Ascom/CMM Be8f00fc 03e6 4be2 9506 392dc318bbcc Vereador Lobão

Uma parte dos vereadores por Maceió se mostrou incomodada com o que considera um “excesso” de apadrinhamento político do vereador Lobão (PR), que tem tido seus pedidos atendidos com celeridade dentro da administração municipal do prefeito Rui Palmeira (PSDB).

Lobão – por sua vez – nega esse apadrinhamento e diz que o que tem conseguido é “por saber pedir” e por “cortar na carne”, ao se referir ao uso do subsídio que recebe como edil para construir quadras de esporte, por exemplo.

A insatisfação, apesar dos parabéns a Lobão por suas ações como construção de uma quadra, ficou visível na última sessão da Câmara Municipal de Maceió. Algumas falas de Lobão na tribuna geraram até riso por parte dos colegas. “O PR, que é o meu partido, cuida de duas pastas: A Infraestrutura do município e agora mais recentemente a pasta de Infraestrutura do Estado. Se eu tivesse esse apadrinhamento todo, o Vergel já estava com as ruas pavimentadas, assim como toda Maceió”, rebateu Lobão.

Lobão também se mostrou incomodado com a discussão.

Em todo caso, eis aí um exemplo clássico do uso da tribuna legislativa – que deveria ser um espaço nobre – para discussões totalmente improdutivas.

Tudo se iniciou quando o edil do PR usou da tribuna para agradecer a receptividade que teve na Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) quando discutiu um projeto de recolocação de pontos de ônibus no Centro de Maceió. Na sequência, Lobão falou da construção de uma quadra no Conjunto Lenita Vilela. “A gente gosta de empreender, juntar forças e tornar a ideia presente no coração e na mente em uma realidade”, frisou Lobão.

Lobão ainda destacou: “Eu quero dizer o seguinte: o meu tamanho como vereador é o mesmo de todos. De repente, o que existe aí é uma questão própria: eu me entreguei ao mandato. O mais votado tem a obrigação de fazer mais. Eu tiro da carne. Eu não tenho carro próprio, moro na mesma casa e com a mesma mulher. Eu só comprei para mim um ar-condicionado para dormir melhor e trabalhar melhor. Eu me entreguei à missão de fazer tudo o que prometi e estou sempre focado. As coisas que eu faço são coisas básicas. A gente faz um ajuste, parcela, divide as compras no cartão, é o jogo de cintura. Consegue um item simples aqui, outro ali. Mas sempre na criatividade. Eu tiro da carne. Eu não tenho carro. Eu me voltei a cumprir o meu projeto”.

O vereador do PR negou mais uma vez ter padrinhos políticos. “O que eu busco ter é aliados. É saber pedir com jeito e fazer boas alianças”.

As falas de Lobão incomodaram em alguns pontos: 1) ter passado na cara dos colegas que é o mais votado e por isso tem a obrigação de trabalhar mais. Silvânia Barbosa e Zé Márcio responderam dizendo que a quantidade de votos não cria diferença entre vereadores, porque na Câmara Municipal todos são iguais; 2) ter dito que corta na carne, dando a entender que os demais vereadores não se esforçam tanto, o que também gerou debates e 3) o tal do “saber pedir”.

Zé Márcio até ironizou Lobão dizendo que queria tomar aulas com ele sobre como “pedir as coisas” aos gestores, pois todos os vereadores, segundo ele, encaminham pedidos às secretarias municipais e buscam reuniões com gestores para resolver problemas em suas comunidades.

Quem mais externou o incomodo foi Silvânia Barbosa: “Não temos tantos padrinhos políticos quanto vossa excelência tem. Não é nada contra vossa excelência, mas eu gostaria muito que os gestores me colocassem debaixo da asa e fizéssemos essas obras também. Eu não posso usar a minha verba de gabinete para comprar material de construção. Com certeza, não é provento de verba de gabinete que o senhor tem usado. Nós pedimos, vereador Lobão, mas não conseguimos. Vossa excelência tem simpatia dos gestores. Não tenho nada contra. Alguns são agraciados e outros não. Agora, essa Casa está fechando os olhos para isso, que pode ser legal, só não é moral”.

Sobre o “jeitinho de pedir”, Barbosa diz que não terá esse jeitinho nunca. “Eu só tenho o meu jeito e esse todo mundo conhece. Eu só espero que a Casa acorde para o que acontece: gestores se envolvendo com moradores, usando da máquina pública para favorecimento político e todos sabem disso e do que eu estou falando. Eu não estou ironizando quando digo que o senhor tem padrinhos. Eu estou confirmando. Vossa excelência pode ter certeza que cada vereador aqui trabalha, pois na sua fala ficou como se os vereadores não resolvessem corta na carne, quando há quem mantém instituições, desenvolve trabalhos aqui. Que não pareça que estamos com inveja do senhor. Ficamos lisonjeados quando o senhor consegue as coisas, mas é que tem secretário que tem interesses futuros e particulares. Se eu soubesse quais eram, eu falava aqui. Agora, as prerrogativas de vereador são as mesmas para todos, o subsídio é o mesmo, mas o apadrinhamento é que não é”.

Para Zé Márcio, a fala de Lobão descreve uma Câmara em que só ele trabalharia. “Essa questão de ser o mais votado ou menos votado, acaba logo depois da eleição. A questão aqui abordada pelos seus pares é que a gente parabeniza o seu trabalho, mas mostra que não é justo achar que os demais não trabalham. Há uma preocupação de há 16 anos pedirmos essa quadra de esportes e, logicamente, não é normal que o edil construa com recursos próprios. Parabenizamos, mas vossa excelência tem senador, deputado, secretário que são padrinhos de vossa excelência. Todos os vereadores que estão aqui presente tiram da carne todos os dias para ajudar. Vossa excelência não é vereador diferente do que ninguém aqui. Todos são iguais”.

As relações políticas e as realizações do vereador Lobão têm incomodado muito no parlamento-mirim. Este é o mesmo parlamento que tenta ser a babá do cidadão com projetos de leis que ampliam o poder coercitivo do Estado para cima do setor produtivo, como ocorreu recentemente com empresas de ônibus e estacionamentos de shopping; é o parlamento-mirim onde dois vereadores trocaram farpas pessoais da forma mais “baixo-nível” possível e por aí vai...

Agora, a concorrência pelo apadrinhamento político entra em campo...

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