2852f91a 6dab 4282 8b4e 4292e808187b

Mais de 5% da população brasileira sofre com alguma problema de audição Garantir a inclusão social dessas quase 10 milhões de pessoas é fundamental. Aprender Libras é um grande passo para integração. E para facilitar o aprendizado nada melhor do que conhecer bem a comunidade surda de nosso país.

Assim como a língua portuguesa, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) é reconhecida oficialmente como idioma oficial de nosso país. Esse fato, que muitos brasileiros ainda desconhecem, ocorreu durante a década 2000. Isso depois de uma incansável luta da comunidade surda nacional que durou mais de 30 anos.

Mas, desde 2002, os deficientes auditivos do Brasil têm o acesso a Libras garantido por lei. A Lei 10.436 proíbe que a Língua Brasileira de Sinais seja substituída pela língua portuguesa escrita.

Língua Brasileira de Sinais não é comunicação em português por meio de gestos para inclusão dos surdos

Quem não convive diretamente com deficientes auditivos no cotidiano costuma pensar que Libras é uma tradução literal do que é dito em português para que os surdos possam compreender também. Ledo engano!

Na verdade, a Língua Brasileira de Sinais é considerada um idioma como qualquer outro. A diferença é que ele foi criado com o nobre objetivo de integrar os deficientes auditivos à sociedade.

Libras revolucionou a vida dos deficientes auditivos brasileiros

O desenvolvimento da Libras ocorreu, ao longo do século XIX, no Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES). A instituição foi fundada no Rio de Janeiro, por Huet, um surdo francês que provou em sua terra natal (e depois em nosso país) que era possível sim a inclusão de pessoas como ele na sociedade. Bastava criar uma língua especial para surdos.

A Língua Brasileira de Sinais foi criada com a combinação eficaz das expressões faciais e gestos que os surdos já faziam para se comunicar e a língua de sinais usada na França. O resultado foi tão positivo que se tornou um marco na inclusão dos deficientes auditivos no Brasil.

Cada país tem sua própria língua de sinais para surdos

Assim como um brasileiro precisa aprender inglês para se comunicar bem com um americano e vice-versa, o mesmo ocorre com a comunidade surda. Para um deficiente auditivo brasileiro, por exemplo, se entender bem com um surdo português precisaria aprender a Língua Gestual Portuguesa (LGP). Já se um deficiente auditivo dos Estados Unidos quisesse morar no Brasil, o ideal seria fazer um curso de Libras antes da mudança internacional. E por aí vai.

Surdo-mudo é exceção por isso o melhor é evitar o termo

Os surdos são capazes de falar, porém não costumam se expressar dessa forma (por diversos motivos). Inclusive porque a maioria das pessoas com esse tipo de deficiência tem muita dificuldade em aprender português e outros idiomas diferentes das línguas de sinais (devido aos fonemas por exemplo). Já os mudos conseguem ouvir, mas tem deficiência apenas na fala. Até existem surdos-mudos no mundo, mas é um quadro clínico raro.

Adoção de Libras nas escolas é forte tendência

Universitários de Fonoaudiologia têm acesso ao ensino de Língua Brasileira de Sinais na grade curricular de seu curso superior. Assim como as pessoas que estão estudando para exercer o magistério para atuar no ensino médio e fundamental no Brasil. Já outros profissionais precisam investir em cursos de Libras para garantir a inclusão dos surdos em seus atendimentos ou estabelecimentos.

Na área da educação, a inclusão da língua de sinais nas escolas públicas e privadas é grande expectativa. Na capital do Acre, por exemplo, alguns colégios municipais já ensinam Libras há alguns anos.

A Câmara Municipal de Caraguatatuba, no estado de São Paulo, aprovou em 2017 o projeto de lei que implementa o ensino de Libras nas escolas. Na capital paulista, um outro PL tramita com a mesma finalidade inclusiva em todos os colégios presentes na cidade. Esses são apenas alguns exemplos de municípios brasileiros que já estão antecipando a tendência de inclusão social dos surdos.