Se melhorar, estraga! No primeiro dia de 2018, recorro a um velho provérbio para falar sobre as condições de vida em Alagoas. (Não é bem isso, mas tentarei explicar melhor). Como você sabe, aplica-se o enunciado que abre este texto quando uma determinada situação é tão perfeita, mas tão perfeita, que dispensa qualquer tipo de aprimoramento. Isso é possível?

 

Sim, é possível que tudo esteja num grau de perfeição irretocável. É o que se vê na paisagem alagoana, incluindo aí todos os municípios do interior e a capital de tantas praias. Mas, antes que o leitor aponte sinais de delírio nas ideias do blogueiro, esclareço: Maceió e Alagoas chegaram ao paraíso, sim, como está amplamente demonstrado na publicidade oficial.

 

Nos últimos dias do ano que passou, governo do estado e prefeitura da capital desencadearam novas campanhas de propaganda. E o que vemos? Verdadeiros contos de natal com final feliz. Saúde, educação, segurança, transporte, saneamento... É uma maravilha. Antes da eleição, governador e prefeito disputam o troféu de melhor direção de filmes publicitários. O páreo é duríssimo.

 

As peças de divulgação oficial reproduzem um discurso padronizado. Na política, governador e prefeito exibem suas diferenças – seja nas ideias ou no estilo de agir e governar. Na linguagem publicitária, porém, Renan Filho é igual a Rui Palmeira. Isso ocorre porque, no campo da propaganda, prevalece a maquiagem total – sobre as ruas, os prédios e as pessoas.

 

Para nos convencer de que vivemos num paraíso, marqueteiros têm na tecnologia o parceiro mais festejado nesse negócio. Muitos sorrisos, lindos cenários e palavras quase ufanistas marcam os anúncios. Na captação de imagens, pode-se dizer que a chegada dos drones afetou para sempre a cabeça dos sabidos em marketing. Por isso, a farra das cenas aéreas. É coisa de enjoar.

 

Com orçamento milionário, as agências contratadas pelo poder público dedicam-se com esmero à fabricação de um mundo paralelo, aquele lugar em que todos os males sumiram, nada mais é problema, tudo está uma beleza. O perigo dessa operação é o exagero. A coisa é tão retocada, recebe tantas camadas artificiais, que pode gerar efeito contrário: revelar um monstrengo.

 

Não sei. Difícil imaginar avanços de verdade quando pensamos na lógica dessas propagandas que afrontam nossa inteligência e desafiam a vida real. Seria necessário transformar isso de algum modo. Porque, afinal, é muito esforço, muita gente mobilizada, muito talento e muito dinheiro – e tudo isso para nos contar um bocado de lorota. Tem algo errado aí. É ou não?

 

(Calendário não passa de calendário. Ainda assim, torço para que você viva fortes acontecimentos em 2018. Com plena liberdade, eu espero continuar escrevendo aqui, pensando sobre tudo e qualquer coisa. De preferência, na contramão do bom-mocismo, do que é moda e das ideias consagradas. Se não for assim, não tem graça nenhuma. Até já).