Foto: Paulo Whitaker/Reuters/Arquivo 5c7d051b fb64 4409 94a2 4c876dcd04ec Renan Calheiros e ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Penedo

O senador Renan Calheiros (PMDB) afirmou estar temeroso em relação ao julgamento do ex-presidente Lula (PT), marcado para o dia 24 deste mês, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), no Rio Grande do Sul. Em entrevista à rádio Guaíba de Porto Alegre nesta terça-feira, 16, Calheiros declarou apoio a uma possível candidatura do petista e disse temer que a turma do TRF-4 confirme uma decisão que, segundo ele, foi política e “sem provas” na primeira instância.

Calheiros fez referência à sentença onde o juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, condenou o ex-presidente a pouco mais de nove anos de prisão, por corrupção e lavagem de dinheiro, no caso do apartamento tríplex do Guarujá.

“O judiciário não deveria ter uma interferência tão grande no processo eleitoral, sobretudo quando, com sua decisão, pode afastar da presidência da república não só o favorito para as eleições, mas àquele que os brasileiros entendem como melhor presidente de todos os tempos”, avaliou o pemedebista.

Questionado se voltaria a subir no palanque com Lula, como fez em agosto do ano passado, em Alagoas, o senador confirmou e declarou o voto no ex-presidente: “Se o Lula for candidato e em função do PMDB dificilmente ter candidato próprio, eu votarei no Lula, independentemente da aliança que o partido possa estabelecer ou não”.

“O povo de Alagoas reconhece aquele que avançou com os programas sociais, retomou investimentos públicos”, prosseguiu, lembrando seu próprio papel, quando presidente do Senado, em defesa de algumas conquistas dos brasileiros.

Para Calheiros, na próxima semana os desembargadores que compõem o TRF4 terão oportunidade de demonstrar que o julgamento de Lula não será político: “Condenar sem provas não tem justificativa”, reforçou, citando o princípio da presunção da inocência e defendendo o direito do petista se candidatar à presidência. “Se o Tribunal Regional perder a oportunidade de assegurar o estado de direito, será muito ruim para a democracia, para o Brasil e para as próprias eleições”.