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Todo  ano é assim . Os políticos  vem ao Quilombo e fazem  seu belo discurso, suas boas  falas  e vão embora. Histórias tão bonitas, que vai fazer isso, aquilo.

Mas, quem sofre, no dia a dia, dentro do Quilombo, sem nenhuma infraestrutura somos nós.

Quem sofre dentro do Quilombo  para dar respostas a comunidade são as lideranças.

As políticas partidárias só entram para tirar proveito da nossa história.

Temos problemas sérios no Quilombo, como crianças parindo na infância ,e não mais na adolescência. Mal tirou as fraldas já está com outro bebê para cuidar. A criança- mãe nem tem tempo de ser cuidada.

Temos o problema das drogas que invadiu os quilombos. E ninguém liga. Cadê as políticas públicas?

Nós tínhamos casa de farinha, cozinha industrial,  e tudo foi perdido por falta de recursos  para manter, e aí nosso povo fica desacreditado de tudo, principalmente de política.

Precisamos de ação dentro da comunidade. Não estamos mais  afim de ouvir esse blaábláblá  com começo, meio e nunca tem fim.

Falo tudo isso porque sou muito verdadeira e como líder quilombola quero o melhor para minha comunidade. E isso, nós, não temos.

 

Depoimento de uma liderança do Quilombo de Santa Luzia do Norte, município do território alagoano.No mês de novembro de 2017.