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Somente no ano de 2017, mais de 2.700 trabalhadores alagoanos solicitaram afastamento dos seus postos de trabalho por conta das doenças ocupacionais que  são cada vez mais frequentes. Os dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e algumas dessas doenças resultaram na licença trabalhista momentânea por vários dias e, em casos extremos, até meses.

Entre os muitos agravos que acometeram a saúde dos trabalhadores de Alagoas, destacaram-se os acidentes, provocados por lesão corporal ou perturbação funcional que causaram a morte, a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho. Os acidentes de trabalho grave, que resultaram em mutilações ou que acometeram menores de 18 anos, lideraram a lista, com 978 notificações, no total.

Em segundo lugar, foram os acidentes de trabalho com exposição a material biológico, com 805 casos e, por último, 201 notificações de acidentes por animais peçonhentos relacionados ao trabalho. No mesmo período de 2016, foram confirmados 544 casos por acidentes de trabalho grave, 928 casos por acidentes de trabalho com exposição biológica e 94 casos de acidentes por animais peçonhentos relacionados ao trabalho.

Outro foco nas doenças foram os empregados que desenvolveram câncer por contato com produtos tóxicos ou até serralheiros que apresentaram problemas oftalmológicos, por exposição à solda.  Além disso, os trabalhadores também apresentaram distúrbios da voz, que provocaram limitações de ordens física, emocional e profissional, principalmente aos professores, advogados, telefonistas, vendedores, operadores de telemarketing e todos os indivíduos que fizeram uso da sua comunicação vocal como instrumento de trabalho.

Contudo, as mais comuns foram àquelas relacionadas aos sistemas auditivo e respiratório, tais como a asma ocupacional, acidentes por animais peçonhentos relacionados ao trabalho e Perda Auditiva Induzida por Ruído (Pair) - uma doença que acarreta a diminuição na capacidade auditiva, decorrente da exposição regular a níveis elevados de barulho. Além da perda da audição, o trabalhador ainda perde importantes índices de qualidade de vida, causando irritabilidade, ansiedade, isolamento e ainda aumento da pressão arterial.

De acordo com a assessora técnica do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), Maria do Socorro Marques Luz, a doença ocupacional é aquela em que o trabalhador ficou exposto a agentes nocivos para sua saúde, sem que houvesse a proteção necessária, ou ainda mesmo com a proteção. Ela salienta que o grau de exposição foi acima do tolerável por lei, em períodos longos, médios ou curtos e as que as doenças ocupacionais podem demorar anos para se manifestarem, mas, quando o fazem, a situação já está crítica. 

LER/DORT 
Além disto, a dermatite de contato, a lordose, os transtornos mentais e as Lesões por Esforços Repetitivos ou Distúrbios Osteomoleculares Relacionados ao Trabalho (LER/DORT) também estiveram entre as principais doenças que acometeram os trabalhadores alagoanos em 2017. Essas doenças representaram diversos problemas às empresas, a exemplo de altas despesas, desde custos médicos e indenizações aos trabalhadores e famílias, até perda de produtividade e desgaste da imagem das corporações.

 “A melhor prevenção a essas doenças ocupacionais é a proteção adequada. As empresas têm a obrigação de fornecer a todos os seus colaboradores Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), de acordo com o nível de risco em cada tipo de serviço e orientá-los sobre a forma correta de uso. Também é imprescindível a fiscalização recorrente para que os equipamentos deixem de ser usados com o tempo”, destacou.

Para Maria do Socorro Marques Luz, a questão das doenças ocupacionais é de grande magnitude e, por este motivo, os gestores precisam estar conscientes de que, em seus municípios, orientem seus técnicos quanto às notificações. Isso porque, segundo ela, se há o registro do problema, o perfil epidemiológico desse público-alvo é traçado e, a partir disso, as notificações são cadastradas no Sinan, permitindo planejamento e intervenção.

“Além de tudo, precisamos enfatizar isso com os profissionais de saúde, porque é preciso não apenas notificar, mas qualificar essas fichas de investigação. Uma realidade que se deve ao fato de muitos dados apresentam inconsistência em alguns casos, o que acaba dificultando o trabalho de traçar esse perfil fidedigno e, a partir dele, desencadear ações de combate às doenças laborais”, explicou.