Foto: Agência Brasil 7fe8a320 474e 47b6 8d47 704bc5226e1b Polícia Federal

A mais recente operação da Polícia Federal que colocou o vereador Antônio Hollanda (PMDB) na berlinda é um retrato de um ciclo viciado que precisa ser rompido no Brasil. Não estou com isso, acusando Hollanda, que tem todo o direito legítimo à sua defesa. A investigação apontará se ele é culpado ou inocente. Que seja célere.

Ainda que ele seja inocente, a lógica apontada pela Polícia Federal mostra uma realidade que de fato se faz presente nessa federação.  

A questão é que o que é descrito pela Polícia Federal é um enredo que não é novidade em Alagoas e muito menos no Brasil. Como já dizia Hebert Vianna, em uma composição, “nesse país votasse por qualquer trocado”. E o estamento burocrático, por meio do agigantamento do Estado e os tentáculos dos políticos, assim, se distancia do povo, fazendo com que todo o poder emane da população, mas contra esta seja exercido. 

Quando esse Estado gigante não consegue realizar funções que toma para si, acaba criando lacunas que são ocupadas por agentes políticos por meio de instituições, ONGs e um tipo de assistencialismo que tem função político-eleitoreira. Não é novidade o uso desses aparelhos. Se tiver culpa no cartório, Hollanda não é o único. 

Que a operação da Polícia Federal venha a servir também de reflexão para o que o economista Milton Friedman - autor de Livre para Escolher - há muito já dizia: “não existe almoço grátis”. 

Além disso, a lógica mostrada pela PF para captação de eleitores não se encontra apenas no fornecimento de consultas, dentaduras, remédios e por aí vai. A estrutura gigante de um aparelhamento também envolve cargos para aduladores e bajuladores, inchando a máquina de forma direta e indireta, pois os governos também acabam bancando esse tipo de assistencialismo. 

Afinal, muitos políticos não colocam a mão no próprio bolso para realizarem tais tarefas e aqui vale a máxima do “siga o dinheiro”. Desta forma, o estamento vai construindo uma “engenharia-social” perniciosa onde “educação” e “futuro” são meros vocábulos românticos em discursos panfletários. 

A operação “Pense Brasil” acaba sendo - em seu microcosmo - um retrato do macrocosmo no qual estamos inseridos. Poucos exemplos dessa realidade fraldados são efetivamente punidos e expurgados da vida pública. Em geral, como em todo caso podem ser dimensionados peixes pequenos e grandes, só os pequenos sofrem as consequências. 

Os grandes tubarões dominam a arte da caridade com o chapéu alheio para benefício próprio no atacado e não mais no varejo, utilizando-se, inclusive, da estrutura oficial do Estado para distribuir benesses. 

Cito um exemplo que já coloquei outras vezes: a distribuição - no âmbito municipal - de postos de saúde entre apadrinhados políticos de edis. Uma realidade que ocorre Brasil afora e já foi denunciada aqui em Maceió. Toda vez que alguém precisa de algo que é seu direito tem que recorrer a um favor de um Estado que vende dificuldades para comprar facilidades. O preço a ser pago é a “gratidão” do necessitado. 

É isto que está por trás do que a Polícia Federal agora aponta mais uma vez. A pergunta que fica é “até quando?”. 

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