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A estátua da Liberdade é o monumento mais importante da cidade de Maceió. Mas não é percebida assim pelo Poder público. Encontra-se escondida, e agora foi vilipendiada.    

O artista plástico alagoano Rosalvo Ribeiro (1865-1915) é o principal responsável pela vinda desta obra de arte para Maceió. A estátua chegou em 1904, quando a cidade passava pelo processo de modernização e de urbanização.

Rosalvo Ribeiro estudou na Imperial Academia de Belas-Artes, no Rio de Janeiro, e passou uma temporada de 12 anos na França, onde continuou os estudos, primeiro na Academie Julien e depois na École des Beaux Arts, na qual conheceu grandes artistas, inclusive Frederic Auguste Bartholdi.

As praças e largos foram reformadas durante os governos de Euclides Vieira Malta e do seu irmão Joaquim Paulo Vieira Malta, entre 1900 e 1912. Dois profissionais foram responsáveis pelas mudanças urbanísticas de Maceió: o arquiteto italiano Luigi Lucarini e o artista plástico Rosalvo Ribeiro.

Lucarini, responsável pelas obras e pelos projetos arquitetônicos, e Rosalvo Ribeiro, contratado para que realizasse os projetos urbanísticos das principais praças: Deodoro, Dom Pedro II, Martírios e a Dois Leões.    

O protótipo da estátua da Liberdade é uma produção da Fundição Val d’Osne e obra de Frederic Auguste Bartholdi, o consagrado escultor que fez a estátua da Liberdade que se encontra na ilha da Liberdade, no porto de Nova Iorque.

O governo francês ofereceu a estátua da Liberdade como presente ao governo dos EUA, e em 1886 foi inaugurado o monumento, que logo se tornou um dos mais conhecidos cartões-postais do mundo.

Há dois protótipos da estátua, um em Paris e o outro em Maceió. Essas duas peças e a original constituem uma coleção única do artista francês Frederic Auguste Bartholdi e da Fundição Val d’Osne.

O cidadão alagoano tem visto a estátua da Liberdade, no bairro portuário de Jaraguá, pintada de verde como se fosse uma peça de madeira produzida com esse objetivo. A prefeitura tentou “explicar” as razões da pintura e até o momento não apresentou um laudo técnico que convença os pesquisadores e a população de que um objeto tão valioso deva ser “restaurado” dessa maneira.

Um monumento com esse valor histórico deve sim ser restaurado, se for o caso, mas por especialistas, como aconteceu durante o processo de restauração do bairro de Jaraguá, iniciado na gestão do prefeito Ronaldo Lessa e concluído na gestão da prefeita Kátia Born.

Os técnicos que na década de 1990 trabalharam na restauração do bairro de Jaraguá continuam na administração municipal, pois são servidores públicos. Bastaria consultá-los, e a restauração ou limpeza seria realizada sem danos, e não afrontaria a memória da cidade nem do autor da obra de arte.

Pedir explicações técnicas convincentes não é um ato anormal, porém um direito do cidadão garantido por lei. Mas em Alagoas parece ser um insulto ou uma agressão pessoal.

Uma pergunta: quem assinou o laudo técnico indicando esse tipo de pintura?