Foto: Cortesia / Assessoria De737d24 b8a6 4042 a006 a5bf220d023c Uncisal

Um grupo chamado “SOS Uncisal ex-alunos” foi criado na rede social do Whatsapp para – conforme o próprio objetivo anunciado por lá – tentar salvar a unidade de ensino superior do “risco de perder o status de universidade”.

De acordo com um dos membros do grupo, “haverá uma avaliação do Ministério da Educação (MEC) já em meados de maio. Em princípio estamos precisando levantar dinheiro para obras de acessibilidade, como rampas, banheiros adequados etc”.

O detalhe: a Universidade da Saúde do Estado de Alagoas (Uncisal) é uma instituição pública, ligada ao governo do Estado de Alagoas. É uma vergonha para o Executivo estadual que esse tipo de ação seja necessária para que se evite tal risco para a instituição, sobretudo diante de obras de baixo custo e com a importância que possuem para o status do estabelecimento.

Os membros do grupo criado destacam que tal ação se faz com urgência e às vésperas da avaliação. Onde estão os responsáveis por tais obras? Será que não sabiam de sua necessidade para que a Uncisal pudesse ter avaliação positiva junto ao Ministério? Claro que sabiam.

No grupo é possível ler o seguinte: “Como deve ser de conhecimento de todos, o processo de recredenciamento de uma universidade obedece a um ciclo de, em média, cinco anos. O último recredenciamento da Uncisal foi em 2011 e, como assumimos no final de outubro de 2017, estamos lidando com esse processo em meio a tantos outros que precisam de atenção”.

O grupo destaca as dificuldades para cumprir as exigências do MEC e fazer frente a tantas outras demandas. Para arrecadação dos recursos foi passada uma conta bancária do Itau. Na lista de doadores, as pessoas estão contribuindo com valores de R$ 200 cada. Nos prints que foram passados ao blog já havia 62 doadores.

Repito: tal ação de obras é responsabilidade do poder público. Mas, eis a situação a que chegou o assunto. É grave!

Conversei com um médico e ex-aluno que está no grupo. Ele confirma a existência e que os prints que foram passados ao blog são reais. “A situação é lamentável. Não era para chegar a esse ponto, mas por amor a Uncisal estamos ajudando. Agora, é claro que não é a nossa função fazer isso. Isto deveria ser uma política de governo. Porém, diante da urgência não podemos perder algo que é tão importante para os alagoanos e para as futuras gerações de profissionais de saúde de Alagoas”, explicou.

O médico confirmou que foi um dos doadores. “Doei o recurso pensando no melhor para a Uncisal”, salientou.

O reitor da Uncisal, Henrique Costa, conversou com o blog. De acordo com ele, desde que assumiu a gestão tem apagado incêndio e um deles é a questão do recredenciamento. “A Uncisal já deveria ter entrando nesse processo há um ano e meio. Estava sem o recredenciamento e correndo o risco de perder o status. Nós tivemos que correr para entrar em um processo que pudesse superar o problema do tempo, já que para essas obras – que são pequenas – não havia dotação orçamentária. Não é que o governo não queira fazer, é que lidamos como tempo para resolver esse problema. E aí, a solução encontrada foi buscar ajuda nas pessoas que querem contribuir com a Uncisal, como já estão contribuindo. Temos trabalho voluntário também dentro da instituição. O governo tem do buscado nos ajudar, mas nesse caso – diante do tempo – só tinha essa solução”.

Segundo Costa, no final do ano passado, que se entrou com o pedido necessário de recredenciamento e por isso ele ocorrerá em maio. “Tinha que ser feito para não perdermos. Agora, para a avaliação temos que resolver um monte de coisa e redirecionar recursos. Não há tempo hábil para outra forma”. Ele destacou que uma das ações tem o custo, por exemplo, de R$ 30 mil. “Faremos o que for possível e necessário para garantir o recredenciamento e mostrar que temos projeto para adequar a universidade naquilo que não for possível fazer”.

“Essas doações são um presente para a universidade. Repito: não é que o governo não fosse dar, mas o tempo era, como já disse, um problema”. Henrique Costa não esconde que os incêndios que diz hoje correr para apagar é fruto da ausência de ações no passado. “Tudo isso está sendo feito com uma planilha, para garantir a transparência, e pautando o mais urgente e o que der com o dinheiro que conseguirmos. É tentar dentro do possível encaminhar com o máximo possível”, destacou.

A prioridade tem muito a ver com acessibilidade, como rampas, banheiros e – em outros casos – ar condicionado funcionando etc. “Eu estou há cinco meses apagando incêndio. Esperamos que depois disso, as coisas entrem no eixo. Na manhã de hoje, tive uma reunião com a Secretaria da Fazenda e a pasta foi sensível a nossa situação. É resolver o que é urgente agora e trabalhar para que lá na frente evitemos os mesmos problemas”.

Os prints não estão no post para preservar o nome dos doadores e as quantias doadas por eles. A culpa não é do reitor nem dos doadores, mas sim do poder público e de gestões que deixaram chegar a isso...

Estou no twitter: @lulavilar