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Precisamos falar sobre ansiedade, depressão e suicidios...

Angela Saifer, 46, estava no trabalho, numa usina açucareira, quando recebeu uma mensagem da filha no WhatsApp perguntando se poderia sair de casa para fazer um trabalho escolar. Eram cerca de 13h30 do último dia 7, uma terça-feira.

Aquele seria seu último contato com a filha.

Karina Saifer Oliveira, 15, aluna do primeiro ano do ensino médio em Nova Andradina, a 300 quilômetros de Campo Grande (MS), passava os dias entre a casa da mãe e a do pai, Aparecido Oliveira, 47, agente de segurança da escola pública onde ela estudava, a Nair Palácio de Souza.

Naquele dia, ela almoçou na casa da mãe, junto com o padrasto. Quando Ângela voltou da usina, não a encontrou no quarto. “Ela era bem estudiosa. Até no dia em que aconteceu isso daí, ela me mandou uma mensagem, falou: ‘mãe, posso ir fazer um trabalho? preciso de nota’. Eu perguntei onde era e ela não respondeu mais. Aí eu fiquei meio preocupada, mas pensei que ela tivesse saído.”

Karina, porém, tinha ficado em casa. Enforcou-se na varanda.

 “O celular dela estava em cima da cama. Chamei: ‘Karina!’. Ela não respondeu. Eu vi a porta do fundo aberta. Deixei minha mochila em cima da mesa. Na hora que eu cheguei no fundo [onde fica a varanda], deparei com aquela cena. Jesus Cristo! Eu não desejo isso para mãe nenhuma. A gente não sabe o que passa na vida da gente. Se eu soubesse…”, contou Angela, em entrevista ao BuzzFeed News.

Karina não dava sinais evidentes do que se passava com ela, disse a mãe. “Ela sempre foi muito meiga. Ultimamente ela sentava no meu colo, jogava as pernas para o lado, ficava passando a mão na minha cabeça. Eu perguntava se estava acontecendo alguma coisa. E ela dizia que não. Só tô te abraçando, ela dizia. Eu não sabia de nada.”

Tinha os desejos e planos normais, de adolescentes. “Ela fez 15 anos no dia 6 de junho. O sonho dela era ter uma festa. A gente nunca teve condição de fazer. Ela sempre falava que queria ser uma delegada, que queria estudar. O pai é bacharel em Direito e ele sempre apoiava ela.”

Mas Karina estava vivendo um ano de inferno pessoal. Conhecera aos 14 anos um rapaz de 17 com quem tivera uma relação sexual. A história se espalhou pela cidade, de apenas 50 mil habitantes, e pela escola, de 900 alunos. Havia a fofoca de que ele divulgara fotos íntimas dela, como um troféu. Não se sabe se as fotos de fato existiam, mas o estrago estava feito.

“Faz dois meses ela veio conversar comigo que ela estava se sentindo uma pessoa vulgar porque tinha acontecido isso com ela. Eu disse que não tinha nada a ver”, contou o pai de Karina, Aparecido. “Eu só soube o que aconteceu depois que o rapaz já não estava morando na cidade.”

Esse não era o único problema. Karina sofria perseguição de colegas na escola, que implicavam com ela — e com seu cabelo. Filha de mãe branca e pai negro, ela tinha o cabelo crespo e costumava alisá-lo.

“Ela era muito perseguida na escola. Depois que ela morreu, nós pegamos mensagens de alunos no WhatsApp dela, de ódio, de alunos que zoavam o cabelo dela por ser meio afro, porque ela usava chapinha. Vinham há mais de ano provocando ela”, disse Aparecido.

(...) “Ela não gostava do cabelo porque as pessoas ficavam criticando o cabelo dela. Isso é racismo”, disse o pai. “Porque o bullying é uma coisa transitória. Racismo é quando você mexe com uma coisa que você não pode mudar, como o cabelo, a cor da pele”, afirmou Aparecido. Ele contou que, por causa da tristeza da filha, chegou a planejar uma mudança de cidade para contornar a situação. Mas não deu tempo.

(...)

Afinal, quantas e quais pessoas “suicidaram” Karina? 

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