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Luiz Roberto Lima, fotojornalista e  ativista escreve do Brooklyn, New York, Estados Unidos e o blog reproduz:


"Se eu soubesse que todas as mazelas que eu passei, me transformaria na pessoa que eu sou hoje, teria aproveitado mais cada lição que a vida queria me ensinar. 
As ruas me ensinou a me virar sem criar expectativas em relação à nada. 
As coisas podem dar certo ou erradas, mas você tem que descobrir sozinho.
Não ter meus pais me fez desenvolver um amor maior pelas pessoas, que ultrapassa a relação cosanguenia, onde qualquer pessoa pode ser parte da sua família.
O orfanato foi um lugar necessário, mas nunca mais deve existir, toda criança precisa de um núcleo famíliar, mesmo temporário.
O abuso sexual me ensinou que não existe nada, exatamente nada, que não possa ser superado, por mais horrenda que for. 
Você é capaz de prosseguir.
O racismo foi a pior parte, me fez descobrir o homem que eu podia ser, não o que as pessoas esperavam que eu fosse. 
Com isso, compreendi que eu podia e estaria em qualquer lugar que o meu coração quisesse e não o que a sociedade determinasse o que era para mim.
A prisão foi uma das maiores injustiças que vivi. Vi como nós pobres e negros somos tão vulneráveis. Que a fé pública de um policial corrupto guiando uma vítima no calor da emoção pode destruir a vida de um inocente. 
Os 3 meses ali custaram 15 anos da minha vida, esse foi o tempo em que não tive um documento sequer. 
Não existia nas estatísticas, vivia como um clandestino dentro do próprio país. 
Porque quando você tem uma "passagem" mesmo inocente a chance de te jogarem lá aumenta exatamente em 1.000%.
Você pode ficar preso mesmo do lado de fora, foi o que aconteceu comigo. 
Levaram 15 anos de mim, mas aprendi a multiplicar o meu tempo.
Sempre tive muita urgência com tudo, sabia que não teria uma segunda chance.
Assim como fiz todo o Supletivo do ensino fundamental ao médio em 3 meses e entrei numa universidade pública, assim foi com tudo. 
Tudo tinha que ser muito intenso.
Se fosse para amar uma mulher, seria da melhor maneira. Se fosse para ser um fotojornalista, eu teria que atravessar portas e estar em lugares que não foram feitos para nós.
Se fosse para fazer amigos que fosse para a vida.
Isso me ensinou a viver cada dia como o dia da minha vida e tem dado certo.
Se fosse para ter um lar eu teria inúmeros para poder votar quando quisesse.
O que quero dizer com tudo isso é que você pode ser quem você quiser.
A vida é fantástica, mesmo que te arranquem tudo, se você ainda pode respirar, você pode definir para qual direção ir.
Só você poderá definir o que será eterno em você.

2018 é seu tempo ❤️"
 

Fonte: https://www.facebook.com/luiz.robertolima.3