Foto: Ascom/ALE/Arquivo D492041f 5771 4f1f a389 e1a0bf3b01e6 Deputado Ronaldo Medeiros

Ao repercutir a tumultuada audiência pública realizada na manhã desta terça-feira, 6, para discutir a privatização da Eletrobras Alagoas, o deputado Ronaldo Medeiros (MDB), líder do governo, protestou contra o que considerou uma quantidade desproporcional de policiais militares no auditório da Escola Superior de Magistratura de Alagoas (Esmal), onde ocorreu o evento, e nas imediações.

“Se o Fernandinho Beira-Mar viesse para cá não teria 10% da segurança que teve hoje... Impressionante a quantidade de policiais no auditório e ao redor... Para que? Quem participou foram os servidores da Eletrobras, não tinha bandido, ninguém estava armado... Para que tantas metralhadoras e fuzis? Para proteger quem de quem?”, questionou Medeiros.

O deputado relatou que a polícia cercou o quarteirão e revistou os participantes, agindo de forma desproporcional e pouco qualificada em alguns momentos. “Defendo polícia, mas, para que esse aparato, tanta arma?... Tem que fazer isso com bandido... Aliás, nem dentro do presídio tinha tanto policial como vi hoje”, acrescentou, comparando a cena a “um campo de guerra”.

Em aparte, Galba Novaes (MDB) disse que não entendeu a razão das críticas e defendeu que a presença da polícia visa manter a ordem e dar segurança aos participantes: “Em alguns momentos, algumas pessoas se infiltram para causar tumulto... Fico feliz quando vejo a presença da PM em uma manifestação, em blitz... Isso indica segurança. A presença da PM é salutar e digna de aplauso, mas se houve excesso, que seja apurado”.

Sem concorrência

Além do protesto contra o aparato policial, Medeiros também criticou o processo de privatização da distribuidora de energia elétrica. Ele defendeu que, ao contrário da telefonia, a energia elétrica não tem concorrência, o que irá deixar os consumidores reféns da empresa privada e zerar os investimentos nas pequenas cidades e na área rural.  

“Qual companhia privatizada vai investir pelo social, na roça? É possível privatizar estádio de futebol, centro de convenções, mas energia?... As tarifas vão aumentar e quem vai fiscalizar?... Não haverá concorrência e o serviço não vai melhorar... Serviços sem concorrência não podem ser privatizados”, prosseguiu, lembrando também das demissões decorrentes do processo.  

Dentro do tema, ele aproveitou para classificar o presidente Michel Temer (MDB) de “criminoso”, “grande surripiador do patrimônio do País” e pior presidente dos últimos anos para o Nordeste.

Também em aparte, Bruno Toledo discordou do entendimento do colega sobre a privatização: “O que as pessoas querem é a eficiência do serviço, sendo estatal ou empresa privada... E a Eletrobras não presta um bom serviço para população, pelo monopólio que tem. Porque não quebrar o monopólio estatal da distribuição de energia?”, pontuou, frisando que a privatização não eximirá o Estado de seu papel fiscalizador.

Os deputados Edval Gaia (PSDB) e Francisco Tenório (PMN), que presidiu a sessão ordinária, se solidarizaram com o pronunciamento do líder do governo.