Cada Minuto/Arquivo 198c9f69 d0af 4966 99df 75ac5d6920e0 Rodrigo Cunha, deputado estadual (PSDB)
Enquanto o Brasil ainda vive os resquícios de uma de suas piores crises econômicas da história, os poderes constituídos mantêm regalias e privilégios proporcionados pelo dinheiro público. Alguns destes exemplos são as casas legislativas brasileiras, que vão de encontro a qualquer medida de austeridade que a situação do país pede.
 
Em Alagoas não é diferente, os deputados estaduais recebem, além do salário de R$ 20 mil, da verba de pessoal de R$ 101 mil e da verba indenizatória de R$ 39 mil, que serve para as despesas do gabinete, há também a Gratificação de Dedicação Exclusiva (GDE), que proporciona a cada parlamentar um valor anual de cerca R$ 1 milhão. Mas em meio a tudo isto, há uma exceção. O deputado Rodrigo Cunha se recusa a aceitar a GDE e com esta atitude já economizou cerca R$ 3 milhões de reais em recursos públicos, em três anos de mandato. E apesar de não utilizar o dinheiro, ele é tido como um dos deputados mais eficientes do parlamento alagoano. 
 
"É inadmissível que em um Estado pobre como o nosso, com pessoas vivendo na miséria, um deputado estadual tenha tantos recursos ao seu dispor e que ainda faça uso dele sem nem se dar o trabalho de prestar contas a sociedade. Isso é um desrespeito ao cidadão! É preciso mostrar que é possível construir um mandato sem cifras exorbitantes e focado nos anseios da população", destaca Rodrigo.  
 
 Ao longo dos anos, a GDE já foi motivo de muitas polêmicas no legislativo alagoano, porque é através dela que os parlamentares, que a recebe, podem proporcionar super salários para os cargos comissionados de seus gabinetes, alguns destes servidores chegam a ganhar um salário mais alto do que o próprio deputado que o nomeou, segundo dados salariais divulgados no portal da ALE.  Para Rodrigo Cunha este dinheiro poderia sair das mãos de poucos e passar a beneficiar a população alagoana como um todo.
 
"Se os deputados abrissem mão apenas da GDE, seriam mais de R$ 20 milhões economizado por ano por esta casa. Este recurso poderia ir para o pagamento dos impostos de renda dos servidores, para fazer concurso público na Casa, ou até mesmo, ser utilizado, através de emendas dos próprios parlamentares, em políticas públicas importantes como cultura, educação, saúde, tecnologia...", ressalta o deputado. 
 
Por três anos consecutivos, Rodrigo tentou destinar a parte dele da GDE para políticas públicas do Estado, mas a ideia foi barrada pela maioria dos deputados, que justificou que a GDE é um direito da Assembleia e que a Casa deveria receber mais dinheiro e não abrir mão dele. "Nem sempre tudo que é legal; é moral.  Por isso, vou continuar não recebendo este dinheiro e apresentando emendas para que pelo menos a minha parte seja destinada para setores que sei que vão beneficiar a população como um todo. Acredito e demonstro todos os dias que a efetividade de um mandato não depende apenas de ter muito verba pública disponível, mas sim de saber utilizá-la de forma otimizada, buscando sempre um melhor resultado para a população", concluiu ele.