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Caros leitores, o final de 2017 me trouxe uma grata surpresa: escrever uma obra sobre o intelectual alagoano Tavares Bastos: o maior nome do pensamento federalista do Brasil. Um liberal assumido que, em pouco tempo de vida, foi capaz de produzir obras fantásticas como A Província e discursos surpreendentes no parlamento nacional, como os feitos em defesa da agricultura brasileira, dos indígenas e do abolicionismo.

Bastos não apenas foi um dos maiores nomes de Alagoas no final do século XIX. Foi também um dos maiores pensadores do país, sendo reconhecido por Joaquim Nabuco dentre outros. Foi opositor ferrenho do centralismo burocrático estatal e defensor das liberdades individuais. Acreditava que uma nação não poderia ser refém de nenhum governo, tendo o legislador como principal missão proteger às liberdades do indivíduo contra o excessivo poder coercitivo do Estado.

Tavares Bastos é um dos grandes influenciadores do meu pensamento. Costumo dizer que sou quase um tavariano. E assim tem sido desde que o descobri no início da década de 2010, quando me deparei com Cartas do Solitário e com A Província. Sempre sonhei em promover o resgate de seu pensamento e eis que tal quimera vem se tornando realidade na produção de uma obra que já conta com alguns capítulos escritos e com a negociação para a publicação.

Como disse nas redes sociais, o objetivo é uma obra curta – de no máximo 200 páginas – que estimule pessoas a conhecerem a obra do autor para que assim eu possa sumir e Tavares Bastos definitivamente aparecer. O pensamento de Bastos era para estar sendo estudado em universidades. Suas obras deveriam estar nas estantes de todas as livrarias. Em que pese o que soa datado, a essência de seu pensamento é uma lição para os tempos atuais.

Entendia, dentro de uma visão liberal clássica, que um povo não se desenvolve sem ter a noção de seu senso histórico, de como produziu suas conquistas, das reflexões sobre os próprios erros e o respeito pela cultura e tradições das comunidades. Acreditava no princípio subsidiário das decisões, contrariando a concepção de nosso atual pacto federativo que concentra poder e recursos demais em um governo central (o federal), subjugando os Estados a decisões tomadas por políticos burocráticos presos em gabinetes que sequer conhecem a realidade das regiões de um país continental.

O Gigante da Província deve ser lançado ainda este ano se tudo der certo dentro do cronograma por mim estabelecido. Estar à altura de tal tarefa hercúlea tem sido o meu maior desafio. São semanas e semanas de estudos sobre a República e sua fundação militarista e positivista que, em essência, é o que há de mais distante da visão republicana de Tavares Bastos ao defender o federalismo.

Como coloquei em um dos trechos da obra, "o que Tavares Bastos percebeu é que a realidade não pode ser condicionada aos desejos, ainda que sinceros, de mundo melhor. Mas sim que ela, a realidade, possui elementos sobre os quais podemos refletir e assim retirarmos o melhor da polis (no puro sentido grego) na busca de um bem comum. Razão pela qual desprezou a pura erística no parlamento (sem descuidar da retórica e da linguagem) e tocou em pontos que, ainda que custasse a popularidade diante de gigantes que eram seus contemporâneos, não se afastaria da busca pela verdade e pela compreensão dos fatos para além das ideologias. Eram discursos de uma beleza literária ímpar, mas sem descuidar de uma grandeza lógica absurda"

Aos poucos – entre os textos de política deste blog – vou comentar mais sobre o Gigante da Província. Que o pensamento de Tavares Bastos seja popularizado e discutido. Se o leitor ainda não o conhece, indico que pesquise sobre esse alagoano que muito nos orgulha!

Estou no twitter: @lulavilar