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É quase madrugada ele chega e se achega junto ao cantor do bar e ensaia uma segunda voz. As pessoas incomodadas com esse personagem tão diferente (e preto) que irrompe das ruas insistem por sua expulsão do local.

Era uma sexta-feira, qualquer, de uma noite suada de vida, em um dos bares da Av. Amélia Rosa, em Jatiúca,Maceió, Alagoas.
Ele (chorando) nos falou de racismo e solidão. Da vontade que tem de cantar nas noites de Maceió, mas, falta oportunidade- diz ele- as pessoas sempre mandam eu sair, afirmando que atrapalho o andamento do bar.

Ele me diz:- Olha tia, somos da mesma cor, mas não é fácil ser preto, não tia, e pra gente que mora na rua, então... E novamente chorou.
Pediu dois reais para passagem e se foi com suas dores e eu fiquei matutando sobre nossa invisibilidade social.

Não é fácil ser pret@ no Brasil.

Não é.