Foto: Lisa Gabriela/Cada Minuto C07d1e44 abfb 498b 9344 0e23d9233059 Prefeito Rui Palmeira

Li a entrevista concedida pelo prefeito de Maceió Rui Palmeira (PSDB) ao CadaMinuto, na manhã de hoje. O tucano se mostrou atento ao cenário ao falar do Senado Federal. Sabe que seu grupo político tem dois objetivos definidos: conciliar interesses diante de pré-candidaturas postas como a do ministro dos Transportes, Maurício Quintella Lessa (PR), do senador Benedito de Lira (PP) e do ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB). O outro ponto é derrotar o senador Renan Calheiros (PMDB).

Não pode ele, que é o “cabeça” do grupo, ter preferências em um momento de conciliação de interesses que envolvem ainda diálogos com o ministro do Turismo, Marx Beltrão (PMDB); apesar deste ser do PMDB tem divergências com o grupo dos Calheiros, ainda que tenha o espaço garantido na legenda. Sim, as conversas entre Rui Palmeira e Marx Beltrão ocorrem. Então, a cautela de Rui Palmeira diante dos holofotes é a estratégia acertada.

Agora, a pressão por parte do PSDB é “charminho”. A esta altura do campeonato ou Rui Palmeira dialoga com os aliados como pré-candidato ao governo dando sinais de sua disposição para fechar alianças; ou não dialoga como pré-candidato.

O que Rui Palmeira chama de pressão é a atividade natural da política diante da existência de um grupo de oposição que busca se definir.

O tucano Teotonio Vilela Filho colocou o PSDB nas mãos de Rui Palmeira e deu a ele esse “poder de fogo”. Palmeira aceitou sabendo da missão, pois é o nome da oposição que aparece melhor colocado para disputar o governo do Estado de Alagoas.

No momento em que é também presidente da legenda passa a ser a referência para todas as negociações legítimas da montagem de uma chapa. É natural que todos os aliados dos tucanos, bem como os adversários, tratem Rui Palmeira como pré-candidato, como fez o ministro Maurício Quintella, na manhã de hoje ao conceder entrevista a este blog.

A esfinge que Rui Palmeira tenta ser é jogada para os holofotes. Afirmo com todas as letras: a decisão do prefeito já está tomada. Qual é? Aí é com o futuro. Mas manter o silêncio agora é também jogar pulgas nas orelhas dos adversários. Afinal, tanto um lado quanto o outro movem as peças do xadrez olhando para quem enfrentará.

Por isso a “colisão” entre órgãos estaduais e municipais. Por isso, em muitos momentos, o governo se pautar pelo prefeito.  

No Palácio República dos Palmares, o governador Renan Filho (PMDB) tenta desmontar o palanque de Rui Palmeira buscando o maior número de partidos possível. O chefe do Executivo estadual busca consolidar os números que surgem nas pesquisas de intenção de votos e isto inclui limitar o raio de atuação do prefeito.

Rui Palmeira sabe disso.

Tanto é assim que, mesmo tendo a razão na denúncia que fez em relação ao Tribunal de Contas do Estado de Alagoas, não deixou de fora a repercussão dos componentes políticos dessa denúncia. O chefe do Executivo municipal não mirou apenas na presidente do TCE, Rosa Albuquerque, mas citou o deputado estadual Antônio Albuquerque (PTB) como um mensageiro dos Calheiros na tentativa de prejudicar ações de sua administração municipal. É parte do jogo. E ninguém é inocente para achar que Rui Palmeira não pensou estrategicamente em suas declarações de “desabafo”.

O prefeito não esconde sua decisão apenas da população maceioense, mas, sobretudo dos adversários. A “pressão” do PSDB é o que menos incomoda a Rui Palmeira.

Quanto a Marx Beltrão, fontes da Prefeitura Municipal de Maceió afirmam que os últimos diálogos do prefeito com o ministro foram bastante produtivos. Beltrão não se negaria a dar sinais positivos em relação à candidatura de Palmeira desde que ela passe a existir oficialmente. Um apoio de Beltrão teria um “efeito psicológico” no tabuleiro de xadrez. O mesmo efeito que Renan Filho tenta produzir ao buscar arrancar todos os aliados de Palmeira.

É claro que o prefeito é bastante inteligente e sabe, dentro de sua calma e silêncio, os caminhos que precisa trilhar para se sentir seguro em deixar a Prefeitura de Maceió. Dizer que está sendo pressionado, repito, é charminho...

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