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  Atualmente temos a triste realidade onde as pessoas enchem a boca para dizer com orgulho que "bandido bom é bandido morto". Trata-se, sobretudo, de um discurso de ódio reproduzido por quem não tem interesse em pensar além do senso comum.

  É fácil despejar palavras odiosas nas redes sociais. Mais fácil ainda é ignorar a reação causa-efeito de uma sociedade adoecida que empurra cada vez mais seres humanos celas adentro. Principalmente se estes seres humanos forem mulheres.

  Aproximadamente 34 mil mulheres estão em condições de privação de liberdade no Brasil. Estão povoando e se amontoando nos presídios pelas mais diversas causas (algumas nem tão diversas assim, já que aproximadamente metade delas adentram no mundo do crime em função do tráfico de drogas e através de seus companheiros).

  Quando um homem comete um crime, a sua família está quase sempre pronta para continuar lutando ao seu lado, basta fazer um comparativo nos dias de visita: as filas dos presídios masculinos estão sempre superlotadas enquanto o vazio se estabelece no entorno do Santa Luzia, aqui em Maceió. Não é comum que muitas delas sejam abandonadas: Pelos companheiros que as colocaram lá, pela família, pelos filhos e por uma sociedade inteira que acha que o mesmo crime cometido por uma mulher torna-se muito mais hediondo do que quando cometido pelo homem. (Reflexo de um arcabouço em que não permite o erro na conduta feminina).

  O fato é que a população carcerária tem crescido em progressão geométrica, colossal. A mulher presa parece ter cor, cep e fatores claramente determinantes. Mulheres pretas e periféricas com histórias de vida tão semelhantes.

  Vidas marcadas por tantos abusos e violências. Histórias escritas com lágrimas entranhadas nas digitais. A mulher presa - abandonada, esquecida, crucificada - é a mesma que traz consigo a ferida aberta de uma sociedade que não educa, não protege e nem recupera ninguém.

  E por mais que os analfabetos políticos gritem que precisa morrer, a mulher presa é aquela que resiste, que existe e que luta todos os dias pra sobreviver.

 

Foto: Enfermeira Carla Perdigão no Presídio Santa Luzia em 22/11/17, Conversas em Série: Vidas pretas, representatividades e identidades. Iniciativa do Instituto Raízes de Áfricas em parceria com a SERIS (Secretaria de ressocialização e inclusão social).