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O 8 de março é o dia em que eu, como a maioria das mulheres, acordo com diversas mensagens no whatsapp de parabéns, o dia que sou parabenizada pela maioria dos homens que me encontram seguido daquela clássica frase “o dia da mulher são todos os dias, mas hoje é especial”, ganho flores, chocolates e mimos que não são comuns no dia a dia. Eu, particularmente, não me incomodo mais com essa dimensão de “comemoração” do 08 de março.

Mas o que fica na minha cabeça a cada parabéns que recebo é: Por que estou recebendo esse parabéns? Será que é porque tenho uma jornada de trabalho diária dupla ou até mesmo tripla? Ou porque sou a responsável quase que exclusivamente pela educação da minha filha? Ou porque tenho que ter a sabedoria para lhe dar com as “brincadeiras” diárias pelo simples fato de ser mulher? Ou por me impor de forma mais incisiva em uma discussão seja no âmbito profissional ou pessoal, caso eu queira que minha opinião seja considerada? Ou por ter a coragem de ter feito minhas escolhas mesmo sendo julgada socialmente? Eu prefiro acreditar que é por isso tudo, mesmo que não seja...

Na realidade, o 08 de março, assim como o dia da Consciência Negra (20 de novembro), o dia da Pessoa com Deficiência Física (11 de outubro), Dia Internacional dos Direitos Humanos (10 de dezembro), dentre outras datas “comemorativas”, devem ser encarados como um dia de discussão e reflexão quanto à questão da Mulher em todas as suas dimensões: a igualdade de gênero, a igualdade salarial, seus direitos reprodutivos, o direito a oportunidades, as criação e implementação de Políticas Públicas necessárias para essas conquistas, dentre tantas outras temáticas.

Não queremos apenas “Parabéns” queremos também que tod@s se unam na busca de igualdade de direitos e na construção do caminho para essa igualdade. E quando eu falo de igualdade, não estou dizendo que quero ser igual a um homem, até porque eu não sou o que eu digo é a igualdade de direitos e oportunidades, principalmente, levando sempre em consideração as diferenças.

Hoje nós mulheres trabalhamos mais, somos maioria com nível superior completo, já somos 40% d@s chefes de famílias do país, mas ainda ganhamos em média 23,5% a menos da remuneração dos homens, temos menos representação e participação política (apenas 16% do Senado e 10,5% da Câmara dos Deputados, para dar um exemplo), ocupamos pouquíssimos cargos de liderança e na Alta Administração. Ou seja, a situação de nós mulheres no Brasil é um grande paradoxo social onde temos muitos deveres e menos oportunidades. E isso sem falar sobre a questão da violência contra mulheres que merece um outro post só para esse tema...

Não sei para vocês, mas eu quando vejo essas estatísticas e percebo o longo percurso que ainda temos que percorrer, me solidarizo com todas as mulheres e fico feliz quando vejo um homem também se solidarizar porque sem esse engajamento de tod@s, o caminho a ser trilhado será mais longo e árduo...

A reflexão que deixo nesse 08 de março é: que sociedade nós queremos para noss@s filh@s? Que sociedade nós queremos para nós? A partir dessas respostas e dialogando entre tod@s, acredito que poderemos construir uma sociedade melhor e mais inclusiva, na qual tod@s desempenhem um papel importante. Espero que no próximo 08 de março as outras dimensões que envolvem a questão da Mulher estejam mais em discussão, além do prisma “comemorativo”.

Notas:

  1. Os dados utilizados para esse post foram retirados do estudo “Estatística de Gênero: Indicadores Sociais das Mulheres do Brasil” lançado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE e disponível em https://biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=2101551)

O Jornal do Brasil lançou hoje um vídeo no qual diversas mulheres falam das suas percepções sobre SER MULHER. Vale a pena ver: https://www.youtube.com/watch?time_continue=109&v=ZhP4WVRnI08