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Os constantes aumentos na conta de luz vêm provocando um maior jogo de cintura dos consumidores para economizar e também ajustar o orçamento diante do valor total da conta. Para esse mês de novembro, mudanças nas taxas extras cobradas na conta de luz vão provocar um aumento de 43% devido à crise hídrica nos reservatórios.

Em Alagoas, o maior consumo contabilizado pela Eletrobras pertence às residências, que chegam a mais de 100 milhões quilowatt-hora (kWh) mensalmente. As bandeiras funcionam como um sinal de preço: quanto mais cara a geração de energia maior o valor da bandeira.

E é justamente a taxa maior, a bandeira vermelha 2, que vai ficar mais cara já em novembro: passará de R$ 3,50 para R$ 5 a cada 100 quilowatts consumidos: um aumento de mais de 40%.  Já a bandeira vermelha 1 segue com o mesmo valor; a amarela cai de R$ 2 para R$ 1. E a verde continua em zero.

No Nordeste, o nível dos reservatórios é menos de 7%. Reservatórios baixos levam ao acionamento das termelétricas, que produzem energia mais cara. A energia gerada em hidrelétricas no Norte custa em torno de R$ 200 o megawatt/hora. Nas térmicas a óleo diesel, R$ 1,2 mil o megawatt/hora: seis vezes mais.

A Agência Nacional de Energia Elétrica diz que não há risco de racionamento. “Risco de abastecimento não tem, mas cada vez mais temos que acionar recursos termelétricos que custa muito caro”, disse o diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino.

Consumidor na economia total

A estudante Thais Fagundes mora sozinha e confessou à nossa reportagem que não é adepta a economizar energia. “Tinha dias que deixava diversos aparelhos ligados ao mesmo tempo mesmo sem usar, mas quando tive a surpresa amarga com as últimas contas, agora fico me policiando dentro de casa para passar do meu limite”.

Ela conta que com as contas muito altas, seus últimos orçamentos foram extrapolados e praticamente entraram no vermelho para não deixar a conta de luz vencimento e correr o risco de desligamento. “Agora eu fico economizando em tudo que posso para que o valor da conta venha de forma possa pagar sem comprometer meus outros compromissos financeiros. Estou aprendendo na marra a economizar energia”, afirmou a estudante.

Diferentemente da maneira que a estudante adotava em sua casa, a comerciante Zélia Varjão revela que sempre economizou energia elétrica, não somente pela questão do preço da conta, mas pelo consumo sustentável.

Segundo ela, em sua casa foram adotadas diversas medidas com o uso do ar-condicionado, chuveiro elétrico e os pontos de tomada. “Meus filhos podem tomar banho com o chuveiro elétrico, mas determinei que não pode passar de cinco minutos e assim proibi ligar o ar-condicionado pela manhã”, detalhou Zélia. Ela confessa que deixou de usar alguns eletrodomésticos e até retira da tomada quando não esta usando somente para não ficar no “standbay”.

Estação do ano determina média de consumo de energia em Alagoas

O consumo de energia residencial é mais alto em Alagoas e acaba tendo a sua média terminada pela estação do ano, conforme explica o gerente de faturamento da Eletrobrás em Alagoas, Alexandre Gonçalves. Segundo ele, o consumo de energia elétrica tem se mantido em uma média geral nos últimos.

"No entanto, o consumo de energia no Estado depende muito da época do ano e é condicionado a utilização do ar-condicionado. No meses de novembro e dezembro a tendência é uma alta maior", explicou ele. A média mensal do consumo residencial em Alagoas é de 100 milhões quilowatt-hora (kWh).

A classe comercial é outro setor que apresenta a segunda elevação no consumo, seguido pela indústria e o rural. Para conscientizar a população, a Eletrobrás realiza diversos projetos em todo o estado, o Luz do Saber, que leva para os municípios alagoanos dicas de uso seguro e eficiente de energia elétrica.

E com todo esse ajuste nas tarifas, o economista Rômulo Sales afirma que os aumentos na energia são muito mais danosos para o orçamento doméstico do que aumentos no botijão de gás. No acumulado de 12 meses - julho de 2016 a agosto de 2017 – o aumento da energia elétrica residencial foi de 5,14%.

"A leitura que podemos fazer desses aumentos é que no curto prazo, ou seja, no ano (de janeiro a agosto.) o que tem pesado mais no orçamento das famílias é sem dúvida a energia elétrica residencial. Ainda, vale salientar que o peso do componente energia elétrica residencial na formação do IPCA é 3,54%", detalhou o especialista.

Sales ainda acrescenta que o peso da energia elétrica no orçamento das famílias é de 3,54% quando calculado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que monitora a inflação das famílias que ganham de 1 a 40 salários mínimos.

"Quando você considera as famílias mais pobres, de 1 a 3 salários mínimos, o peso da energia elétrica no orçamento chega a 8% - 10%.... Então é bastante nocivo para essas famílias os aumentos de energia", afirmou Sales.