Foto: Reprodução 665a3c17 be3a 40e4 85c3 f0a120f6b043 Eletrobras / AL

Os movimentos dos trabalhadores contrários a privatização da Eletrobras ingressaram com ações judiciais para buscar a anulação da audiência pública que discutiu as medidas para venda da estatal. A audiência foi marcada pelo embate dos manifestantes e policiais militares, que estiveram reforçando a segurança para garantir a realização da discussão.

No entanto, para a vice-presidente do Sindicato dos Urbanitários de Alagoas, Dafne Orion, “todos os princípios democráticos foram violados e a audiência foi realizada na base da força e do autoritarismo poucas vezes visto em nosso Estado”.

Segundo ela, a audiência aconteceu para legitimar a venda da estatal para empresas privadas estrangeiras. “A audiência nada mais é do que um instrumento para legitimar o que não é legítimo. Já apresentamos diversos estudos e pesquisas que comprovam que a Eletrobras é viável enquanto órgão público”, afirmou ela.

De acordo com o integrante da coordenação do movimento de massa Levante Popular da Juventude, Tiago de Lucas, uma parcela do auditório era composta por policiais militares, que estavam em número quase igual ao da população civil.

“Um terço do auditório era composto por policiais militares, e não houve confronto, por que não temos meios para confrontar a polícia. Eles estavam ocupando diversas cadeiras, praticamente a mesma quantidade do povo. A audiência foi uma prova cabal que o estado democrático de direito não existe mais” disse ele.

Ainda segundo Tiago, o movimento também apoia o cancelamento da audiência, pela maneira com a qual ela foi realizada. “A audiência não foi pública, por que não nos ouviram. Aparentemente estávamos lá para cumprir cadeiras, não para participar efetivamente, por que não pudemos falar” defendeu.

Sobre os motivos que permeiam a defesa pela não privatização da Eletrobras, Tiago afirmou que o Levante Popular enxerga na medida um ataque direto à juventude brasileira e ao futuro do país, e salientou ainda que a determinação faz parte da conjuntura que envolveu o impeachment de 2016.

“Somos contra a privatização, por que entendemos que isso é mais uma das etapas do golpe de 2016, que não ocorreu apenas para depor a Dilma, mas para que tudo isso que veio posteriormente acontecesse. A privatização faz parte desse cenário, juntamente com as reformas propostas pelo governo Temer” explicou.

“Além disso, entendemos que há nessas medidas um ataque direto a juventude brasileira, que são as pessoas que mais vão sentir esse ataque direto ao país. Não vamos poder nos aposentar, trabalharemos mais, teremos menos tempo para estudar e pagaremos contas mais altas” continuou ele.

Em nota, o Sindicato dos Urbanitários convocou todos os trabalhadores da Eletrobras para uma assembleia que deve acontecer no dia 15 de março, e terá como pauta informes sobre o ACT 2017/2019 e o processo de privatização da empresa, bem como a deliberação da greve.

*Estagiária