Foto: Assessoria/Arquivo 5462fcf9 3c36 4d32 93bd d228e21750a1 Deputado Arthur Lira

Conversei com o deputado federal Arthur Lira (PP) sobre suas recentes declarações em relação ao governo do presidente Michel Temer (PMDB). Essa semana - em reportagem do UOL - saiu matéria afirmando que Lira tem verbalizado as “ameaças” do “centrão” de não votar as matérias que Temer quer, como a polêmica Reforma da Previdência. 

O jornal destacou que o PP de Lira briga por uma reforma ministerial que tiraria espaços do PSDB dentro do Executivo. 

Lira - em diálogo comigo - disse que essas “declarações foram postas fora do contexto”. “Eu não falei em querer ministérios. Não se trata disso. Eu não quero ministérios. É algo que já me foi oferecido, mas essa não é a questão. O que eu tenho defendido - e outros deputados federais também - é uma rearrumação da base em função das últimas matérias que votamos. O PP foi um dos partidos que mais deu votos ao presidente”, salientou. 

Segundo Lira, há um erro de Temer na forma como o governo tem articulado com sua base no Congresso Nacional. 

“Eu fui chamado para uma reunião e disse que não há clima para discutir Reforma da Previdência porque o problema de articulação é sério. Eu sou líder de um partido que não é pequeno e não despacho com o ministro de Articulação há cinco meses. Não tem como fazer uma articulação dessa forma, quando no Congresso, o ministro Antonio Imbassahy (PSDB) está desgastado. A base precisa ser ouvida e essa rearrumação precisa ser feita. Não se trata só do PP, mas do PR, do Democratas e de outros governos. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi péssimo em suas recentes declarações, dando aviso prévio ao governo. Nunca vi isso”, frisou. 

Para Arthur Lira, é preciso que o governo Temer aprenda a ouvir a base para aproveitar o tempo que ainda tem antes do período eleitoral. 

“Se o governo não se estruturar para votar as reformas que o Brasil precisa até março, aí é que não vota mais mesmo. Nós já votamos temas espinhosos, que vem exigindo sacrifícios que os deputados pagam na rua, já que o governo não tem explicado a população a importância dessas reformas. Estou pensando é no Brasil como um todo. Eu conheço e convivo com as reclamações e é preciso um tempo de discussão e amadurecimento para a população entender. Sem isso, não há clima para votar, ainda mais com a base desarrumada após a votação de duas denúncias”, complementa. 

Arthur Lira diz que votou pelo presidente Temer por entender que o país não aguenta mais uma troca de governo, mas que discutir com a base para rearrumá-la não é necessariamente discutir “espaços” no Palácio. “O PP está muito bem atendido. Eu lutei e pago um preço por ter dado continuidade ao governo, pois uma mudança não ajudaria ao país. O meu partido deu muitos votos e o governo precisa rearrumar a base. Minha preocupação é que hoje não há condições disso. Agora, nunca preguei a saída do PSDB do governo Temer. Mas, veja: o PSDB só está dando 19 votos, logo não tem tamanho em um governo de coalizão para ter quatro ministérios. E vivemos no Brasil um presidencialismo de coalização. É muito fácil jogar para a galera e ficar agarrado no governo. Para o bem do Brasil, para a possibilidade de votação de temas importantes, o que eu disse é que tem que haver essa rearrumação da base”, conclui.. 

Lira disse que participa de mais uma reunião com o Executivo no dia de hoje e que o clima é de que “ninguém quer colocar o pescoço na forca com demandas políticas se aproximando por todos os lados”.

Estou no twitter: @lulavilar