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Meu pai era um sujeito áspero, costurava palavras com a franqueza de faca amolada pelas estradas da vida.
Embalado pela determinação fugiu logo cedo, do município de  Matriz de Camaragibe, da prisão subalterna do corte da cana nas Usinas. Meu pai decidiu fazer a vida na capital, ser seu próprio patrão e vencer.
Matriz Camaragibe é um município alagoano, distante 65 km da capital Maceió,
Lembro-me do meu pai sempre com jornais e revistas abertos, decifrando o enigma do mundo por trás das letras, de não tão fácil compreensão.
Meu pai era semi-analfabeto, mas lia o mundo com uma sutileza de detalhes que deixava muito gente boa no bolso.
Um mago na arte de revisitar o ferro. Funileiro era conhecido como mestre, e mestre se fiz  referência.
Faz tempo que meu pai morreu- quinze  anos- e de quando em vez me pego querendo partilhar os caminhos que hoje aprendo. Me pego querendo encompridar a conversa para falar de política e políticos. Sintetizava a definição do ser político assim: “uns cabras safados”, com exceção de um ou outra.
As lembranças, às vezes se desvanecem na memória, mas ficam coladas n’alma. Para sempre!
Hoje minha filha, cavoucando lembranças disse: Se o vô tivesse vivo tudo seria diferente.
Seria? Talvez. Não sei!
Meu  pai me chamava de Sinhá Arísia e não economizava no conselho:" O nome de um homem é o bem mais valioso que ele tem".
Dizia e repetia.
Hoje tento me guiar em seus conselhos na educação da minha filha que um dia terá a herança do avô e da mãe, misturadas.
É a vida que segue...
Parabéns, Seu Antônio Pedro!

Mojubá!