Tirar da caserna e dar cargos de comando na estrutura administrativa governamental a militares pode se tornar um ‘problemão’. É que além de o poder ser encantador é natural que diante do quadro de decepção e enfraquecimento da classe política se busque avançar para dominar espaço.

Pois bem, derrotado na Reforma da Previdência, rejeitado estrondosamente pela população, o presidente Michel Temer – o mordomo de filme de vampiro de quinta categoria – tirou dos quartéis as Forças Armadas para intervir no Rio com o objetivo de desviar o foco do seu frágil governo.

O que poderia significar uma tentativa de resgate da imagem do presidente mais rejeitado da história pode resultar numa crise e até em algo perigosamente maior: o despertar do gosto dos militares pelo protagonismo e controle da gestão da máquina pública.

Agora mesmo o comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, assumiu publicamente, no Twitter, sua posição favorável a um militar no Ministério da Defesa, que já é ocupado de forma interina pelo general Joaquim Silva e Luna. Aliás, o comandante usou as redes sociais para compartilhar entrevista o comandante da Marinha, Almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira, defendendo um militar na pasta.

“Os argumentos do Alte. Leal Ferreira são consistentes e desprovidos de ideologia. Associo-me a eles”, escreveu Villas Boas. Ora, caro leitor, esse reforço de opinião é ou não um recado ao fraco governo do mordomo? O problema é que quando a turma de verde sai dos quartéis como protagonista demora a voltar, ou não quer retornar.

O fato é que os militares ganharam mais espaço no governo Michel Temer. Além do Ministério da Defesa e a intervenção no Rio de Janeiro, comandam a presidência da Fundação Nacional do Índio (Funai), a secretaria nacional de Segurança Pública do ministério homônimo, e cargos estratégicos de segundo escalão, como a chefia de gabinete da Casa Civil.