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Sobre as mudanças e identidades , um texto de  Kyara Barbosa

Segundo a medicina e a sociedade nasci 'menino', porém, nunca me identifiquei como tal. Aos 11 anos já me relacionava afetivamente com meninos, não me sentia numa relação homo. Aos 14 anos Kyara nasceu, de tudo que existia dentro da caixinha, o ser mulher era o que mais se aproximava do mim.

Mesmo me sentindo realizada por assumir uma identidade feminina e viver na minha realidade essa condição, sempre senti que faltava algo.
Agora, aos 23 anos - 9 anos depois de começar minha transição - sinto que ainda estou no começo de tudo; hoje não me identifico como mulher, e muito mesmo como homem. O que sinto e o sei é que minha identidade enquanto ser humano não é limitada ao binarismo de gênero, mais sim, as possibilidades.

Continua sendo uma mulher trans que por questões politicas se reivindica travesti, mais que no fundo, essas questões de gênero é uma mera ilusão social. Posso ser livre sem ter um gênero, na verdade, se quer preciso de um.

Sou um ser humano que pensa, que respira e sente e isso me basta.
Minha voz é grossa de mais para ser feminina, e caralho, amo minha voz. Assim como minha voz, minhas medidas não cabem dentro de um padrão e é isso que eu acho lindo: é não caber em padrões. Me sinto um ser humano ilimitado, que posso ter quantas identidades quiser, quantas sexualidades bem entender e nada disso interfere diretamente no que sou.

Tem coisas que não entendo e nem quero entender, mas só sabe o sabor da liberdade aquele já foi preso.