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Winnie Bueno, mestranda em Direito pela Universidade do Vale Rio dos Sinos (Unisinos/RS) na linha de pesquisa Sociedade, Novos Direitos e Transnacionalização, colunista / escritora / pesquisadora de Porto Alegre reinterpreta, com maestria, o desfile do Grêmio Recreativo Escola de Samba Paraíso do Tuiuti,  sediada no Rio de Janeiro, Brasil.

A Escola teve origem no Morro do Tuiuti,  situada no bairro de São Cristovão.  Estava sediada, até 2010, no mesmo bairro, próximo ao Campo de São Cristovão,  mas perdeu sua quadra nesse ano, para dar lugar a uma unidade da Rio Luz e no carnaval de 2018 trouxe  como enredo os 130 anos da Lei Áurea com  título "Meu Deus! Meu Deus! Está extinta a escravidão?".

“Não sou escravo de nenhum senhor / Meu Paraíso é meu bastião / Meu Tuiuti o quilombo da favela / É sentinela da libertação.”

O desfile da Paraíso do Tuiuti foi apoteótico e causou furor na avenida e nas mídias sociais.

Vai lendo o que nos diz Winnie Bueno:

 

“A esquerda classe média branca descobriu ontem que carnaval é crítica social.

Aliás, o desfile do Paraíso do Tuiutí, (que vocês nem sabem onde fica), definitivamente não era para vocês, para os seus Fora Temer, e ESPECIALMENTE, para o alívio da consciência política de vocês.

Era um desfile feito para a comunidade do Morro do Tuiuti, pela comunidade do Morro do Tuiuti.

É lamentável ver vocês transformarem isso numa mera síntese do "golpe" ao estado democrático pós impeachment da Dilma.

O que estava dado no desfile é que nós, pretos e pretos, estamos sofrendo golpes desde os primórdios da diáspora africana.

Não era sobre Temer.

Não transformem esse enredo importante para a comunidade negra, que vai entrar para nossa história da mesma forma que Kizomba - A festa da Raça, em um fetiche branco.

Edit importante pescado nas palavras do Onir Araújo: o enredo tem muito mais pertinência política com a luta dos quilombolas, que venceram uma luta política importante há uns dias atrás e a mesma esquerda branca deu um total de zero repercussão do que com os patos da FIESP e o "golpe" dos paneleiros.

Se orientem.”