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A esquerda apresenta quatro pré-candidatos a presidente da República: Lula (PT), Ciro Gomes (PDT), Guilherme Boulos (PSol) e Manuela D’Ávila (PCdoB). A ex-senadora petista Marina Silva (Rede) e o ex-deputado comunista Aldo Rebelo (SD) são candidatos com indiscutível militância na esquerda, mas que não estão no espectro de alianças desse núcleo de esquerda.

       A turbulência em torno da prisão de Lula criou entre os partidos de esquerda a competição para saber – no caso da impossibilidade de Lula ter a candidatura registrada, pois já foi posta nas ruas e nas redes sociais – em torno de que nome e qual o projeto que seria defendido. Não há consenso e muito provavelmente, sem a interferência de Lula, se chegue a um nome que possa unificar pelo menos três dos quatro partidos de esquerda com mais alguns de centro-direita ou centro-esquerda.

Esse é o cenário nacional ainda indefinido, e possivelmente só será definido a partir do dia 15 de agosto, data final para o registro das candidaturas e reta final da campanha eleitoral.

Em Alagoas o cenário é mais complexo para a esquerda ‒ e aqui vou denominar com o espírito mais amplo possível de espectro da esquerda.

Aliados de Renan Calheiros e Renan Filho são o PT, o PDT e o PCdoB, no plano nacional. São três candidatos a presidente no palanque do MDB local

O PSol e o PCB formam uma aliança de esquerda sem aliados e terão candidatos a governador e às duas vagas para o Senado. O PSol, historicamente, vem disputando eleições desde 2006, quando lançou o nome de Ricardo Barbosa como candidato a governador e obteve 51.680 votos, o equivalente a 3,94%.

Nas eleições de 2008 lançou Mário Agra candidato a prefeito de Maceió, que recebeu 5.906 votos, 1,5% dos eleitores. Em 2010, Mário Agra candidatou-se a governador e obteve 18.520 votos, ou seja, 1,3%.  Nas eleições seguintes, em 2012, para prefeito de Maceió foi lançado Alexandre Fleming, que alcançou uma marca extraordinária: 20.561 votos e 5,13% do eleitorado.

O PSol em 2014 novamente lançou Mário Agra como candidato a governador e recebeu 60.816 votos, alcançando a marca de 4,73%. Essa é a melhor performance de um candidato a governador do PSol. Na última eleição, em 2016, Gustavo Pessoa obteve 12.924 votos, o que equivaleu a 3,07%.

A postura tática ziguezagueante da esquerda em Alagoas na última década lhe rendeu em larga medida derrotas e a baixa densidade eleitoral. Não me refiro especificamente ao PSol, mas ao conjunto dos partidos de esquerda.

A esquerda se põe a pensar projetos gerais e globais com enorme disposição e empolgação; é necessário pensar também nesses projetos, mas a disputa no mundo real ocorre nos bairros, nas cidades e nos estados. E para se credenciar na disputa pelo voto, que é quem leva ao Poder, o importante é conhecer, estudar e dialogar com a população e com técnicos. O projeto de governo não pode ser uma peça de marketing ou uma campanha publicitaria no horário eleitoral.

O PSol não conseguiu até hoje se afirmar como uma opção à esquerda de grande parte da militância existente em Alagoas, sem intelectuais, lideranças sociais, com reduzida militância etc. As explicações podem ser dadas, mas não é o caso agora.

A candidatura de Basile Georges Cristopoulos a governador pode ocupar parte desse espaço desde que tenha um discurso que inclua Alagoas. Os problemas crônicos do estado já foram identificados, mas falta quem transforme números em propostas políticas, convença as camadas médias da população e dialogue com a juventude. Quem tem propostas políticas convincentes pode superar as dificuldades materiais. O eleitor tradicional de esquerda e democrata poderá entender que uma candidatura como a de Basile é uma opção no momento para demarcar um determinado campo no cenário eleitoral e político em Alagoas.

Dito isso, para alguns pode parecer uma miragem, mas não se reconstrói o campo de esquerda sem programa, diálogo e muita luta. O desafio foi lançado, o jogo é para ser jogado. Como disse o treinador de futebol e grande frasista Gentil Cardoso: “Quem se desloca recebe, quem pede tem preferência”. Sendo um dos fundamentos do futebol na política, pode também ser utilizado. O jogo já começou, e a bola corre com o tempo.