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Tavares Bastos empresta seu nome à Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas, a uma casa dedicada à sua vida e obra, e a algumas dezenas de escolas país afora. Seu nome tem peso e seus trabalhos também. Na 8ª Festa Literária de Marechal Deodoro, que acontece entre os dias 22 e 25 deste mês, o advogado, jornalista, político e escritor deodorense é um dos homenageados da edição. Não por acaso, mas por merecimento. A escolha chega em tons de resgate. É que o alagoano ilustre, apesar de falecido ainda jovem, aos 36 anos, fez de sua trajetória em vida um exemplo de produtividade e entrega à sociedade.

A Flimar preparou uma série de mesas-redondas para discutir assuntos relevantes sobre literatura e contemporaneidade, na praça Pedro Paulino, o auditório que, veja só, também recebe o nome do alagoano. O estudioso, jornalista e editor geral do Cada Minuto, Luis Vilar, é um dos convidados confirmados na programação. Ele discutirá o caráter visionário de Tavares Bastos na sexta-feira (24), a partir das 18h.

“Quando se lê trechos das obras de Tavares Bastos é fácil associar tudo o que ele diz com o que acontece no Brasil atualmente. Ele escreve sobre necessidades que temos e dificuldades que enfrentamos. Mais que um diagnóstico, ele expõe soluções. Suas interpretações políticas naquela época eram visionárias”, revela Villar, que leu pela primeira vez uma obra de Bastos por completo em meados de 2013. “Eu encontrei, por acaso, um exemplar de Cartas do Solitário, na biblioteca do Senado, e desde então me apaixonei pela abordagem republicana e federalista que ele tem.”

Mais que textos bem construídos e estética na linguagem, Tavares não soa datado. As sugestões que deu sobre produção e geração de riquezas lá no século 19 ainda são válidas para o agora. O presente. “Eu tenho 38 anos e não consegui produzir um quinto do que ele produziu. Ele foi um cara que chegou ao doutorado na casa dos 20 anos. Aos 30 era um intelectual monstruoso, dotado de uma visão e conhecimento de política e economia estrondosos”, diz o jornalista.

Vilar pretende se aprofundar em discussões relacionadas ao livro “A Província”. “É a principal obra dele. Devo me ater a ela, mas sem esquecer outros pontos importantes, como seus ideais e a preocupação com o regional, do ponto de vista da identidade das comunidades, que ele sempre defendeu.” Se dependesse do jornalista, Tavares Bastos seria leitura obrigatória em sala de aula.

“Essa iniciativa da Prefeitura de Marechal me deixou feliz. Antes mesmo de saber que seria convidado para falar na Flimar já estava comemorando a escolha do homenageado, uma vez que é uma figura que sou muito fã. Acho que a gente tem que aproveitar esse espaço e usá-lo como caminho para que as ideias de Tavares Bastos se façam presente, assim como o seu nome.”

Confira a programação completa do Auditória Tavares Bastos durante a festa literária:

23 de novembro

14h00: Literatura em Libras, com Daniele Caldas (IFAL), Cristiana Anjos (voluntária IFAL) e mediação da jornalista Acassia Deliê.

15h00: Nelson da Rabeca: o som que ecoa alagoas, com Dr. Gustavo Quintela (AL), Thomas Rohrer (Suíça) e Aglaia Costa (PE).

16h00: O papel da mulher, feminicídio e a lei Maria da Penhas, com Marialba Braga (AL) e Eloina Braz (AL).

17h00: Patrimônio Arquitetônico: é tempo de preservar, com Marcus Tadeu Daniel Ribeiro, Mario Aloisio (Iphan-AL), Josemary Omena (Ufal) e mediação do arquiteto Lucio Santos.

24 de novembro

14h00: Papo de Escritor: a literatura contemporânea em Alagoas, com Ari Denisson, Bruno Ribeiro, Cosme Rogério, Richard Plácido, Tazio Zambi e meadiação da professora Elaine Raposo.

15h30: Resistência- racismo em tempos de intolerância, com Mãe Neide, Arisia Barros, Claudilene Silva (UFBA) e mediação de Dênison Queiroz.

17h00: Inovação e empreendedorismo na rota da transformação social, com Wilson Junior (Destak Magazine), Ricardinho Santa Ritta e mediação de Rodrigo Lucena.

18h00: Tavares Bastos – um alagoano visionário, com Luís Vilar

25 de novembro

14h00: Sou mulher e escrevo, com Amanda Prado, Arriete Vilela, Érica Matias, Lisley Nogueira, Marta Eugênia e mediação da professora Elaine Raposo.

15h30: Novos olhares! Novos Leitores!, com Ique Carvalho, Matheus Rocha e mediação de Frini Georgakopoulos.

17h00: Literatura de cordel – em verso e prosa o orgulho de ser nordestino, com Bráulio Bessa e Hugo Novais.