Foto: Uncisal/Arquivo 13897056977268 Hospital Hélvio Auto

As unidades de saúde mantidas pela Uncisal (Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas) vêm sofrendo com a ausência de abastecimento de insumos básicos para o atendimento aos pacientes, o que acaba provocando uma crise sem precedência.

O Hospital Escola Hélvio Auto (HEHA), referência no tratamento de doenças infectocontagiosas em todo o estado, que atende 100% pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), funciona, hoje, com abastecimento em pequenas quantidades e 104 leitos de enfermaria, 40 a menos que na década de 90. Além dessa unidade, a universidade mantém outras duas que são referências na assistência à população, o Hospital Escola Portugal Ramalho e a Maternidade Escola Santa Mônica, o que chega a corresponder a 80% dos atendimentos do SUS em Alagoas.
 
Após passar por problemas de abastecimento dos medicamentos, insumos, materiais e produtos médicos, cirúrgicos e hospitalares necessários para tornar viável o atendimento e tratamento adequado à população, chegando a suspender internações no início deste ano, a Justiça determinou o abastecimento de forma ininterrupta do HEHA.

Profissionais de saúde do hospital falam que, mesmo após a determinação judicial, faltam materiais básicos para procedimentos em pacientes. “As endoscopias estavam paradas porque faltava uma fita que verifica a eficácia do germicida que desinfeta os aparelhos, uma besteira, mas leva um ano pra consertar; agulhas para biopsia de fígado ficaram de comprar faz quase um ano; e vários outros materiais fundamentais para diversos procedimentos”, disse um funcionário, que preferiu não se identificar. 

Para o Conselho Estadual de Saúde (CES), instância que fiscaliza, acompanha e monitora as políticas públicas de saúde, é inadmissível que o hospital referência em doenças infectocontagiosas sofra com desabastecimento de insumos e medicamentos. “O Conselho já tem denunciado e cobrado ao Estado. Não é apenas o Hélvio Auto, as outras unidades de saúde administradas pela Uncisal também estão nessa situação. O que acontece é que a Uncisal tem um déficit orçamentário que vem acumulando há alguns anos e agora está ficando insustentável. Isso é um desrespeito com a população, a Saúde não está bem e não vemos boa vontade dos gestores", afirma o presidente Jesonias da Silva.

A assessoria do hospital informou que os 40 leitos a mais na década de 90, foram pra suprir o aumento de pacientes devido à epidemia de cólera na época. E, com o tempo, foram sendo distribuídos em outros serviços, como Unidade de Terapia Intensiva (UTI), ultrassom, serviço de colonoscopia e endoscopia. Ainda segundo a assessoria, o abastecimento de insumos e medicamentos é de forma gradual e já chegaram a faltar materiais, mas no mesmo dia acontece abastecimento. 

A Uncisal, por meio de nota, disse que está fazendo o possível para resolver o problema de abastecimento do hospital e que entregará nos próximos dias, um relatório com todo o levantamento dos repasses financeiros à Uncisal, para a Defensoria Pública de Alagoas. 

De acordo com o reitor, um relatório com todo o levantamento dos repasses financeiros à Uncisal nos últimos anos será entregue nos próximos dias à Defensoria Pública do Estado. "São documentos e dados obtidos de fontes oficiais do Governo do Estado e que comprovam que a crise de abastecimento das unidades hospitalares da rede Uncisal tem sido provocada pela redução histórica do repasse financeiro". 

Henrique Costa esclareceu que conversou nesta terça-feira (10) com o secretário de saúde, Christian Teixeira e que este se comprometeu a regularizar os valores não repassados. "O reitor defende a importância dos hospitais escolas pertencerem à Universidade, pela necessidade de práticas dos estudantes, já que a instituição garante o acompanhamento dos seus discentes em hospitais que são referências no estado. À frente da Uncisal há apenas oito meses, o reitor Henrique Costa tem travado uma verdadeira luta para manter a Uncisal referência no ensino na área da saúde e também sua assistência à população através das suas unidades: Hospital Escola Hélvio Auto, Hospital Escola Portugal Ramalho e Maternidade Escola Santa Mônica. Levantamento recente feito pela Secretaria de Planejamento para o Guia de Serviços do Governo do Estado apontou que a Uncisal oferece cerca de 600 serviços à população, respondendo atualmente por cerca de 80% dos serviços do SUS no estado", diz trecho da nota.

O reitor Henrique Costa ratifica que a Uncisal tem uma importância imensa para Alagoas, já formou milhares de profissionais ao longo dos seus 50 anos e, portanto, merece ser tratada com respeito. “Não falta competência da gestão, falta recurso. Mas isso é um problema que deve ser solucionado em breve”.

*Estagiária.