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Mathias Alencastro. Este é o nome do cientista social com especialização em relações internacionais que, em entrevista ao jornalista Luis Nassif, editor do GGN, cravou que a direita e a extrema-direita podem chegar ao segundo turno nessa eleição de 2018 no país. E atenção: o tom não é de análise, mas sim de ALERTA. Uma gracinha...

As esquerdas, diante da crise que enfrentam, se encontram mesmo atordoadas, ao ponto de ainda acreditarem que podem, por meio de intelectuais esquerdistas travestidos de isentos, vender esses cenários ilusórios, quando as mais de 30 siglas desse país, com a diferença de graus, defendem sempre mais intervencionismo estatal, seja por ideologia ou por fisiologia.

As exceções só surgem agora como Novo e PSL.

E essa defesa de gigantismo estatal e aparelhamento da máquina pública é justamente o contrário de uma proposta de direita, que tem um viés mais liberal, com a defesa da redução do Estado, de maior garantia de liberdades individuais, estímulo à livre inciativa, maior liberdade econômica, dentre outros pontos que se dividem por haver discordâncias entre conservadores e liberais.

Mas, na cabeça de Alencastro, o PSDB é a “direita brasileira”, mesmo sendo um partido fundando dentro de uma linha gramsciana em que tucanos tomam um banho de boutique, mas não perdem uma oportunidade – como já fizeram Aécio Neves, José Serra e Fernando Henrique Cardoso – de bajular um comunista. Lembram das falas dessa turma diante da morte do ditador cubano Fidel Castro?

Em que pese algumas medidas do PSDB nos anos 90 em função do que a realidade colocava em cena para o país, como o necessário Plano Real diante da economia que tínhamos, o PSDB é uma das faces da esquerda e compõe a chamada “estratégia das tesouras”, onde as disputas eleitorais se dão nas diferenças de graus do mesmo viés ideológico. Até Luiz Inácio Lula da Silva – o ex-presidente condenado do PT – já assumiu isso em uma entrevista.

Agora, é claro: com o sabor de chuchu o tempo todo e mais próximo de uma banana que de um tucano, o PSDB sempre será o rival preferido de uma esquerda e visto como “direita” porque é até onde qualquer possibilidade de direita nesse país poderia ir. Mas aí, surgiram – para o desespero dos ideólogos do plantão – novos movimentos que de fato retomaram o que é direita e alguns partidos políticos nesse sentido também. O Novo é um exemplo. A reestruturação do PSL também.

É que os tucanos, apesar do bico longo, sabem o limite de onde podem colocar o nariz...sempre souberam...basta a leitura de Diários da Presidência do FHC.

Porém, veja, com exceção de Jair Messias Bolsonaro (PSL) – a quem também tenho algumas críticas – qual outro nome de uma direita se mostra com possibilidade de vitória, conforme as mais recentes pesquisas eleitorais. João Amoedo (Novo) não chegou a dois dígitos percentuais. Flávio Rocha vai no mesmo caminho. Se pode mudar o cenário eu não sei. Mas com base nos dados de hoje, não há o menor risco, a menor chance, de dois nomes de direita chegarem a um segundo turno.

Alencastro não traduz a realidade, mas sim coloca em cena um falso alerta para confundir a opinião pública sem sequer definir claramente os rótulos de esquerda e direita, quanto mais os extremos de cada lado. Um cientista político deve saber que tais classificações não são meros adjetivos, mas definições com base nas bandeiras que se defende.

Uma direita acredita no livre mercado, acredita que o setor produtivo é responsável por geração de emprego e renda e abomina a visão de “luta de classes”. Se com um viés mais conservador, vai se posicionar em defesa das tradições, culturas e religiões. E aqui estou colocando um resumo bem superficial.

Na esquerda, há um campo revisionista que reconhece atrocidades do comunismo, mas ainda assim acredita na intervenção estatal em tudo, aposta em coletivismo apoiados em bandeiras minoritárias e há uma ala mais radical que ainda usa o comunismo até no nome. Há, portanto, suas gradações.

Creio eu que os dois campos devam existir, apesar de me definir como direita. Faço sem medo e não escondo do meu leitor meus posicionamentos. Creio que é necessário para que assim ele concorde ou não comigo. Por essa razão que afirmo, a análise de Alencastro é uma balela sem tamanho.

O que temos no Brasil é um campo de direita ainda em formação, com seus desentendimentos, na busca pelo amadurecimento dessas mesmas ideias e que ganhou força com essa crise de representatividade após tanto tempo onde a hegemonia esquerdista era tão grande que “direita” virou um adjetivo pejorativo, como Alencastro ainda usa. Parece que ele fala de um “bicho-papão”: “olha, cuidado, a direita vem aí”. Só faltou usar os jargões de sempre e xingar quem quer menos Estado de fascista, quando o fascista é justamente aquele que quer que o Estado controle tudo.

Não há vazio na centro-esquerda nem na esquerda brasileira. Os principais partidos políticos ainda estão nesses setores: PDT, PSB, PSDB e alguns outros. Mas, Alencastro se entrega quando fala desse vazio. Ele diz que existe esse vazio porque é o PT que tem a “responsabilidade de ocupá-lo”. Ah, tá! E usa mais uma vez o termo “movimentos progressistas”. Na certa, mensalão e petrolão foram frutos da imaginação dos investigadores da Lava Jato.

Sinceramente, dá até preguiça de falar do resto da entrevista do cientista...

Estou no twitter: @lulavilar