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Não vou dizer que tenho certeza disso, mas tenho fortes indícios de que há um problema gigante na luta entre direita e esquerda: a ideia de que a esquerda chegou ao poder única e exclusivamente pelo voto e, portanto, só é possível vencê-la única e exclusivamente pelo voto. A esquerda chegou ao poder ganhando corações, mentes e fígados, dominando o mundo acadêmico, as associações de bairro, as redações dos jornais, a produção de conteúdo para emissoras de rádio, redes de televisão, teatro e cinema, impondo seu discurso do monopólio da virtude e aprovou inúmeras leis através da atuação de grupos de pressão. Destes pontos defendidos pela esquerda o que mais se faz presente na minha vida nos últimos vinte anos é a questão da Segurança Pública, mais especificamente a garantia do monopólio da força nas mãos do estado e, consecutivamente, o almejado desarmamento da população. Portanto, ao meu ver, a eleição de representantes conservadores/liberais, fora do extenso espectro vermelho se dará, como já está ocorrendo, de forma reflexiva à mudança cultural e diante da narrativa liberal/conservadora. É exatamente pensando nisso que NÃO sou candidato a nada e não estou preocupado em fazer campanha para o candidato A ou B ou para o partido X ou Y. Minha missão continua sendo outra! 

Todo ano eleitoral surge o boato de que sairei candidato ou me filiarei ao partido tal. Todo ano há uma certa decepção – para o bem e para o mal – quando isso não ocorre e, neste ano eleitoral, será exatamente a mesma coisa. Lançar-me candidato, tornar-me partidário ou ainda cabo eleitoral só serviria para reduzir aquilo que – nada modestamente falando – faço de melhor: demonstrar que o desarmamento é uma enorme mentira e que o apoio a ele é ruim para todos, menos para os criminosos e para os defensores de um estado autoritário e absolutista. No momento em que você se lança candidato há que escolher um partido, escolher “um lado” e disso resulta a óbvia perda de tramitação entre outros partidos e outros políticos. Passaria a ser imediatamente concorrente daqueles que acreditam no mesmo que eu, uma estratégia nada inteligente para quem nunca quis alçar voos eleitorais, embora, confesso, pessoal e financeiramente seria bem interessante – única e exclusivamente – para mim mesmo.

Eu seria um imbecil se achasse ou defendesse a ideia que não é necessária uma bancada de direita, claro que é! E ela está surgindo. Em um primeiro momento de forma quase acidental com muitos deputados e senadores com perfil liberal/conservador, porém com inevitável contaminação ideológica e fortemente pressionados pela opinião publicada na grande imprensa, o que quase nunca reflete verdadeiramente na opinião pública. A Internet, as redes sociais, a interação desse pessoal com seus eleitores vem sendo o grande responsável por essa mudança. Há agora o surgimento de uma nova bancada de direita, essa sim com pensamento liberal/conservador de raiz, ou seja, se elegerão com o discurso que muito só adquiriram com o passar do tempo e a mudança dos ventos. Mas, novamente reafirmo, minha missão não é essa! Não é garantir a chegada ao poder desse pessoal e nem quero uma responsabilidade desse tamanho. Deus me livre! Tenho como objetivo garantir que essa garotada que está chegando por ai e vão chegar ao poder o façam com uma ideia clara sobre armas, restrições e desarmamento. Entenderam? É exatamente por isso que não me furto de conversar, palestrar, informar qualquer um que assim o deseje. Simples, assim! Ah! E reforçando: isso seria impossível como candidato a qualquer coisa!  

Fui recebido há poucos dias pelo Flavio Rocha, empresário presidente das lojas Riachuelo que, ao que dizem, pretende se lançar como candidato. Não falamos sobre isso, falamos apenas sobre segurança pública e sobre o absurdo de se impedir que um cidadão devidamente consciente e treinado tenha armas de fogo para sua defesa, ainda mais frente à falência do aparato estatal de segurança. Antes disso fui chamado para uma entrevista sobre o tema para o Movimento Brasil 200, capitaneado por Flavio. Aceitei imediatamente, da mesma forma que aceitaria e aceitei participar de programas da Globo News ou da Record, embora ambas as emissoras tenham posições francamente adversas com as minhas e em conformidade com a ideologia dominante. Após postagem dele em seu perfil do Facebook falando sobre o encontro e indicando o Mentiram Para Mim Sobre o Desarmamento, surgiram alguns ataques e críticas.

