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O senador Fernando Collor de Mello (PTC) sempre fez questão de ser uma “esfinge” a cada processo eleitoral. Toda vez que é eleição, seu nome surge no tabuleiro como uma figura solitária que pode tomar qualquer destino. Foi assim, por sinal, que retornou ao Senado Federal e derrotou, na época, o franco favorito Ronaldo Lessa (PDT), que hoje é deputado federal. 

Nos discursos, Collor varia entre rompante e as palavras puxadas de cantos recônditos do dicionário. Uma patuscada! Assim, ganha manchetes. Quando não é isto - como ocorreu nos últimos anos - são os fatos do passado, devido a presidência interrompida em meio aos escândalos, ou a Operação Lava Jato, na qual alega inocência. 

Se Collor for candidato à presidência da República, como ele mesmo anuncia, não fugirá a nada disso. Afinal, Collor não fugirá de si mesmo, nem de seu passado. Todavia, quando Fernando Collor de Mello se vende hoje como alternativa, se vende como algo que é difícil crer. Collor está no segundo mandato de senador da República. Onde esteve nesses anos?

Quando se lançou candidato ao governo do Estado de Alagoas, em 2010, se fez como sendo o nome dos ex-presidentes Lula (PT) e Dilma (PT), em Alagoas. Lembram do polêmico jingle que gerou até batalha judicial? Pesquisem no google.  

Mesmo com o PT ao lado do PDT de Ronaldo Lessa, a quem Collor apoiou no segundo turno, Fernando Collor se mostrava com um homem do ex-presidente e da ex-presidente petistas. Teve, por sinal, forte influência nesse governo federal estamentário, só sendo crítico nas proximidades do processo de impeachment de Dilma Rousseff, quando votou pela saída da ex-mandatária do país. 

Na campanha de 2014, quando foi candidato ao Senado Federal, Fernando Collor de Mello teve seu nome utilizado - ainda que indiretamente - pelo PT para atacar Marina Silva (Rede). Para o PT, Collor ali foi sinônimo do “desconfiável”. Mas, aliado da turma, Collor focou em sua candidatura local e assistiu às críticas de maneira passiva. 

Agora, em um cenário nebuloso e bagunçado, em que muitos surgem para concorrer à presidência como “alternativa a tudo que aí se encontra”, Fernando Collor de Mello lança o seu nome como pré-candidato. Pode ser uma patuscada? Pode! Afinal, o pequeno PTC precisaria muito mais do que do nome de Collor para sustentar tal candidatura. 

E vejam só a declaração de Fernando Collor na Gazeta FM de Arapiraca: “Hoje as intenções de voto apontam dois candidatos extremistas. Um deles é o ex-presidente Lula e o outro é o deputado federal Jair Bolsonaro. Mas acredito que muitos brasileiros pensem em não votar nem em um nem em outro. Minha candidatura ainda não está definida, mas não descarto essa possibilidade”. 

Quer dizer que para Collor Lula voltou a ser o Lula de 1989? Onde estava essa visão de Collor quando buscou o apoio de Lula para tentar ser candidato ao governo do Estado de Alagoas? Como Collor muda de posição não é mesmo? Collor agora quer ser a imagem do homem moderado, que nem está em uma “extrema-esquerda” nem em uma “extrema-direita”, seja lá que ele entende por esses termos. 

Collor - com esta declaração - quer se vender como a “ideia oxigenada” que olha para frente. Porém, o problema é o que o prende ao passado. Afinal, o extremismo de Lula não foi alvo de críticas de Collor quando essas pretensões passavam longe e quando ele era aliado da turma. Por fim, o senador do PTC diz que sua candidatura não é definida, mas não descarta a possibilidade. É a frase clássica de quem joga o nome para observar como o tabuleiro se comporta... 

Estou no twitter: @lulavilar