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O maior festival de teatro de bonecos da América Latina desembarcou pela primeira vez em Maceió e já lotou o Teatro Deodoro em suas primeiras apresentações nesta segunda-feira, 27. Companhias apresentaram-se durante o dia, para escolas, comunidades carentes e instituições filantrópicas. E à noite, o público que obteve os ingressos gratuitos, lotou o Teatro Deodoro. O festival prossegue até o próximo domingo, 03, também com apresentações gratuitas no Estacionamento do Jaraguá, a partir de sábado, 02, reunindo companhias de sete países – Estados Unidos, Peru, Coreia do Sul, Hungria, Itália, Rússia, além de oito estados do Brasil.

O Sesi Bonecos é totalmente gratuito e tem o patrocínio do SESI. E tem como outro destaque importante na programação o espetáculo “Alice Live”, com a banda Pato Fu e o grupo Giramundo, na noite do sábado, 02.

Além de realizar matinês no Teatro Deodoro com escolas e entidades que cuidam de pessoas com deficiência e necessidades especiais, o Sesi Bonecos fará apresentações filantrópicas para o mesmo público especial, nesta quarta, 29, às 16h30, com a companhia americana The Huber Marionettes, no Palhoção do Quilombola de Santa Luzia do Norte. Bem como na quinta, 30, às 15h, com a companhia italiana Girovago e Rondella, no Teatro 7 de Setembro, em Penedo.

A primeira parte da programação do Sesi Bonecos iniciou nesta segunda, 27,  com o espetáculo Animação Suspensa, do americano The Huber Marionettes. E segue até quarta, 29, no Teatro Deodoro, sempre a partir das 20h. Para essas apresentações no Deodoro, é necessário retirar o ingresso gratuitamente a partir das 12h do dia de cada apresentação. Serão distribuídos dois ingressos por pessoa.

“O Teatro Deodoro é um espaço muito especial, não apenas pelo aspecto do patrimônio artístico e cultural, mas porque tem diálogos próprios com a cidade. É o resgate do espaço público para o público na sua melhor expressão”, diz Lina Rosa.

Nesta terça, 28, a atração das 20h no Teatro Deodoro é o espetáculo Pequenos Contos, da companhia peruana Hugo & Inês. Na quarta, será a vez de a companhia coreana Art Stage San apresentar o espetáculo A História de Dallae.

HOMENAGEM AO MAMULENGO

Essa edição faz, ainda, uma homenagem especial ao mamulengo, como patrimônio imaterial da cultura brasileira, cujo ponto alto é uma exposição com quase 300 bonecos. Boa parte deles do acervo de Magna Modesto, umas das maiores pesquisadoras brasileiras sobre o tema. A mostra traz verdadeiras relíquias cedidas por mestres mamulengueiros.

O Sesi Bonecos é um trabalho de resgate e valorização da arte de manipulação de títeres que entra na sua 13ª edição. Já percorreu literalmente os quatro cantos do país, sendo aplaudido por cerca de 2,2 milhões de pessoas. Esteve em Maceió, em 2008, mas na versão “Bonecos do Brasil” – apenas com companhias nacionais – e foi visto por 38 mil pessoas. Essa é a primeira vez que a capital alagoana recebe o evento na sua versão “Bonecos do Mundo”, com artistas internacionais.

“O festival está estruturado a partir de quatro pilares: conteúdo inteligente; conteúdo para todas as idades (não apenas para crianças); diálogo com as linguagens tradicional e contemporânea; e diversidade de técnicas”, detalha Lina Rosa, idealizadora do projeto.

No sábado, 2/12, e no domingo, 3/12, as apresentações acontecem no Estacionamento do Jaraguá. O Espaço estará completamente transformado para o festival. A programação começa às 16h30 com espetáculos que interagem diretamente com o público. Haverá, ainda, um espaço especial para os mamulegueiros, a Praça dos Mamulengos. A estrutura é composta também por três palcos e uma ampla sala de exposição. “Já é uma marca registrada do festival: retiramos os bonecos dos pequenos espaços onde normalmente ocorrem as apresentações e os transportamos para uma superestrutura de luz e som”, ressalta Lina.

ESPETÁCULOS – Um dos diferenciais mais marcantes do Sesi Bonecos é a variedade de técnicas que o festival coloca em cena. “Há manipulações virtuosas com fio, que são de um apuro técnico e de um rebuscamento impressionante”, destaca Lina Rosa, citando como exemplo The Huber Marionettes (EUA) e o russo Viktor Antonov. “Em contrapartida, há companhias em que os fios são desnecessários e o resultado é tão impactante quanto”, compara referindo-se às companhias Hugo e Ines (Peru) e Girovago & Rondella (Itália), que usam partes do próprio corpo como “bonecos”.

Mas o festival também conversa com o que temos de mais tradicional, como os mamulengos. Missão que fica a cargo dos mestres Zé Lopes e Waldeck, que estarão na Praça dos Mamulengos. Além disso, dentro da exposição, os mestres Tonho e Daniel de Chico esculpem, em tempo real, bonecos para o público.

O Brasil também estará representado por companhias que trazem leituras bem contemporâneas dessa expressão teatral. O grupo mineiro Giramundo, que ao lado da banda Pato Fu, apresenta o “Alice Live”, uma releitura do clássico “Alice no País das Maravilhas”, Lewis Carroll. Os gaúchos da companhia Seres Imaginários, que trazem um teatro minimalista, para ser visto a poucos centímetros dos rostos das pessoas, é outro exemplo. O espetáculo é livremente inspirado em “O Livro dos Seres Imaginários”, de Jorge Luís Borges e Margarita Guerrero.

OFICINAS

Durante o Sesi Bonecos do Mundo também acontecerão oficinais gratuitas voltadas para profissionais ligados ao teatro, professores e universitários de artes cênicas e afins: atores, diretores teatrais, cenógrafos, diretores de arte, autores, designers, entre outros. As oficinas para profissionais já tiveram inscrições encerradas e acontecerão de segunda a sexta (Período: 27/11 à 01/12/2017), no Espaço Cultural Universitário da UFAL, na Praça Sinimbu - Centro.

Serão duas oficinas com o objetivo de disseminar a cultura do teatro de bonecos e estimular a criação de espetáculos no gênero.  A primeira delas será coordenada por Marcos Ribas. No início dos anos de 1970, Marcos Ribas saiu da Universidade de Brasília, onde estudava, e foi morar em Nova York, onde realizou seus primeiros trabalhos. O Bode e a Onça foi a sua primeira montagem com o Grupo Contadora de Estórias, em 1971. Depois disso, nunca mais parou. Viajou o mundo participando dos principais festivais de teatro da Europa e dos EUA, além de temporadas de grande sucesso no Brasil. Nestes 40 anos de história dedicada aos bonecos, Marcos realizou 26 espetáculos diferentes que alegraram e fizeram pensar.

O grupo Hugo e Ines, formando em 1986, que surpreende o público apresentando as possibilidades expressivas de partes diferentes do corpo, ficará responsável pela oficina “Drama com Corpo”. Os artistas Hugo Suarez e Ines Pasic criam personagens corporais usando pés, joelho, barriga, cotovelo, numa dramaturgia criativa e sem uso de palavras.