Foto: Amanda Falcão/Cada Minuto 129867d3 6b9b 4ad3 9372 85240d3b6064 Delegado Antônio Lima, procuradora Renata Ribeiro, superintendente da PF Bernardo Gonçalves e delegado Daniel Silvestre

O ex-governador de Alagoas, Teotônio Vilela e dois ex-secretários, entre eles o ex-gestor da secretaria de Infraestrutura, Marco Fireman, receberam propinas pelas obras do Canal do Sertão – lotes 3 e 4. O superintendente da Polícia Federal (PF), Bernardo Torres, disse em uma coletiva à imprensa na manhã desta quinta-feira (30), na sede da PF, em Jaraguá, que o ex-governador recebeu R$ 2 milhões em propina.

Conforme o delegado, Antônio Lima, constam na planilha da Odebrecht, alguns cognomes que foram identificados como: bobão (Teotônio Vilela), faizão (Fernando Nunes – executivo da pasta) e fantasma (secretário de Infraestrutura, Marco Fireman).

O ex-governador teria recebido três parcelas. A primeira de R$ 1 milhão, a segunda de R$ 906 mil e a terceira de R$ 150 mil. “Todos foram intimados e nesta sexta-feira (01) prestarão depoimentos. Existem secretários, superintendentes e secretários executivos que faziam parte do governo”, ressaltou o delegado.

“Na planilha mostra que tem um valor pra bobão, em seguida para o fantasma e um bem menor para o faizão. Na primeira fase da operação, da licitação, verificamos que houve um acordo entre o ex-secretário de infraestrutura, o secretário executivo e os executivos da Odebrecht. De modo que, as cláusulas existentes permitissem que as empresas OAS e Odebrecht participassem e ganhassem a licitação”, informou o delegado.

Antônio também enfatizou que na execução do contrato foi verificado que os envolvidos, segundo os depoimentos dos colaboradores, participaram de uma reunião em Maceió e solicitaram vantagem indevida em decorrência da obra.

O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a Polícia Federal a utilizar provas decorrentes de colaborações premiadas de pessoas relacionadas à Construtora Norberto Odebrecht no aludido procedimento investigativo.

A elas se somaram relatórios do Tribunal de Contas da União, constatando sobrepreço em contrato firmado entre o Governo de Alagoas a referida empresa no montante de R$ 33.931.699,46.

Repasse eleitoral

O delegado Antônio também comentou que os envolvidos alegam que os recebimentos de recursos foram para saldar dividas de campanha. “Mas as eleições que o ex-governador participou foi em 2010. Então, solicitar vantagem indevida e propina não é a maneira correta para saldar dívidas anteriores e verificamos também que, ouvindo os colaboradores da Odebrecht, principalmente o Gilberto Silva que disse que se o nome está na planilha, não é doação eleitoral, é propina”.

A PF apreendeu, na casa do ex-governador, dois celulares, um notebook e documentos.

Em duas fases

De acordo com o delegado Antônio José Lima, a primeira está relacionada a 2009, quando houve a licitação. "Os acordos de colaboração e comprovantes de despesas apontam que houve encontro de executivos da Odebrecht e da OAS com executivos da Secretaria de Infraestrutura".

Na segunda fase, continuou a execução do contrato. "Verificamos que houve reuniões em Maceió e agentes públicos de Alagoas solicitaram vantagem indevida. Não houve prejuízo à obra", disse o delegado.

Entretanto, a procuradora da República Renata Ribeiro disse que "quando duas empresas deixam de competir entre si na licitação o prejuízo é implícito". A procuradora também afirmou que o TCU quantificou em R$ 70 milhões o prejuízo atual à obra, que era estimada em R$ 700 milhões.

*Estagiária

Veja o vídeo da coletiva na Polícia Federal

 

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