Reprodução/Facebook Ff963e66 e6d4 4233 a385 57e6b1e083a9 Deputado federal JHC

Na busca por ser protagonista na construção de uma terceira via, o deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB), lamentou a desistência do prefeito Rui Palmeira (PSDB) em concorrer ao governo do Estado de Alagoas. 

O lamento de JHC não se dá por Rui Palmeira, mas sim pelo desenho político que começa a ser feito a partir de então: a da busca por uma candidatura única, que é a do governador Renan Filho (MDB). Ele trabalha para a renovação do mandato.

Obviamente que esse desenho é favorável a Renan Filho. Porém, não é culpa dele a inexistência de uma oposição consolidada em torno de um projeto, que se diferencie de sua gestão ao ponto de apresentar uma alternativa para que a população escolha entre o já posto e o que busca se diferenciar. 

JHC está correto ao afirmar que esse cenário fragiliza a democracia. “Ao que me parece está se desenhando de forma bem clara em Alagoas uma candidatura única ao governo do Estado. Com isso vai atingir direto a democracia, ao poder de escolha dos eleitores porque será difícil fazer o debate e desafiar essas ideias que já foram postas”, salientou. 

É verdade. 

Por outro lado, também não se pode jogar a culpa nas costas de Rui Palmeira pelo cenário. Se ele era o único nome viável para uma disputa, isto por si só mostra o quão alarmante é o cenário que não produz novos grupos, novas lideranças e nem novas ideias. Reflexo de uma matemática eleitoral onde cada um quer o seu quinhão. 

Rui Palmeira tem o direito de não ser candidato e continuar com sua gestão para qual foi eleito para permanecer quatro anos. Se há um erro de Rui, foi ter mantido silêncio por tanto tempo e ajudado assim - querendo ou não (e aposto que sem querer) - a desarticular uma oposição que se fechava nos partidos que compõem seu governo municipal. Nisso, ele foi o carrasco de muita gente.

Mas essa “democracia” sem opção é um reflexo também dos parlamentos rebaixados pela presença daqueles que não possuem a mínima vocação para atividade política e estão em casas legislativas apenas para se perpetuarem por ali, por meio e acordos em benefícios próprios. É gente que é biruta de aeroporto e vai para onde o vento bate. Tanto que devem - neste momento - fazer fila na porta do Palácio República dos Palmares. 

Gente que mal sabe subir numa tribuna. Gente sem qualquer vocação para a política em um sentido nobre. E aí, geração após geração, se consolida o marasmo e um ciclo vicioso onde o eleitor escolhe entre as variáveis X e Y para que o resultado de uma equação seja sempre o mesmo: uma máquina pública azeitada para acolher em seus braços o estamento burocrático. 

Posso ter discordâncias com JHC (como as tenho), mas ele, por várias vezes, demonstrou ser um político que busca o debate, discute as ideias e coloca suas posições visíveis. Não se contentou em ser um mero parlamentar em um Congresso de 513 deputados federais e assume uma posição em relação ao cenário político local quando seria confortável ficar calado. 

JHC quer ser protagonista. Isto por si só não é virtude nem defeito. Mas uma ação que pode ser virtuosa caso seja motivada pela honestidade intelectual e princípios. E aí, que o eleitor julgue se concorda ou não com as ideias postas. 

Prefiro políticos assim, ainda que com discordâncias, àqueles que estão aí na surdina a fazer cálculos sobre como se manter ativo nas sombras apesar da desistência de Rui Palmeira. Sim, eles existem. 

Outros dois que merecem destaque nesse processo é Rodrigo Cunha (PSDB) e Bruno Toledo (PROS). São dois jovens políticos que se destacam no parlamento estadual e rapidamente deixaram claras suas convicções no processo. Cunha - que vem até sendo sondado para uma candidatura ao governo - não se esquivou desses questionamentos quando procurado pela imprensa. 

Toledo, que é de um dos partidos aliados de Palmeira, lamentou a decisão do prefeito pela questão do que representa para a democracia alagoana. Tom semelhante ao de JHC e acertou. Não escondeu do público que busca vias alternativas e reforçou as bandeiras do mandato. E aí, quanto a essas bandeiras, é a história que sempre dirá. 

Mas sempre é importante saber o que um político pensa, ainda mais em momentos cruciais. Primeiro para que eles sejam sempre cobrados, pois o exercício da cidadania não se finaliza no sufrágio nem é apenas o voto. O pior político é aquele que só faz cálculos matemáticos para uma eleição e quando eleito passa a entra mudo e sair calado dos parlamentos que ocupam. Essas são as pragas que fragilizam a democracia, pois tratam eleitores como peças de um feudo. 

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