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Eu escrevo, é verdade, mas confesso que é muito mais por necessidade, por obrigatoriedade do que por gosto ou, muito menos, por talento. O que eu gosto mesmo, paixão na verdade, são palestras e debates. Nas palestras, o contato com o público, a dificuldade de públicos arredios, a necessidade obrigatória de garantir que sua mensagem está sendo recebido e entendida, ali, naquele momento, sem segunda chance, sem segunda leitura de um determinado parágrafo, sem a possibilidade de consulta a dicionários, é apaixonante e desafiadora.

Desafio! Essa é a palavra que, pego-me aqui agora pensando, sempre foi meu combustível. E nada, mas nada mesmo, é mais desafiador do que um debate franco, aberto, ao vivo, sem cortes ou segundas chances! Cada debate se apresenta sempre – e não passei por poucos – como um desafio. Há sempre o inesperado, o argumento contrário, o trocadilho, a pegadinha intelectual do adversário, o frio na barriga antes do início de cada um, como se fosse o primeiro. Durante o debate a coisa flui sem tempo para pensar muito, algo quase instintivo. É como um combate real, que coloca em prática todo o seu treinamento. É fantástico tanto quanto exaustivo. O documentário Melhores Inimigos, no qual o conservador William F. Buckley Jr. e o esquerdista Gore Vidal travam uma batalha durante onze noites, transmitida para todos os Estados Unido durante as eleições presidenciais de 1968, traz de forma magistral isso tudo.

Perdi a conta de quantos debates participei; alguns foram memoráveis, outros, quase inexpressivos, melancólicos. Infelizmente nesses últimos tempos, os entreveros intelectuais foram rareando, bons debatedores sumiram e outros simplesmente não aceitam debater, preferem de forma cômoda as páginas dos jornais e o espaço quase infinito dado pelas redes de rádio e TV. Fóruns de segurança, criados para “debater” Segurança Pública com posições claramente ideológicas e distantes de qualquer tecnicidade sobre o assunto, criam subterfúgios inacreditáveis para simplesmente se negarem ao debate. Como sempre, se escondem e encolhem na pequenez do discurso pronto, fácil e palatável aos seus financiadores. Nos últimos tempos não foram poucos os debates que simplesmente não aconteceram porque não havia debatedores dispostos do lado desarmamentista.

Nesta semana fui violentamente atacado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma ONG criada para, em tese, discutir o tema mais urgente no Brasil hoje. O motivo do ataque? Fui simplesmente marcado em uma publicação na qual o Fórum defendia o megainvestidor George Soros, o maior patrocinador de todas as pautas esquerdistas no mundo, incluindo o desarmamento. Provocado, desafiei-os para um debate e pronto: virei inimigo público número um deles. De forma inacreditável condicionaram uma possibilidade – friso a POSSIBILIDADE! – de debate à abertura das minhas contas e financiadores, como se uma entidade privada, que não recebe um só centavo de dinheiro público, tivesse alguma obrigação de fazê-lo.

A estratégia é simples: levantar dúvidas acerca dos meus interesses. O ataque foi seguido de centenas de mensagens de pessoas que me apoiam e financiam o Movimento Viva Brasil com doações absolutamente voluntárias e essas – vejam só – jamais me pediram qualquer coisa desse tipo. O motivo é simples: doam ao reconhecer o meu trabalho frente ao direito de defesa do cidadão. Se acharem que o “produto” não é bom, simplesmente não “compram” e ponto- final.

Seja como for, mesmo que de forma indireta, a ocasião revelou duas coisas: o Movimento Viva Brasil é uma pedra no sapato do establishment das políticas fracassadas de segurança pública que eles defendem e, o mais importante, eles não têm lastro para embarcar em um franco debate de ideias sobre a questão do desarmamento. Falam, mas são incapazes de sustentar suas posições. Uma pena, um episódio triste, que mostra a pequenez daqueles que ditam hoje a catastrófica política de segurança pública no Brasil, baseada em preceitos marxistas ultrapassados, onde os criminosos são as vítimas, a polícia é opressora e todo cidadão que quer uma arma para sua defesa perante um Estado falido é visto como um assassino pronto para fazer justiça com as próprias mãos. E, ainda por cima, é você que literalmente paga por isso, com seus impostos.