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Muitos não lembram, mas o ex-presidente Lula (PT) também foi alvo de pedidos de impítimam, 34 pedidos no total, a maioria deles ocorreu no período do vulgo “Mensalão”. Não teve o mesmo desfecho das investidas contra Dilma porque contou com alguns fatores, um deles foi o fato da Câmara Federal ser presidida naquele período (2005-2007) pelo deputado Aldo Rebelo, à época do PCdoB, que habilmente articulou e arquivou todos os pedidos de impítimam que lá foram protocolados. Na eleição seguinte da Presidência da Câmara, em 2007, minimizada a turbulência daquele escândalo, Aldo tentou a reeleição, a retribuição do PT pelos esforços de Aldo na defesa de Lula e do próprio Partido dos Trabalhadores, foi lançar candidato próprio para derrotar Aldo, foi eleito então o deputado Arlindo Chinaglia (PT), ficou Aldo em segundo lugar.   

Mesmo após essa forte manifestação de ingratidão, Aldo seguiu defendendo os Governos do PT, foi ministro de Estado nos Governos Lula e Dilma, atuou fortemente contra a derrubada de Dilma. Depois de passar mais de 40 anos no PCdoB, teve uma rápida passagem pelo PSB e hoje se encontra filiado ao Solidariedade, por onde foi lançado pré-candidato à Presidência no dia 16 de abril.

No último 1º de Maio, feriado do Dia do Trabalho, Aldo saiu de São Paulo, dirigiu-se para Curitiba para manifestar apoio à luta pela liberdade de Lula e perseguições investidas contra ele, em ato político organizado para esta finalidade. O tratamento esperado de qualquer pessoa, mesmo não tendo ela recebido a mínima instrução educacional, sendo ela uma analfabeta moradora dos rincões, seria um agradecimento; mas, mais uma vez, Aldo experimentou o gosto da ingratidão, enquanto falava vaias foram proferidas por parte da militância do PT (até mesmo de alguns militantes do PCdoB, onde ele dedicou décadas da sua vida). Os mesmos que pediram apoio, ao recebê-lo, jogaram fora, sabiamente Aldo encerrou seu discurso "se não somos capazes de manter a tolerância em um ato como este, não temos autoridade para pedir unidade em defesa da democracia".    

A cultura do ódio está tão grande, da direita à esquerda, que sequer se consegue receber uma manifestação de solidariedade. As vaias proferidas naquele ato integram a demonstração mais recente da atrofia do pensamento crítico, da incapacidade de pensar e fazer política de forma ampla, da proliferação da intolerância.

 
Lançam uma campanha intitulada "Lula livre", mas para quê mesmo, para os que aderirem serem hostilizados ou se trata apenas de mais um jargão vazio de conteúdo? Protesta-se, corretamente, contra os atos violentos de intolerância praticados contra os apoiadores de Lula, mas parte dessa mesma militância hostiliza publicamente quem se sensibiliza e adere à luta pela liberdade de Lula. Convocam democratas para comparecer ao ato e ao invés de agradecimentos aos que tem a corajosa atitude de ir e se expor na batalha, cospem a ingratidão das vaias, o desprezo à democracia e fortalecem a intolerância.

Pedem, mas ao mesmo tempo repelem as manifestações públicas de apoio dos que defendem Lula desde trincheiras passadas de luta, o que devem imaginar as pessoas que não apoiaram o PT e Lula em outros momentos, mas querem se somar na luta face as perseguições da atualidade? Aparenta que a defesa de Lula só pode ser feita se ao estilo bem "lulista". Numa batalha acirrada, todo apoio deveria ser bem vindo.

Um dos fatores para tantas derrotas sucessivas desse campo político foi justamente estreitar, reduzir os apoios e sequer conseguir manter os já existentes. Enquanto ainda reina a esperança por cenários melhores para que a luta política se desenvolva, a constatação de que é a "estreiteza" que segue ampliando, quando o crescimento que deveria ocorrer seria o da amplitude política, do respeito e da tolerância, sem esses elementos não há democracia. 

Para encerrar essa postagem de indignação com tamanha intolerância, mais sábias palavras de Aldo Rebelo:
“nós vivemos numa sociedade de intolerância, de linchamento. Os acusados de qualquer crime respondem perante à Justiça. Mas, agora não, eles têm que responder nos aeroportos onde são provocados, agredidos. Se você não assegura o direito do seu adversário fazer política, quem é que vai assegurar o seu direito? Então, essas coisas no Brasil precisam de uma agenda que valorize a democracia, a convivência, o respeito. Quem pensa diferente de mim tem o direito de pensar e de respeitar também o que eu penso”.