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Os serviços de inteligência das Forças Armadas e das polícias do Rio de Janeiro estão investigando ex-militares do Exército e da Marinha suspeitos de oferecem treinamentos a criminosos que dominam favelas da capital fluminense. De acordo com reportagem publicada neste domingo (4) pelo jornal O Estado de S.Paulo , esses instrutores recebem de R$ 3 mil a R$ 5 mil por hora de treinamento para ensinar quadrilhas a manusearem fuzis e granadas, e até mesmo técnicas de camuflagem e a definição de rotas de fuga.

Um oficial do Exército ouvido pelo jornal relatou que a existência desses treinamentos foi notada no fim do ano passado devido ao comportamento de criminosos armados durante operação na favela da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro . À época, as Forças Armadas prestavam auxílio na busca pelo traficante Rogério 157, que acabou preso em dezembro .

"[Os criminosos]  seguiam claros padrões profissionais, até no gestual de comando”, disse o oficial ao Estadão . Segundo seu relato, as quadrilhas se deslocavam de forma coordenada em grupos de até 12 criminosos, fazendo disparos seletivos e evitando o contato direto, “exatamente como faria a tropa em um ambiente adverso”.

Até o momento, ainda segundo o jornal, já foram identificados 12 ex-combatentes do Exército e Marinha – entre ex-paraquedistas e ex-fuzileiros navais – suspeitos de oferecerem treinamento especializado aos criminosos do Rio.

Forças Armadas no RJ

As Forças Armadas atuam na capital fluminense desde meados do ano passado, por meio da Garantia da Lei e da Ordem (GLO), definida pelos governos estadual e federal. Em fevereiro, frente ao agravamento do quadro de violência no Rio, o presidente Michel Temer decidiu assinar decreto de intervenção federal na segurança pública do estado com validade até 31 de dezembro.

O  responsável pela intervenção no Rio de Janeiro, general Walter Braga Netto afirmou, no fim do mês passado, que uma de suas missões no estado seria fortalecer as corregedorias das polícias para que o "bom profissional seja valorizado, e o mau seja penalizado". A declaração fazia referência somente aos policiais militares envolvidos com a milícia, sem menção alguma aos ex-combatentes das Forças Armadas investigados.