Ascom SMTT/Arquivo 4c7d6050 9ef4 42b8 9924 69a527b419b1 úmero de passageiros é o mais baixo dos últimos 20 anos

Fazer cortesia com chapéu alheio é uma das coisas mais fáceis do mundo. Em geral, políticos amam isso, mas sem se preocupar com “efeitos colaterais” e apenas motivados por aquela “boa intenção”. 

Sou um defensor ferrenho do fácil acesso à internet em todos os locais. No mundo em que vivemos, tornou-se uma das principais fontes de informação, ainda que tenhamos que enfrentar a chamada “fake news” e um mar de bobagens que também circulam por redes sociais e sites. 

Porém, a internet em si é só um meio. O que fazemos com esse meio é que pode ter uma relevância enorme. Que o país avance em sempre ter um produto de melhor qualidade pelo menor preço, para assim ser mais acessível a todos. 

O problema da legislação da Câmara Municipal de Maceió é que mais uma vez se abre a brecha para, fundamentado em boas intenções, se impor obrigações a um outro setor que, em que pese executar um serviço público, é privado e tem seus gastos. A preocupação dos vereadores deveria ser outra: como garantir um transporte público de melhor qualidade por um menor preço e não impor mais serviços que podem ter impacto, por menor que seja, no custo final. Aí, nada é grátis e sempre alguém paga a conta. 

Vejam: ainda que o impacto desse projeto seja mínimo, estamos permitindo que legisladores obriguem empresas a fornecer este ou aquele serviço, o que impacta em seus planejamentos. A brecha que se abre é perigosa, ainda mais em uma Câmara que já tentou até fazer lei para que empresas disponibilizem ônibus gratuitamente para funerais, já tentou regular estacionamentos de shopping centers e por aí vai...

Não raro, legisladores se travestem de engenheiros-sociais e rogam para si a função de pequenos deuses que acham que podem tudo por meio de projetos de lei. Não digo que isso é feito por maldade. Por vezes, há sim a boa intenção. Creio que aqui é até o caso. 

Não sei o impacto disso, pois a lei foi aprovada na Casa de Mário Guimarães sem que ninguém se preocupasse com este ponto. Seria interessante esclarecer. Agora, a matéria segue para sanção ou veto do chefe do Poder Executivo. 

Concordo com a justificativa da vereadora autora do projeto Silvânia Barbosa (PRB), que o serviço é importante para melhorar acesso, ainda mais em uma capital turística. Indago-me é o papel do poder público em obrigar. Pelo texto, a implantação será gradativa, e até o fim do ano, pelo menos 90% dos coletivos deverão permitir o acesso à internet. A empresa que descumprir a Lei acarretará sofrerá multas. 

O transporte público de Maceió é deficitário e caro. Quem usa sabe bem disso. A prioridade deveria ser outra inicialmente. 
 

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