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Conversei com o empresário Eduardo Mufarej, que um dos fundadores do RenovaBR: um movimento nacional que visa ser uma ponte entre novos políticos e a sociedade. 

O Renova BR surge de forma apartidária, agregando as mais diferentes correntes ideológicas dentro do movimento. 

Segundo Mufarej, isso é possível pela busca de um ponto de convergência, mesmo diante de valores distintos e muitas vezes visões de Estado completamente opostas, como ocorre entre liberais e esquerdistas. 

Todavia, o RenovaBR aposta em uma possível aglutinação de forças para tratar de temas como a pauta fiscal do país e os serviços prestados à população pelo Estado.

O foco do RenovaBR são as candidaturas aos legislativos. Aqui em Alagoas, três candidatos estão participando desta mobilização: Maria Tavares (Novo), Davi Maia (Democratas) e Hemerson Casado (MDB). 

Mufarej esteve no Estado recentemente para apresentar o RenovaBR a empresários e profissionais liberais. Durante sua passagem, conversamos sobre diversos pontos. 

Segue o diálogo na íntegra. 


Como é que nasceu o Renova e como esse movimento se define?

Desde 2013 o que vínhamos percebendo era um incremento da sociedade na participação na política, pelo menos na vontade de participar. Por outro lado, os meios da participação são não-óbvios. Víamos o interesse da população, mas essa não via o caminho. De um tempo para cá, essa nova geração queria participar, mas não encontrava onde ter essa formação para participar desse anseio de renovação. Então, buscamos construir uma ponte entre uma base de pré-candidatos e a sociedade que quer novos quadros, novas práticas. Foi daí que surgiu essa ideia, pois dentro do ecossistema da renovação política brasileira estava faltando alguém que fizesse esta ponte. Foi aqui que surgiu o Renova, para treinar e capacitar lideranças. 

Vocês acabaram atraindo os chamados “outsiders”, que são pessoas que não estão dentro da política, mas buscam se candidatar nesse momento. Mas isso tem gerado muitas candidaturas aos legislativos. E no caso do Executivo, em específico o cargo de presidente. O Renova olha para esse quadro e entende existir algum candidato que merece esse apoio, que vocês olhem e vejam o perfil de vocês?

Não. No Renova a gente tenta criar um consenso, uma convergência de diferentes grupos, até com diferentes ideologias, sempre na perspectiva de fomentar o diálogo. Mas muito da nossa perspectiva é olhar para a parte da política que a gente vê com maior carência que é o Legislativo. Nós temos uma cultura de suplência muito grande, que é o deputado que é eleito e sai candidato para outro cargo ou assume um novo cargo, e acaba abrindo vaga para outro, criando uma distância maior ainda entre representante e representado. É uma cultura que queremos combater. Queremos um novo modelo de representação. Uma nova forma de fazer política para construir um jeito diferente da população se relacionar. Optamos por não ter uma orientação ideológico-partidária. Cada candidato apoia quem quiser, cada líder do Renova apoia quem quiser. Isso vai ser livre para cada um. O que não abrimos mãos é de transparência, ética e espírito de servir, bem como os compromissos que colocamos para os candidatos, que inclui o cumprimento de mandato, transparência na relação com eleitor, diminuição das verbas de gabinetes e privilégios e proponentes de reforma política. Queremos sair da discussão ideológica e encontrar onde a gente converge. O discurso ideológico só faz com que a gente se afaste.

Mas ao mesmo tempo é nessas linhas ideológicas, e/ou de convicções políticas, das quais vocês tentam se afastar que estão discussões como a redução e a função do Estado, por exemplo, além da pauta moral que é algo forte na sociedade. E aí, o convergir - por mais bem intencionado que seja - pode acabar juntando crenças totalmente opostas.  Como vocês veem o Estado hoje e a questão da liberdade econômica no país, por exemplo? Como unir liberais e esquerdistas nesse ponto?

No nosso site estão os nossos princípios que seguem uma linha de desenvolvimento sustentável da própria ONU. Primeiro, temos que privilegiar o cidadão dentre a própria máquina. O cidadão hoje não tem educação básica de qualidade, uma saúde mínima e está sem segurança. Ou enfrentamos nessas questões, pois nossa formação é baseada em fatos ou perdemos tempo. Não vamos discutir Estado grande ou Estado pequeno. Queremos discutir a realidade fiscal do Brasil. O Estado não cabe mais na conta e a população paga e não recebe nada em troca. Travestir essa discussão de ideologia é um erro. Temos que ir na vida do cidadão e nos preocuparmos como podemos melhorar a vida do cidadão. Precisamos equalizar gastos e arrecadação. Muito da nossa formação é trazer orientação de fatos sobre essa realidade. A questão fiscal no Brasil é muito relevante. 

O senhor cita a ONU. E há países que rejeitam a ONU por enxergarem nela um mecanismo internacional interferindo em soberanias. Uma das críticas se dá a Agenda 2030, que inclui promoção até do aborto, por exemplo. Que olhar o Renova tem para essa Agenda e para essas políticas?

A gente, em relação a participação de países ou não na ONU, não tem uma visão específica. Nosso programa é centrado nas necessidades do Brasil para esse ciclo que vivemos. No momento em que o Brasil está diante de todas as questões de ineficiência, falta de prestação de serviços, não segurança, esse tem que ser o nosso foco. Isso é que falta na política. Temos que sair dessas questões mais sofisticadas, pois o problema é mais básico, como os jovens que optam até mesmo por sair do nosso país por falta de perspectiva. Temos que trabalhar para que as pessoas voltem a ter esperança no Brasil.

Como é o Renova em relação a pautas como aborto, armamento civil, ideologia de gênero, que são pautas ligadas às liberdades individuais e moral?

Estamos muito mais orientado à buscar estabilidade econômico-financeira do país, pois sem isso o resto fica muito difícil. Precisamos dar um passo para trás e dois para frente. Claro que é importante ter foco nas liberdades individuais e temos que olhar para isso. São discussões importantes e o Renova não refuta. Dentro do movimento temos pessoas que são contrárias ao aborto e pró-aborto e está tudo certo. A sociedade terá que amadurecer para enfrentar essas questões no tempo, como a Argentina acabou de enfrentar. Essa pauta vai bater por aqui. O Renova não tem uma posição específica, mas temos que aprender a conviver em harmonia. 

O crescimento do movimento está dentro do esperado?

Tivemos regiões, quando abrimos a inscrição, em que tivemos muito sucesso. Em Aracajú (SE), tivemos inscrições logo cedo no programa. Optamos por selecionar um grupo menor e aí nas regiões onde tivemos poucas pessoas, como foi o caso de Alagoas, onde tínhamos apenas uma pessoa, que é a Maria Tavares (Novo), fomos em busca de outras lideranças e aí conhecemos o Davi Maia (Democratas) e o doutor Hemerson Casado. Então, esse processo é de disseminação que vai acelerar no tempo e vamos dimensionar melhor o programa. Nossa ambição é nacional para mostrar que há local de convergência, espaço para diálogo para construirmos pontes. Espero que no futuro possamos ampliar nossa presença regional. Quem sabe até uma descentralização no futuro. A gente pensa sim em crescer. 

Estou no twitter: @lulavilar