Coisa parecida ocorreu no passado quando aceitei ser entrevistado pelo João Doria, prefeito de São Paulo. Imaginaram alguns, na época, que o prefeito teria algum dom extraterrestre e eu sairia de lá fazendo o seu gesto padrão de “acelera”. Erraram mais uma vez e continuarão errando enquanto acharem que o que eu faço, ou deveria fazer, é política partidária… Oras, repito aqui: minha missão, escolhida por mim mesmo há vinte anos atrás, é levar informações e, digamos, um outro olhar sobre as políticas de segurança pública, transformar o desarmamento em assunto maldito e – olhem só! – isso está realmente acontecendo neste momento e não é fruto de geração espontânea. Muita gente trabalhou e trabalha sério em cima disso, eu sou, talvez, apenas o que ganhou mais visibilidade. Quantos daqueles que me seguem não conheciam o prefeito da maior cidade do país? Acredito que nenhum. Agora, quantos do seguidores e eleitores do prefeito nunca tinham ouvido alguém defender o direito à posse de armas com propriedade e conhecimento? Muitos! 

Em todos esses anos, vi dezenas de grupos, movimentos e associações surgirem e desaparecerem, todos com viés “mais ou menos” de direita. Já todos os de esquerda continuam aí, infernizando a sociedade brasileira. Com isso em mente, torço para que todos os de espectro liberal/conservador sobrevivam, mesmo não concordando com um ou outro ponto ou estratégia. Faço críticas? Faço! Mas de modo privado, uma vez que a esquerda que ainda domina quase hegemonicamente a imprensa tem espaço praticamente ilimitado para bater em público. Não sei se o Movimento Brasil 200, encabeçado por megaempresários, terá futuro, tudo depende única e exclusivamente de não repetirem os erros, por exemplo, do Movimento Cansei, surgindo mais ou menos nos mesmos moldes e triturado pela imprensa e pela opinião pública depois de permitirem que lhes colassem o rótulo de grupo elitista, que só estava preocupado em manter as regalias dos empresários “malvadões” e exploradores. Ver empresários saírem de suas tocas e bolhas ideologicamente assépticas é motivo para se comemorar. Vejam, por exemplo, como se mantêm as grande organizações e fundações da direita americana, não é com tapinha nos ombros…

Ponto interessante e que não posso deixar de comentar é que a maioria dos que me atacaram ou criticaram o fizeram única e exclusivamente por verem no Flavio Rocha uma tentativa de “roubar” votos da direita, ou mais precisamente do pré-candidato Jair Bolsonaro. Interessante é que mesmo criticado duramente – e de uma forma até bastante injusta – Bolsonaro afirmou em entrevista para revista Exame que Flavio Rocha teria espaço em seu grupo de apoiadores. Em vinte anos não conheci nenhum outro político com mais aversão à Realpolitik do que ele, sendo assim, sua declaração não me parece apenas fruto de interesse eleitoral. 

Durante décadas a direita reclamou da falta de representatividade e da falta de espaço para expor suas ideias, quando isso começa a mudar parte dela reclama que os novos apoiadores e os novos espaços conquistados são fruto de aproveitadores de última hora, que é por motivo eleitoral, blá blá blá. Desculpem minha franqueza, mas isso é falta de visão. Claro que oportunistas surgirão, e políticos farão o certo mesmo que por motivos errados, foi exatamente assim que a esquerda chegou onde chegou e a direita foi engolida. Em 2005, ano do referendo das armas, tínhamos apenas oito deputados federais que se posicionavam contra o desarmamento, hoje temos algo próximo de duzentos e essa bancada deve se ampliar na próxima legislatura. O que eu deveria fazer? Reclamar? Dizer: “Olha! São um bando de oportunistas, que em 2005 não se manifestavam” e seguir vendo os projetos de lei inúteis e ideológicos serem aprovados como ocorreu com o malfadado Estatuto do Desarmamento? Sei lá, para mim não me parece uma boa estratégia…

Já palestrei para liberais e libertários, mesmo sendo um conservador, estive com Jair Bolsonaro e seus filhos inúmeras vezes em eventos e bate-papos sobre segurança, escrevi artigo para o NOVO de João Amoedo, palestrei para o MBL e para gente que odeia o mesmo MBL e sei que nenhum deles acredita que eu devo me tornar partidário, cabo eleitoral ou apoiador de todas as suas outras causas e posicionamentos. Estou e sempre estarei disposto ao debate, ao esclarecimento, a ajudar, de forma argumentativa, a qualquer um, independentemente do partido, credo ou torcida desde que deseje se opor a essa política desarmamentista criminosa que nos foi enfiada goela abaixo. Eu não quero o seu voto, não quero troca-troca eleitoral, não quero cargo no governo, não quero persuadir ninguém a votar em ninguém. Minha missão é outra, pena que nem todo mundo entenda isso. E vamos em frente!