se for realmente inocente, que tenha a inocência reconhecida. Motivo pelo qual Collor tem que ter o direito à ampla defesa. 

Mas para o vitimismo da classe política ficar completo na entrevista de Collor, tinha que ter a defesa de Lula. Ao ser indagado sobre o ex-presidente condenado a 12 anos por corrupção e lavagem de dinheiro, Collor pontua: “Ao que parece, vem sendo cometida uma série de injustiças. O rito com que os processos dele vêm sendo tratado é turbinado. Além disso, avalio a pena como exagerada. O mesmo TRF-4 que nos proporcionou esse espetáculo absolutamente surrealista no domingo recebe uma sentença de nove anos dada ao Lula e aumenta em mais três anos sem apresentar fato novo”.

Collor se faz de bobo nessa declaração. Só pode. Primeiro: quem proporcionou o “espetáculo absolutamente surrealista no domingo” não foi o TRF-4, mas sim um desembargador (Rogério Favreto) que foi filiado ao PT por anos e trabalhou em governos petistas. Ele que decidiu por um habeas corpus sem que houvesse fato novo e recebeu a ação em um plantão, de forma estrategicamente calculada por deputados federais petistas. Collor não desconhece esses fatos. O que o TRF-4 fez foi arrumar a casa diante da confusão jurídica causada pelo PT. 

Segundo: quando o TRF-4 amplia a pena de Lula não tem absolutamente nada a ver com fatos novos, mas sim analisando os mesmos fatos do processo e recalculando a dosimetria de pena, o que pode ocorrer em tribunais tanto para mais ou para menos. A declaração do senador alagoano não faz sentido algum, a não ser a pela estratégia de usar de sofismas para, na mesma entrevista, afirmar que Lula não é corrupto. 

Collor parece ter pelo PT um amor que o PT dispensa a Collor. Afinal, em campanhas presidenciais o Partido os Trabalhadores já usou da imagem de Collor para atacar Marina Silva. E olhe que o senador alagoano já era um aliado de Lula e Dilma. Mas, Fernando Collor de Mello é crescidinho e muito bem informado para, em sua atual fase de vida, sofrer da síndrome de Estocolmo.
 

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