Foto: Reprodução / Redes Socias 222f91e9 f859 4e61 a160 353f86dc221a Adelmo Rodrigues de Melo, o “Neguinho Boiadeiro”, morto a tiros na tarde desta quinta-feira, 9, em Batalha.

O presidente Michel Temer (MDB) se posicionou rapidamente sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson. Agiu corretamente. O assassinato da vereadora mostra bem o caos que vivenciamos nesse país em que a maioria da população não possui segurança, é coagida em seu direito de legítima defesa e, assim, se torna cordeira nas mãos de criminosos cada vez mais ousados, que acabam por estabelecer um “estado paralelo”, onde – em virtude de diversos fatores, entre eles, a impunidade – se colocam acima do bem e do mal.

Esse estado paralelo – seja ele por conta do tráfico de drogas, por conta da politicagem ou dos dois associados – muitas vezes é protegido e escondido por discursos que relativizam demasiadamente o bem e o mal, promovendo a degradação de valores, da ética e da moral. Banaliza-se a vida e não mais nos assustamos com um país que tem 60 mil mortes por ano.

Que o caso envolvendo Marielle Franco seja rapidamente esclarecido e os culpados punidos, independente de qualquer questão. Os familiares merecem isso. Merecem Justiça, como todos os familiares de vítimas. Temer coloca ainda que, em função do cargo que ela ocupava, o crime é um atentado à democracia e ao Estado de Direito.

Bem, qualquer homicídio é isto. Evidentemente que alguns casos possuem mais repercussão midiática que outros em função da posição de destaque da vítima na sociedade. E diante da repercussão midiática, parece que todos acordam para a calamidade instaurada desde sempre.  

Independente das ideias de Marielle Franco, o caso tem que ser investigado e os criminosos tem que ir para a cadeia, como em qualquer outro homicídio. Mas, estamos em um país de baixo índice de resolutividade de casos e alguns, sobretudo aquele que apenas somam estatísticas, acabam por cair no esquecimento.

Porém, olhando a mobilização em torno do assassinato de uma vereadora, relembro dois casos em Alagoas, ocorridos recentemente, que – em que pese a diferença de circunstâncias – também demonstra a ousadia dos bandidos. Mas esses não tiveram a mesma atenção de mecanismos internacionais, do presidente Temer etc. Em ambos, a possível mistura nefasta entre a política e a criminalidade.

Em ambos a lembrança de um passado de um Estado que – em 1957 – falava do “Sindicato do Crime” e na década de 1990 da mistura nefasta entre assassinatos e poder político.

Alagoas não mereceria a mesma atenção? O presidente não poderia – já que também se trata de vereadores – ter falado da agressão ao Estado Democrático de Direito e à democracia, exigindo assim a presença da Polícia Federal para acompanhar os casos? Os mesmos mecanismos internacionais também não poderiam ter voltado seus olhares para perceber Alagoas no mapa.

Em um dos casos, uma cidade inteira viveu um dia de terror no interior alagoano. Falo do município de Batalha. O edil Neguinho Boiadeiro foi assassinado na porta da Câmara Municipal da cidade em novembro de 2017.

Em fevereiro de 2018, um familiar do vereador gravou um vídeo colocando que Boiadeiro tinha informações que comprometeriam a administração da Assembleia Legislativa do Estado. Se verdade ou não precisa ser apurado, ainda mais diante de influências possíveis...

O outro vereador é Tony Pretinho, que foi executado, em dezembro de 2017. Também de Batalha foi morto na porta de casa. Surge aí também conotação de possível crime político. São casos também graves e que poderiam ter a mesma atenção, sobretudo em função de alguns registros históricos da violência em Alagoas. Afinal, uma vida não vale mais que a outra e todos os casos merecem resposta rápida. Homicídios devem ser solucionados sempre. Essa deve ser a regra.

No caso de Tony Pretinho, houve uma prisão. Um familiar do primeiro vereador morto é tido como acusado do crime, conforme reportagens.

Pouco importa o partido, a ideologia, a crença, a cor, o sexo, a posição política, o cargo que ocupa etc.

Torço para que o caso do RJ não seja igual aos de Alagoas, assim como torço para que todos os casos possuam igual empenho na busca por respostas.

Esse é o país dos 60 mil homicídios, mas parece que só lembramos disso em alguns momentos. Mas, são números de guerra em tempos de paz.

O assassinato no RJ chama atenção para um cotidiano de áreas dominadas por um poder paralelo e este não se combate com flores. Os assassinatos em Alagoas chamam atenção para pessoas que acreditam terem em mãos esse poder paralelo e não se combate isso com “pombas brancas”. Em que pese as diferenças, há as semelhanças.

E é preciso que coloquemos todas essas vítimas no mapa em nome da Justiça e da punição de culpados. Sem ideologização dos fatos e sem fazer de mortos palanques políticos. Respeitando a dor dos familiares e buscando efetivamente o esclarecimento de crime.

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