Foto: Arquivo/Cada Minuto 02f20e26 932f 4748 ab4f 097329e363bb Assembleia Legislativa de Alagoas

Conforme publicado em matéria do CadaMinuto, o superintendente da Polícia Federal, Bernardo Gonçalves destacou que os deputados estaduais - investigados na Operação Sururugate - que não comparecerem espontaneamente para prestar depoimentos poderão ser conduzidos coercitivamente. 

Claro que isso depende também de decisão judicial. Mas, Bernardo Gonçalves está correto em colocar as coisas nesses termos. Afinal, a investigação precisa andar e quanto mais célere for, melhor. Até mesmo para que os deputados estaduais possam ter o direito ao contraditório e assim provar - se for o caso - a inocência. 

As acusações são graves. Resultado de uma auditoria da Controladoria Geral da União na folha de pagamento da Assembleia Legislativa mostrou que há indivíduos cadastrados em programas sociais do governo federal - entre os anos 2010 e 2013 - que podem, juntos, terem causado um prejuízo de R$ 15 milhões aos cofres públicos. 

É mais um esquema que aponta desvio de dinheiro. Em entrevista à TV Gazeta, o superintendente afirmou que dois deputados estaduais - Edval Gaia (PSDB) e Severino Pessoa (PPS) - ainda não prestaram esclarecimentos. Serão feitas novas intimações. 

Thaise Guedes (PMDB) já depôs em meio a polêmicas já noticiadas, inclusive por este blog. 

Também são postos como suspeitos os deputados estaduais Antônio Albuquerque (PRTB), Marcelo Victor (PTB), João Beltrão (PMDB), Marcos Barbosa (PPS), Dudu Holanda (PSD), Olavo Calheiros (PMDB), Isnaldo Bulhões (PMDB), Cícero Cavalcante (PMDB) e Cícero Ferro (PRTB). Destes, Ferro e Cavalcante não possuem mais mandatos legislativos. 

A investigação mostra o que sempre defendi nesse blog na época em que a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa - já presidida por Luiz Dantas (PMDB) - resolveu fazer uma auditoria interna na folha de efetivos. Apesar dessa auditoria ter identificado problemas, eu já dizia que, ela não apontará para os verdadeiros “gargalos” da Casa de Tavares Bastos. 

Afinal, nos últimos anos, investigações e denúncias mostravam que havia problemas com a transparência em relação aos cargos comissionados. Sugeri à Casa a publicação - para que o cidadão pudesse melhor acompanhar - dos nomes dos comissionados por gabinetes, mas apenas três deputados estaduais divulgaram isso até esta data: Bruno Toledo (PROS), Galba Novaes (PMDB) e Rodrigo Cunha (PSDB). São parlamentares que não estão sendo investigados. 

Cunha - por sinal - foi o único parlamentar a se pronunciar sobre os mais recentes acontecimentos, afirmando ser mais um capítulo da novela de suposta corrupção dentro do Legislativo. 

É de se indagar o silêncio dos demais na cobrança de apuração, pois não se trata de prejulgar ninguém. E quem não deve, não teme. Rodrigo Cunha acerta ao pontuar a questão como grave e cobrar esclarecimento dos pares. 

Rodrigo Cunha relatou que apesar de suas cobranças por transparência, as pessoas não sabem onde os servidores do Poder Legislativo estão lotados, nem com o quê cada parlamentar gasta mais de R$ 40 mil de verba indenizatória por mês. Eu vivo dizendo isso nesse blog. 

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